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Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José – A Verdadeira Missão da Família

  • Cláudia Pereira
  • 28 de dez. de 2025
  • 9 min de leitura

A Igreja celebra a Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José, nesta que é a oitava de Natal, e por isso, decidimos enfatizar toda a importância daquela que é a verdadeira missão da Família.

Nós católicos, acreditamos verdadeiramente que, uma das coisas mais preciosas que Deus criou é a família. A família é uma criação de Deus aqui na terra, com uma espécie de mistura do mundo animal, material, biológico e do mundo espiritual.


A Sagrada Família com um Pássaro. 1650. Bartolomé Esteban Murillo
A Sagrada Família com um Pássaro. 1650. Bartolomé Esteban Murillo

O que é uma família?

Erradamente, as pessoas pensam que a família é uma coisa que os animais também têm, porque quando o macho acasala com a fêmea e nasce a prole, isso já é uma família.

Não, isso não é uma família, isso é uma forma de se reproduzir. O ser humano tem uma coisa maravilhosa que os animais não têm, nós temos a alma, nós temos o Espírito. Isto, é o que muitas pessoas não entendem; e por isso, muitas famílias estão a ser destruídas.

Ao celebrarmos a Família de Jesus, Maria e José, vamos refletir um pouco, antes de tudo, no que é a família. Vamos partir do básico e do fundamental.


Nós não somos como os animais

Infelizmente, miseravelmente, desgraçadamente, as nossas escolas e universidades estão a ensinar aos nossos filhos, que nós não somos muito diferentes do macaco. Ou seja, que nós somos apenas um macaco que perdeu o pêlo, que nós somos apenas um elo de uma longa cadeia de evolução. Para essas pessoas, no fundo, e fundamentalmente, não existe muita diferença entre o homem e o animal. Para elas, somos apenas animais com capacidade raciocinar.

É evidente que isto é das coisas mais estúpidas que se poderiam dizer, mas elas não têm vergonha de apresentar isto como ciência. Porque até uma pessoa sem o mínimo de conhecimento científico, consegue ver a diferença entre o homem e o animal.

G.K. Chesterton escreveu um famoso livro, “O Homem Eterno”, em que fala do homem das cavernas. Ele escreveu este livro, porque existem duas coisas horríveis que marcaram o mundo moderno: uma é de achar que o homem não é diferente dos animais, ou seja, que o homem é um animal qualquer; e a outra coisa terrível, é de achar que Jesus é um homem qualquer. Este livro divide-se em duas partes, a primeira, é a provar que o homem não é um animal qualquer, e a segunda, é provar que Jesus não é um homem qualquer.

Quando ele mostra que o homem não é um animal qualquer, ele diz o seguinte:

“A primeira notícia arqueológica que nós temos dos homens primitivos, dos homens das cavernas, em si mesma, já separa enormemente o homem dos animais e o facto de as pessoas não serem capazes de ver isso, só mostra que as pessoas estão a ficar loucas.”

Na realidade, o que sabemos do homem das cavernas? Quase nada. Sabemos que era um artista, que pintava dentro das cavernas, e isso, que eu saiba, nenhum animal é capaz de fazer.

Nesta realidade da arte, somos capazes de narrar uma pequena história, de pintar numa caverna uma caçada, só aqui, já vemos que existe uma enorme diferença entre o ser humano e os animais. Mas há outras razões que podemos observar, mas que nunca parámos para meditar.


O Passeio Divertido. 1847-1927. Frederick Morgan
O Passeio Divertido. 1847-1927. Frederick Morgan

Os animais não riem

Já notaram que os animais não riem? Sim. Dar boa risada gargalhada é uma algo claramente humano e espiritual, porquê? Porque dar uma gargalhada só é possível para seres inteligentes, de uma inteligência superior, porque só nos rimos de algo que quebra a lógica aparente das coisas.

Porque é que uma piada nos faz rir? Porque é uma narrativa onde esperamos um desfecho e, de repente, há algo que nos surpreende de forma muito alegre, e rimo-nos porque aquilo é cómico. Nesta dinâmica, existe uma inteligência por trás. Eu sou capaz de ser surpreendida por uma tirada inteligente, isto é espiritual.


Os animais não sentem vergonha

O pudor, é claramente humano e algo que os animais não sentem. Qualquer criança, de qualquer cultura, cora de vergonha quando ela é surpreendida, ou faz uma coisa que não era esperada pelos outros. Porque é que os animais não são capazes de sentir vergonha? Porque não têm espírito.

Nós temos espírito, e é por isso que nós, seres humanos, somos capazes de constituir uma família. Um macho humano é capaz de acasalar com uma fêmea humana e nasce uma prole humana, mas isso ainda não é uma família. A família é uma realidade espiritual. A família é como aquela arte nas cavernas, a família é como uma bela gargalhada de uma piada, a família é como ficar corado de vergonha diante de algo inesperado que acontece.

Só alguém que tenha uma base animal, mas ao mesmo tempo profundamente espiritual, como a nossa inteligência, conseguirá criar uma família.

Hoje em dia, querem criar vários tipos de famílias, com dois pais, com duas mães, com três pais e uma mãe, uma mãe e dois pais, etc. Enfim, com a desculpa do politicamente correto e de serem “acolhedores”, a sociedade até está disposta a mandar às favas a própria base biológica do ser humano.


Jesus, Maria e José – a Verdadeira Missão da Família

Vejam a grandeza e a Sabedoria Divina, que através da Sagrada Família, mostra exatamente o quanto a família é algo de biológico e espiritual.

Jesus, recebe de Maria, algo claramente biológico, afinal, Ele foi gerado por ela, existe um vínculo biológico, mas não há um vínculo biológico com São José. No entanto, há outra realidade biológica.

Embora Jesus fosse Deus feito homem, Deus Pai, quis que Jesus, desde pequenino, tivesse um crescimento biológico. Jesus nasceu frágil, e apesar de ser Deus, não se podia alimentar sozinho. Se a Virgem Santíssima não pegasse em Jesus para o alimentar, Ele morreria à fome. Não é porque Jesus é Deus que se fez homem, que não precisava que São José o protegesse. Pelo contrário, São José precisou enfrentar uma longa viagem, fugir de Herodes e daqueles que queriam prejudicar Jesus e Maria e, como homem, teve de conduzir a sua família. Para defendê-los, teve de ir para o Egito, para fazer o bem para a sua família. Vejam que coisa maravilhosa é este substrato biológico de pai e mãe, que ao mesmo tempo é espiritual e de missão. Aqui vemos a verdadeira missão da família.


Oração antes da refeição. 1885. Fritz von Uhde
Oração antes da refeição. 1885. Fritz von Uhde

Órfãos de pais vivos

Infelizmente, vivemos num mundo, onde cada vez mais há esta opinião louca: O pai e a mãe têm de trabalhar muito, ganhar muito dinheiro e entregar a educação e o cuidado dos seus filhos às escolas.

Resultado: O pai e a mãe que trabalham a tempo integral, na realidade, e por causa da sua ausência em casa, estão desde cedo, mortos para os filhos. Ou seja, os nossos filhos, embora tenham pais vivos, são órfãos.

O pai e a mãe, acham que o maior dever que eles têm, é trazer dinheiro para casa para “Pagar a escola dos filhos”. Então, entregam a alma, a educação, o futuro e a salvação dos seus filhos nas mãos de quem? De professores ou outros funcionários do estado, que não cristãos católicos, não amam os nossos filhos como nós, nem têm a mínima preocupação com as suas almas.

As escolas educam os nossos filhos conforme as orientações malucas de pedagogos, geralmente não cristãos, e geralmente revolucionários de esquerda. Eles..

  • ensinam aos nossos filhos ideologias de género;

  • ensinam que a castidade e a pureza não têm valor;

  • ensinam o relativismo cultural, como se cultura fosse toda igual;

  • ensinam o relativismo moral, como se a moralidade nem existisse;

  • ensinam o indiferentismo religioso, como se as religiões fossem todas iguais;

  • ensinam os nossos filhos a escarnecer da Igreja Católica e da sua história;

  • ensinam aos nossos filhos um materialismo grotesco;

  • ensinam a escravatura do hedonismo, é isto que fazem as escolas.

De tal forma que nós, pais e mães, passamos o dia a sacrificarmo-nos para pagar a “educação” dos nossos filhos, mas na verdade, nós somos financiadores da destruição da alma dos nossos filhos.


Salvar a educação e a alma dos nossos filhos

Para nós Católicos, a família é o mais importante. A coisa mais maravilhosa que uma família poderia fazer, é educar os seus filhos e educar com as ideias corretas. Podemos fazê-lo através do ensino doméstico, mas se não for possível, trabalhando em part-time, já dedicamos muito mais tempo aos nossos filhos e à sua educação. Se não o fizermos, a nossa missão como pais será um completo fracasso. Se a nossa missão falhar, podemos levar os nossos filhos à perdição eterna e à nossa também. Esta é a grande tragédia que resulta da falta de seriedade, responsabilidade e fé, na educação de muitas crianças.

José e Maria viveram para o Menino Jesus, que apesar ser Deus que fez homem, era um ser humano que precisava de uma família, de um pai e uma mãe presentes em todos os aspetos.


Berçário. 1889. Fritz von Uhde
Berçário. 1889. Fritz von Uhde

Qualquer criança aprende a falar com a pessoa qual convive. Se passamos o dia inteiro fora de casa, os nossos filhos aprendem a falar com outras pessoas. Infelizmente, os revolucionários perceberam isto. Perceberam que precisam ter acesso aos nossos filhos o quanto antes, e é por isso que está a ser criado todo um sistema para levar os nossos filhos para a escola o quanto antes, e tirá-los do convívio com pais o máximo de tempo possível. Por isso, é que é tudo tão caro, para que os pais precisem trabalhar muito.

Antigamente, quando as crianças iam para a escola só aos seis ou sete anos, já era demasiado tarde para ensinar à criança, qualquer coisa de profundo, a criança já tinha aprendido a discernir o bem e o mal, a criança já tinha a idade da razão. Apesar de ainda ser uma criança, ela já tinha aprendido o que é bom, e o que é mau, porque aprendia com pais. E porquê? Porque havia alguém em casa a ensinar valores cristãos.


A escravatura da liberdade

As mulheres saíram de casa para ir trabalhar com ilusão absurda de que seriam livres, mas eu não me sinto mais livre quando estou a trabalhar. Pelo contrário, sinto que não sou dona do meu tempo nem das minhas escolhas. Nem a educação dos meus próprios filhos posso escolher, tudo é imposto.

Existe um livro de Chesterton chamado “A superstição do divórcio e outros ensaios sobre a família, a mulher e a sociedade”. Num desses ensaios de 1930, Chesterton notava que todos ficavam entusiasmados com as mulheres, porque elas estavam a realizar façanhas iguais às dos homens. A mulher era aviadora, a mulher deu uma volta ao mundo, cruzou o Atlântico, etc. Então, Chesterton diz assim: “Mas o que é que isto quer dizer? Quer dizer que antes as mulheres não eram capazes? E alguém duvidava disso? Elas eram perfeitamente capazes, e todos sabiam disso.”

O que isto quer dizer, é o seguinte: não é que antigamente, as mulheres do passado não soubessem cruzar os oceanos em aviões, serem expedicionárias, ou ter grandes cargos empresariais; elas simplesmente não tinham tempo, porque estavam ocupadas com algo soberanamente mais importante do que isso, que se chama “educar os filhos”. E é isto a sociedade tirânica moderna não consegue aceitar.


Abandonada. 1890. Fritz von Uhde
Abandonada. 1890. Fritz von Uhde

A sociedade moderna tem um ódio de morte ás mulheres que se dedicam aos filhos. A sociedade não consegue aceitar que uma mulher cristã fique em casa, a “perverter” os seus filhos com a fé católica. Baniram o catolicismo das escolas e querem bani-lo também das nossas casas e até das nossas igrejas.

É perseguição da qual Jesus tanto nos advertiu: Mt 10, 16-23

«Envio-vos como ovelhas para o meio de lobos. Portanto, sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas. Tende cuidado com os homens: hão de entregar-vos aos tribunais e açoitar-vos nas sinagogas. Por minha causa, sereis levados à presença de governadores e reis, para dar testemunho diante deles e das nações. Quando vos entregarem, não vos preocupeis em saber como falar nem com o que dizer, porque nessa altura vos será sugerido o que deveis dizer; porque não sereis vós a falar, mas é o Espírito do vosso Pai que falará em vós. O irmão entregará à morte o irmão e o pai entregará o filho. Os filhos hão de erguer-se contra os pais e causar-lhes a morte. E sereis odiados por todos por causa do meu nome. Mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo. Quando vos perseguirem numa cidade, fugi para outra. Em verdade vos digo: não acabareis de percorrer as cidades de Israel, antes de vir o Filho do homem.»

Nós acreditamos na família

Nós, católicos, somos cidadãos, e devemos fazer com que as pessoas acordem para o facto de que nós acreditamos na família. E acreditar na família, é acreditar que o ser humano precisa de educação, e que a melhor fonte de educação para uma família, é a Santa Igreja Católica com os seus ensinamentos - a mãe de todas as famílias.

Foi por isso que, ao longo dos séculos, a Igreja Católica criou uma rede de escolas. O que é que as escolas católicas faziam? Elas eram um instrumento da Igreja e da família, para educar as crianças.

Nós acreditamos que, o dom mais precioso que temos são os nossos filhos, e a nossa maior missão é a sua educação e transmissão da fé. Acreditamos que eles nascem de uma união natural entre um homem e uma mulher. Que esta união natural foi elevada por Cristo em sacramento, para que no Sacramento do Matrimónio tivéssemos a graça de, no seio de uma família santificada pelo Sangue de Cristo, ensinarmos o caminho do Céu aos nossos filhos.

Apesar das grandes dificuldades que a sociedade nos impõe, na realização desta magnífica missão, nós também acreditamos que não estamos sozinhos nessa missão.

A Sagrada Família de Jesus, Maria e José intercedem por nós, e dão-nos a graça de levarmos, marido e mulher, pai e mãe, os nossos filhos para o céu.


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