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A Sagrada Família: José e Maria refugiam-se na gruta de Belém. - Parte XLIII

  • Cláudia Pereira
  • 25 de dez. de 2025
  • 7 min de leitura

Atualizado: 27 de dez. de 2025

Visões da Beata Catarina Emmerick

A Beata Ana Catarina Emmerick (em alemão: Anna Katharina Emmerich), nasceu em 8 de setembro de 1774 em Coesfeld e faleceu em 09 de fevereiro de 1824 em Dülmen na Alemanha. Foi uma freira agostiniana, grande mística e estigmatizada, elevada aos altares pelo Papa São João Paulo II a 3 de outubro de 2004.


Parte XLIII - José e Maria refugiam-se na gruta de Belém

A noite do nascimento de Cristo. 1869. Michael Rieser
A noite do nascimento de Cristo. 1869. Michael Rieser

José e Maria refugiam-se na gruta de Belém

Era bastante tarde quando José e Maria chegaram até à entrada da gruta. A burrinha que, desde a chegada da Sagrada Família à casa paterna de José, tinha desaparecido para passear em torno da cidade, veio então ao encontro deles, e começou a saltitar alegremente perto deles. Vendo isto, a Virgem Maria disse a José:

«Veja, certamente é a vontade de Deus que entremos aqui».

Mas José estava preocupado e, secretamente, um pouco envergonhado, porque tantas vezes aludira à boa recepção que teriam em Belém.

José conduziu o jumento sob o beiral, diante da gruta; preparou um lugar para Maria que se sentou, enquanto ele fazia um pouco de luz e entrava na gruta. A entrada estava um tanto obstruída por fardos de palha e esteiras encostadas nas paredes. Também dentro da gruta, havia diversos objetos que dificultavam a passagem. José desobstruiu-a, preparando um local confortável para Maria, no lado oriental. Pendurou na parede uma lâmpada acesa e fez Maria entrar, a qual se deitou sobre a cama que José havia preparado com cobertores e embrulhos. José pediu-lhe humildemente perdão por não ter encontrado algo melhor que aquele refúgio tão impróprio; mas Maria, em seu íntimo, sentia-se feliz, cheia de santa alegria.

Quando Maria estava instalada, José saiu com uma garrafa de couro e foi atrás da colina, até ao prado, onde havia uma fonte, e enchendo-a de água voltou para a gruta. Mais tarde, ele foi até à cidade, onde conseguiu pequenos recipientes e um pouco de carvão. Como se aproximava a festa do sábado e eram numerosos os forasteiros que haviam entrado na cidade, foram instaladas mesas nos cantos de algumas ruas com os alimentos mais indispensáveis para a venda. O preço era pago na hora. Creio que servos ou escravos pagãos guardavam as mesas, mas não me lembro com certeza. Também acho que havia pessoas que não eram judias.


São José. 1847. William Dyce
São José. 1847. William Dyce

José voltou e trouxe carvões acesos numa caixa de grade; colocou-os na entrada da gruta e acendeu fogo com um feixe de gravetos. Em seguida, trouxe a garrafa de água, que tinha enchido no riacho, e preparou alguma comida. Consistia num guisado feito de milho amarelo, um tipo de planta grande que continha muitas sementes e um pouco de pão.

Depois de terem comido e rezado, José preparou uma cama para Maria Santíssima. Sobre uma camada de juncos, estendeu um cobertor semelhante aos que eu tinha visto na casa de Santa Ana e colocou outro enrolado como travesseiro. Em seguida, trouxe o jumento e amarrou-a num local onde não poderia incomodar; tampou as aberturas da abóbada por onde entrava ar, e dispôs na entrada um lugarzinho para o seu próprio descanso.

Quando começou o sábado, José aproximou-se de Maria, sob a lâmpada, e recitou com ela as orações correspondentes; depois saiu para a cidade. Maria envolveu-se nas suas roupas para descansar. Durante a ausência de José, vi-a a rezar de joelhos. Depois, deitou-se para dormir, deitada de lado. A sua cabeça repousava sobre um braço, acima do travesseiro.

Esta gruta ficava na extremidade da cordilheira de Belém. Um conjunto de belas árvores ficava em frente à entrada, e dali era possível avistar algumas das torres e telhados da cidade. Sobre a entrada, que era fechada por uma porta feita de vime, havia um telheiro. Da porta, uma passagem moderadamente larga conduzia à gruta, uma abóbada de forma irregular, meio redonda, meio triangular. De um lado da passagem havia um recanto um pouco mais baixo do que a superfície geral, e José tinha-o fechado com cortinas para o seu próprio local de dormir. O resto da passagem, do recanto até à entrada, ele separou com cortinas, e ali havia uma espécie de despensa.

A passagem não era tão alta quanto a própria gruta, que era abobadada pela natureza. As paredes internas da gruta, onde foram formadas inteiramente pela natureza, embora não fossem perfeitamente uniformes, eram agradáveis e limpas; na verdade, aos meus olhos, havia algo nelas que era bastante encantador. Elas agradavam-me mais do que as partes nas quais algumas tentativas de alvenaria haviam sido feitas, pois estas últimas eram grosseiras e ásperas. A fundação do lado direito da entrada parecia, a alguma distância, ter sido talhada na rocha; apenas a parte superior parecia ter sido feita pela mão do homem. Havia também alguns buracos nesta passagem. No meio do teto abobadado havia uma abertura e, creio eu, outras três cortadas obliquamente a meio da mesma. Estas aberturas oblíquas apresentavam uma aparência mais suave do que a mais alta; pareciam obra da mão do homem.

O chão da gruta era mais profundo do que o da entrada e era cercado em três lados por um assento de pedra um pouco elevado, largo em alguns lugares, estreito em outros. Numa das partes largas, o jumento posicionou-se. Não havia bebedouro, mas um grande saco de couro estava colocado diante dele ou pendurado no canto. Atrás havia uma pequena gruta lateral, grande o suficiente para permitir que o animal ficasse em pé. Lá era onde a forragem era armazenada. Uma calha corria ao longo desse canto, e eu vi José a limpar a gruta.

Quando, anos mais tarde, Santa Paula lançou as primeiras fundações do seu convento em Belém, vi uma pequena capela de construção leve erguida no vale e no lado leste da gruta. Ela foi construída de forma a ficar contígua à parte traseira da Gruta do Presépio e diretamente atrás do local onde Jesus nasceu. Esta pequena capela de madeira e paredes de vime era revestida por dentro com tapeçaria. Quatro filas de celas se abriam para ela, construídas de forma tão leve quanto as cabanas dos pastores geralmente são na Palestina. Em cada fila havia celas separadas, cada uma cercada pelo seu próprio pequeno jardim, e todas conectadas por passagens cobertas que levavam à capela. Aqui, Paula e sua filha reuniram ao seu redor as suas primeiras companheiras. Na capela, livre da parede, havia um altar com o seu pequeno tabernáculo. Atrás dele, havia uma cortina de seda vermelha e branca, que escondia a réplica da Gruta do Presépio que Santa Paula mandou fazer. Ela estava separada da gruta real, do local exato onde Jesus nasceu, apenas pela parede rochosa. Este presépio era feito de pedra branca e era uma imitação fiel do de Jesus. A manjedoura também estava representada, e até mesmo o feno pendurado nas laterais. O menino que nela estava, era igualmente de pedra branca e envolto num véu azul. A figura era oca e não muito pesada.

José voltou tarde. Rezou mais uma vez e deitou-se humildemente na sua cama na entrada da gruta. Maria passou a festa do sábado a rezar na gruta, meditando com grande concentração. José saiu várias vezes: provavelmente foi à sinagoga de Belém. Vi-os a comer alimentos preparados dias antes e a rezar juntos.

À tarde, quando os judeus costumam fazer o seu passeio de sábado, José conduziu Maria à Gruta de Abraão, que era também o sepulcro de Maraha, sua ama. Era mais espaçosa do que a gruta do Presépio. Maria permaneceu ali algumas horas, enquanto José tornava esta última mais habitável. Também esteve sob uma árvore, a orar e a meditar, até que o sábado terminou. Maria disse-lhe que o nascimento ocorreria naquela mesma noite à meia-noite, quando se completariam os nove meses transcorridos desde a saudação do Anjo do Senhor.

Maria tinha pedido a José que preparasse tudo, de modo que pudessem honrar da melhor forma possível a entrada no mundo do Menino prometido por Deus e concebido de forma sobrenatural. Pediu também a José que rezasse com ela pelas pessoas que, por causa da dureza dos seus corações, não lhes tinham dado hospitalidade.

José ofereceu-se para trazer de Belém duas mulheres piedosas, que ele conhecia; mas Maria disse-lhe que não havia necessidade da ajuda de ninguém.

Eram cinco horas da tarde quando José trouxe Maria de volta à gruta do presépio. Ele pendurou mais algumas lâmpadas e preparou um lugar sob o telheiro diante da porta para a pequena jumenta, que veio alegremente apressada dos campos para encontrá-los.

Assim que o sol se pôs, antes de terminar o sábado, José voltou a Belém, onde comprou os objetos mais necessários: uma tigela, uma mesinha baixa, frutas secas e passas, voltando com tudo isso para a gruta. Comeram e rezaram juntos. José fez uma separação entre o local para dormir e o resto da gruta, usando algumas varas das quais pendurou algumas esteiras que estavam ali. Deu comida ao jumento que estava à esquerda da entrada, amarrado à parede. Encheu a manjedoura do presépio com canas, palha e musgo, e por cima estendeu um cobertor.

Quando Maria disse a José que o seu tempo estava a chegar e que ele deveria agora dedicar-se à oração, ele deixou-a e dirigiu-se para o seu lugar de dormir para cumprir a sua ordem. Encontrou a burrinha que até então tinha estado a vaguear livremente pelo vale dos pastores e agora voltava, saltitando e pulando, cheia de alegria, ao redor de José. Este amarrou-a sob o beiral, diante da gruta, e deu-lhe forragem.

Antes de entrar no seu pequeno recanto, ele olhou uma vez para trás, para a parte da gruta onde Maria estava ajoelhada na sua cama em oração, de costas para ele, com o rosto voltado para o leste. Ele viu a caverna cheia da luz que emanava de Maria, pois ela estava totalmente envolta como se fosse por chamas. Era como se ele estivesse, como Moisés, a olhar para a sarça ardente. Ele prostrou-se no chão em oração e não olhou para trás novamente.

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