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O Antigo Testamento: Dsemschid, chefe e condutor de povos - Parte XVIII e XIX

  • Cláudia Pereira
  • há 2 horas
  • 7 min de leitura

Visões da Beata Catarina Emmerick

A Beata Ana Catarina Emmerick (em alemão: Anna Katharina Emmerich), nasceu em 8 de setembro de 1774 em Coesfeld e faleceu em 09 de fevereiro de 1824 em Dülmen na Alemanha. Foi uma freira agostiniana, grande mística e estigmatizada, elevada aos altares pelo Papa São João Paulo II a 3 de outubro de 2004.


Dsemschid, chefe e condutor de povos

Devido à sua sabedoria, Dsemschid tornou-se o líder do seu povo, que logo cresceu e se tornou um povo respeitável, que se movia cada vez mais para o Sul. Dsemschid era muito distinto; era bem-educado e tinha abraçado os ensinamentos de Hom. Era indescritivelmente animado e vigoroso, muito mais ativo e melhor também do que Hom, que tinha uma disposição sombria e rígida. Ele praticava a religião formulada por Hom, acrescentou muitas coisas a esses ensinamentos e observava muito os astros.

O povo que o seguia, já tinha o culto sagrado do fogo, e distinguia-se dos outros por sinais próprios de sua raça. As pessoas naquela época viviam juntas em tribos; elas não se misturavam como hoje. O objetivo especial de Dsemschid era melhorar as raças e mantê-las na sua pureza original; ele separou-as e transplantou-as como lhe parecia melhor. Ele deixava-as perfeitamente livres, mas elas eram muito submissas a ele. Os descendentes dessas raças, que agora vejo selvagens e bárbaros em terras e ilhas distantes, não se comparam aos seus progenitores em termos de beleza pessoal ou caráter viril; pois essas nações antigas eram nobres e simples, mas também muito valentes. As raças dos dias atuais também são muito menos habilidosas e inteligentes, e possuem menos força física.


Rei e Rainha do Império Persa. 2015. Hojat Shakiba
Rei e Rainha do Império Persa. 2015. Hojat Shakiba

Dsemschid, chefe e condutor de povos

Nas suas expedições, Dsemschid lançou as bases de cidades de tendas, demarcou campos, construiu longas estradas de pedra e formou povoados aqui e ali com um certo número de homens e mulheres, a quem deu animais, árvores e plantas. Ele cavalgava por grandes extensões de terra, golpeando o solo com um instrumento que sempre carregava na mão, e o seu povo então começava a trabalhar nesses locais, arrancando e cortando, fazendo sebes e poços.

Dsemschid era notavelmente rigoroso e justo. Eu via-o como um homem alto e velho, muito magro e de tez amarelada-avermelhada. Ele montava um animal pequeno e surpreendentemente ágil, com pernas delgadas e listras pretas e amarelas, muito parecido com um burro. Dsemschid cavalgava por uma extensão de terra, assim como o nosso povo pobre cavalga por um campo na charneca à noite, e assim a apropriava para cultivo. Em certos pontos, ele parava e golpeava com a ponta de um instrumento sua, ou plantava uma estaca no chão; ali, os seus homens paravam e colonizavam. O instrumento, que mais tarde foi chamado "a dourada lâmina do arado de Dsemschid", tinha a forma de uma cruz latina. Tinha aproximadamente o comprimento de um braço e, quando esticado, formava um ângulo reto com o cabo. Com esse instrumento, Dsemschid fazia fissuras na terra.

Uma representação do mesmo, aparecia na lateral do seu manto, onde geralmente ficam os bolsos. Isso lembrou-me o símbolo do cargo que José e Asenete sempre carregavam no Egito, e com o qual José media e distribuía as terras; só que esse tinha a forma de cruz e tinha no topo um anel onde podia ser encaixado.

Dsemschid usava um manto que caía em pregas de frente para trás. Do cinto até ao joelho pendiam quatro abas de couro, duas atrás e duas à frente, presas nas laterais e prendidas abaixo do joelho. Os seus pés estavam amarrados com couro e tiras. Ele usava um escudo dourado no peito. Ele tinha várias couraças semelhantes para se adequar a várias solenidades. A sua coroa era uma tiara pontiaguda de ouro. A ponta da frente era mais alta e curvada como um pequeno chifre, e na extremidade dela ondulava algo parecido com uma pequena bandeira.

Dsemschid falava constantemente de Henoc. Ele sabia que ele tinha sido levado da Terra sem passar pela morte. Ele ensinava que Henoc tinha entregue a Noé toda a bondade e toda a verdade, tinha nomeado Noé pai e guardião de todas as bênçãos, e que todas essas bênçãos tinham passado de Noé para ele próprio.

Ele usava consigo um recipiente dourado em forma de ovo no qual, segundo ele, estava contido algo precioso que fora preservado por Noé na arca, e que lhe fora transmitido. Eu vi que nas suas jornadas, onde ele se detinha para fundar uma população, levantava uma coluna e sobre ela colocava, num lugar de ouro, esse recipiente de ouro. A coluna tinha figuras esculpidas: era uma construção bonita e no topo erguia uma cobertura como se fosse um santuário. A tampa do recipiente era uma coroa de filigrana. Quando Dsemschid acendia o fogo, ele atirava ao fogo algo que tirava do recipiente.

O recipiente tinha realmente sido usado na arca, pois Noé havia preservado o fogo nele; mas agora era o ídolo precioso de Dsemschid e seu povo. Quando foi colocado, o fogo ardia diante dele, ao qual eram oferecidas orações e sacrificados animais, pois Dsemschid ensinava que o grande Deus habita na luz e no fogo, e que Ele tem muitos deuses e espíritos inferiores a servi-Lo.

Todos se submeteram a Dsemschid. Ele estabeleceu colónias de homens e mulheres aqui e ali, deu-lhes rebanhos e permitiu-lhes plantar e construir. Agora podiam seguir os seus próprios desejos em matéria de casamento, pois Dsemschid tratava-os como gado, atribuindo esposas aos seus seguidores de acordo com as suas próprias opiniões. Ele próprio tinha várias. Uma era muito bonita e de uma família melhor do que as outras. Dsemschid destinou o seu filho com ela para ser o seu sucessor e herdeiro.

Por ordem sua, foram construídas grandes torres redondas, que eram subidas por degraus com o objetivo de observar as estrelas. As mulheres viviam separadas e em submissão. Usavam vestes curtas, o corpete e o peito de um material semelhante ao couro, e algum tipo de tecido pendurado atrás. Ao redor do pescoço e sobre os ombros, usavam uma capa circular completa, que caía abaixo do joelho. Nos ombros e no peito, era ornamentada com sinais ou letras. Em todos os países onde se estabeleceu, Dsemschid mandou construir estradas retas na direção de Babel.

Dsemschid sempre conduziu o seu povo para regiões desabitadas, onde não havia nações para expulsar. Ele marchava por toda parte com perfeita liberdade, pois era apenas um fundador, um colonizador. A sua raça tinha uma tez amarela-avermelhada brilhante como ocre, pessoas muito bonitas. Todos eram marcados para distinguir os puros dos mestiços. Dsemschid marchou por uma alta montanha coberta de gelo.

Não me lembro como é que ele conseguiu atravessar, mas muitos dos seus seguidores pereceram. Eles tinham cavalos ou burros; Dsemschid montava um pequeno animal listrado. Uma mudança climática expulsou-os do seu país. Ficou muito frio para eles, mas agora vejo que é novamente mais ameno.

Ocasionalmente, ele encontrava nas suas viagens uma tribo indefesa, fugindo da tirania do seu chefe ou aguardando angustiada a chegada de algum líder. Eles submeteram-se voluntariamente a Dsemschid, pois era de carácter gentil e distribuía abrigo, grãos e bênçãos. Eram exilados indigentes que, como Jó, haviam sido saqueados e banidos.

Vi algumas pessoas pobres que não tinham fogo e eram obrigadas a assar o pão em pedras quentes ao sol. Quando Dsemschid lhes deu fogo, elas o consideraram um deus. Ele encontrou outra tribo que sacrificava crianças deformadas ou que não atingiam o seu padrão de beleza. As criancinhas eram enterradas até a cintura e uma fogueira era acesa ao seu redor. Dsemschid condenou essa bárbara prática; libertou essas criaturas e encarregou algumas matronas de cuidar e educar essas crianças. Posteriormente, utilizou-as, aqui e ali, como servas. Ele teve muito cuidado em manter a linhagem genealógica pura.

Dsemschid marchou primeiro em direção a sudoeste, mantendo a Montanha do Profeta ao sul, à sua esquerda; depois virou para sul, com a montanha ainda à sua esquerda, mas a leste. Acho que depois ele cruzou o Cáucaso. Naquela época, quando essas regiões estavam repletas de seres humanos, quando tudo era vida e atividade, as nossas terras (Alemanha) eram apenas florestas, desertos e pântanos; apenas no leste era possível encontrar uma pequena tribo nómada.

O Zoroastro, que viveu muito tempo depois, era descendente do filho de Dsemschid, cujos ensinamentos ele reviveu. Dsemschid escreveu todos os tipos de leis em cascas de árvores e tábuas de pedra. Seu alfabeto era tal, que às vezes uma única letra ou sinal significava uma frase inteira. A língua deles ainda era primitiva, à qual a nossa ainda tem alguma semelhança. Dsemschid viveu pouco antes de Derketo e sua filha, a mãe de Semíramis. Ele não alcançou os tempos de Babel, mas suas jornadas dirigiram-se nessa direção.


Cristo entre os fariseus. 1660-1670. Jacob Jordaens
Cristo entre os fariseus. 1660-1670. Jacob Jordaens

Jesus fala sobre Dsemschid aos filósofos pagãos

Eu vi a história de Hom e Dsemschid, tal como Jesus a contou diante dos filósofos pagãos, em Lanifa, na ilha de Chipre (1). Esses filósofos, na presença de Jesus, falaram de Dsemschid como o mais antigo dos reis sábios que vieram de muito além da Índia. Com uma adaga de ouro recebida de Deus, ele dividiu e povoou muitas terras, espalhando bênçãos por onde passava. Eles questionaram Jesus sobre ele e os vários milagres relacionados com ele.

Jesus respondeu às suas perguntas dizendo que Dsemschid era, por natureza, um homem prudente, um homem sábio segundo a carne e o sangue; que ele tinha sido um líder das nações; que, após a dispersão dos homens na construção da Torre de Babel, ele tinha liderado uma raça e colonizado países de acordo com uma certa ordem; que havia outros líderes desse tipo que, de fato, levavam uma vida pior do que ele, porque a sua raça não havia caído em tão grande ignorância como muitas outras. Mas Jesus também lhes mostrou quais fábulas haviam sido escritas sobre ele e que ele era uma imagem falsa, um tipo falsificado do sacerdote e rei Melquisedeque.

Ele disse-lhe para observarem a diferença entre a raça de Dsemschid e a de Abraão. À medida que o fluxo das nações avançava, Deus enviou Melquisedeque às melhores famílias, para liderá-las e uni-las, para preparar para elas terras e lugares de permanência, a fim de que pudessem preservar-se imaculadas e, em proporção ao seu grau de dignidade, serem consideradas mais ou menos aptas para receber a graça da Promessa.

Jesus acrescentou: "Quem foi Melquisedeque, vocês podem pensar e imaginar; o certo é que ele foi uma imagem primitiva da já próxima hora da graça do chamado; o sacrifício de pão e vinho que ele ofereceu deve ser cumprido agora e aperfeiçoado, e esse sacrifício verdadeiro deve durar até a consumação dos séculos."

(1) Nas visões da vida de Jesus, há referência à viagem do Senhor a Chipre, da qual os Evangelhos nada

dizem.


Leia o próximo capítulo das Revelações à Beata Ana Catarina Emmerick:

Parte XX - A Torre de Babel


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