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A Santa Missa explicada às crianças: O que é Necessário para a Santa Missa.

  • Cláudia Pereira
  • 9 de dez. de 2025
  • 18 min de leitura

Atualizado: 11 de dez. de 2025

Maria Montessori foi uma mãe, educadora, médica e pedagoga católica, muito conhecida pelo seu método educativo, que ainda hoje é usado em inúmeras escolas públicas e privadas por todo o mundo.


O que é Necessário para a Santa Missa

Este segundo capítulo - "O que é Necessário para a Santa Missa", faz parte do seu livro: "A Santa Missa explicada às crianças", publicado com Imprimatur pela primeira vez em 1933.


Altar da Igreja Católica Holy Comforter em Charlottesville
Altar da Igreja Católica Holy Comforter em Charlottesville

Preparação da mesa

O ALTAR representa uma mesa que lembra a Última Ceia. Mas a palavra “altar” não significa “mesa”; significa “coisa alta”, do latim altus, alto. E na prática, distingue-se um altar de uma mesa, pela sua altura, uma vez que um altar é sempre elevado acima do solo por meio de degraus.

O tipo mais simples de altar é uma laje oblonga e retangular, suportada por quatro pequenas colunas - as pernas da mesa. Mas no passado, também se usava, por vezes, um altar de pedra apoiado apenas numa coluna no centro, como uma mesa de jardim.

Outro tipo de altar, tem uma forma semelhante à de um túmulo. Este surgiu há muito tempo do facto de que, quando não podiam utilizar um edifício acima do solo para a celebração da Missa, os primeiros cristãos iam muitas vezes para o subsolo e utilizavam os túmulos dos mártires nas catacumbas como altares. De facto, muitos dos altares ainda em uso nas grandes igrejas da Europa são túmulos, feitos de pedra ou de mármore precioso, nos quais se conservam os corpos dos santos.


altar da Igreja Católica Holy Comforter em Charlottesville
Altar da Igreja Católica Holy Comforter em Charlottesville

A superfície plana do altar deve ser uma laje de pedra com cinco cruzes gravadas; uma no centro e uma em cada um dos quatro cantos, para representar as cinco chagas de Cristo. Se não houver um altar de pedra, como acontece frequentemente nas paróquias novas ou pobres, ou quando a Missa é celebrada ao ar livre, ou em casas particulares, basta colocar uma pedra muito mais pequena, chamada pedra de altar, sobre qualquer estrutura elevada, mesmo sobre um móvel vulgar, para fazer um altar.

Esta pedra de altar é uma laje quadrada. Pode ser tão pequena como um azulejo grande, embora, muitas vezes seja feita um pouco maior, quando se destina a ser usada permanentemente numa igreja que tenha apenas um altar de madeira. Na sua superfície superior estão gravadas cinco cruzes, exatamente como se encontram num altar maior e fixo. Na pedra do altar, como aliás, em todos os altares onde se celebra a Missa, está embutida uma pequena caixa de chumbo, mais ou menos do tamanho de uma caixa de fósforos vulgar, que contém as relíquias de pelo menos um santo mártir. Estas relíquias devem ser obtidas em Roma, onde se mantém um registo de todas as que são enviadas por todo o mundo para serem colocadas nos milhares de altares onde se celebra a Missa.


Pedra de altar com relicário
Pedra de altar com relicário

Roma é o jardim dos santos. No Coliseu, e nas antigas igrejas construídas nos nobres palácios dos convertidos romanos, os corpos de todos os que morreram pela Fé foram conservados com honra, de modo que as relíquias dos mártires abundam ali como as folhas de erva num campo. Tudo isto nos recorda a multidão de heróis que tombaram na batalha sangrenta pelo cristianismo, para conquistar o reino da paz no mundo inteiro. Os mártires deram o seu sangue sem derramar o dos seus semelhantes, porque se ofereceram para a morte, perdoando aos seus inimigos e prometendo-lhes o Reino dos Céus.

Assim, os santos, os grandes soldados do cristianismo, são colocados no altar como sentinelas à porta do Rei Eterno, para vigiarem ao longo dos séculos.

Durante a Missa, o pão e o vinho - que devem ser transformados em Cristo Vivo - estão sobre a pedra do altar, junto das relíquias de algum santo mártir, e, depois da Consagração, as Sagradas Espécies são colocadas no mesmo sítio.

No momento em que o sacerdote sobe os degraus do altar, beija esta pedra como saudação às veneráveis sentinelas, e diz: “Pelos méritos dos Vossos santos cujas relíquias aqui jazem, dignai-Vos perdoar, Senhor, todos os meus pecados!”


Os degraus do altar

A MESA SANTA situa-se num nível superior e tem degraus que a ela conduzem.


Catedral de Colónia, Altar-Mor
Catedral de Colónia, Altar-Mor

Estes degraus, geralmente são três e simbolizam as três virtudes teologais que nos conduzem a Deus: a fé, a esperança e a caridade. Os degraus fazem, de facto, parte do próprio altar, e a Santa Missa começa ao pé deles.

Muitas vezes, nas grandes igrejas e basílicas, veem-se altares construídos em altura, de modo que é preciso subir uma série de degraus em diferentes níveis para chegar ao altar-mor. Todas estas escadas são “acessórios de honra”, mas não pertencem ao altar propriamente dito. Por mais alto que este esteja, terá sempre os seus três degraus, diante dos quais o sacerdote deve parar quando começa a celebrar a Santa Missa.


As três toalhas do altar

O ALTAR está coberto com três panos brancos de linho verdadeiro. Antigamente, todos estes panos eram muito compridos, chegando muitas vezes ao chão.

Hoje, porém, as toalhas do altar devem ser dispostas da seguinte forma: duas pequenas, que cobrem apenas a parte superior do altar; e outra muito mais comprida, mas da mesma largura, que se coloca sobre as outras e cai de cada lado, à direita e à esquerda. Esta última é a verdadeira toalha do altar.


tolha de altar branca
Tolha de altar branca

Os três ornamentos

TRÊS COISAS devem ser colocadas em cada altar: um Crucifixo, que se coloca no centro e um pouco para trás, e pelo menos duas velas de cera de abelha pura, uma de cada lado. O Crucifixo do altar tem um pequeno suporte para ficar na vertical e, naturalmente, as duas velas são colocadas em castiçais. Mesmo que estes ornamentos sejam do tipo mais simples, servem para o efeito. O Crucifixo é uma recordação amorosa e insistente de que Jesus foi levado e morto na Cruz depois da Última Ceia.


Os três ornamentos do altar

As velas de cera pura, que se acendem e ardem durante toda a Santa Missa, recordam-nos que Cristo sofreu para iluminar a humanidade com a sua luz de amor, de perdão e de paz.

É claro que estes três ornamentos, são muitas vezes ricamente ornamentados como uma oferta de amor a Cristo.


Ornamentos de amor adicionais

POR VEZES, veremos muitos outros ornamentos por cima ou ao lado do altar, tais como velas, pequenas lâmpadas, estandartes, estátuas de ouro e prata e vasos com belas flores frescas. Todas estas coisas são acessórios, mas não são supérfluas, porque nada é supérfluo quando é oferecido por amor a Cristo.

No entanto, é preciso distinguir cuidadosamente entre os “ornamentos do rito”, que devem estar presentes, e os “acessórios”, que podem ser muito variados. Se não houver qualquer acessório, não há qualquer diferença no rito.


Preparação do Altar para a Missa

AGORA VEJAMOS o que é necessário para preparar o altar para a missa. Até uma criança pode fazer tudo o que é necessário; de facto, são muitas vezes os meninos que preparam o altar para a Santa Missa e o servem.


Acólito acende as velas

A Luz - Quando a Santa Missa vai começar, as velas são acesas por meio de uma vela presa a um pau comprido. O pau tem também, geralmente, um pequeno cone para apagar as luzes quando a Missa termina.


Missal

O Livro - À direita do altar (isto é, do lado direito de quem olha para ele) coloca-se um apoio para livros, ou uma almofada, sobre a qual se assenta um grande livro: o Missal. O acólito é autorizado a trazer o livro sagrado e a colocá-lo no seu lugar. Pousa-o, fechado, sobre o suporte. O sacerdote abre-o no lugar próprio antes de iniciar a celebração da Missa.


galhetas

A Água e o Vinho - Duas outras coisas que devem ser preparadas imediatamente antes do início da Santa Missa. Estes, são preparados em galhetas limpas, dentro de um pequeno prato, que se colocam numa mesa perto do altar, geralmente ao lado direito deste, ou numa pequena prateleira fixada na parede para esse efeito, a credência.


Manustérgio

A Toalha - Uma pequena toalha branca, bem passada a ferro e bem dobrada, é colocada ao lado dos galheteiros; o sacerdote usa-a para secar os dedos. O acólito segura-a no braço e oferece-a ao celebrante no momento oportuno. É a chamada toalha de dedos, ou manustérgio.


Campainha do altar

A Campainha - Por fim, é necessária uma outra coisa: uma campainha, que se coloca nos degraus ao alcance do rapaz que serve a missa.


E agora o acólito, ou o rapaz que está a servir a missa, fez tudo o que era necessário para preparar o altar para a chegada do sacerdote.


Os vasos sagrados

O CÁLICE e a patena usados na celebração da Santa Missa são tão sagrados que nenhum leigo costuma tocar-lhes.

Eles entram em contacto direto com o Corpo e o Sangue de Cristo na Santa Missa, e nenhuma mão que não seja consagrada para o sacerdócio entra em contacto com eles. Por isso, é o próprio sacerdote que as deve levar.

O sacerdote, vestido para celebrar a missa, leva na mão o misterioso invólucro, do qual apenas se vê o revestimento exterior.

Esse invólucro é quase sempre de seda e da mesma cor que a veste do sacerdote. Isto não é apenas para que tudo fique bem combinado, mas porque, não só os ornamentos, mas até as próprias cores usadas (as cores litúrgicas) são determinadas pela rubrica ou regulamento para cada dia do ano.

A primeira coisa que o sacerdote faz é subir e pousar este misterioso objeto sobre o altar; deita-o suavemente, ajustando cuidadosamente as dobras da pequena capa para que tudo fique perfeito. Coloca-o exatamente sobre a pedra do altar.

Depois de o ter feito, o sacerdote vai ao livro e abre-o na página certa para a Santa Missa desse dia. Lembra-te que a Missa ainda não começou: o que o sacerdote está a fazer agora são os últimos preparativos e nada mais.

Depois de ter feito isto, desce os degraus. A Missa começa ao pé dos três degraus.


O que o sacerdote traz consigo


VEJAMOS agora o que está debaixo da capa que o sacerdote colocou sobre o altar.

bursa

Sobre ela repousa uma pasta dura e quadrada: é uma espécie de bolsa plana coberta de seda colorida e geralmente ornamentada com uma cruz. É a chamada Bursa.


corporal

A Bursa contém um quadrado de linho branco, passado a ferro de modo a ficar perfeitamente liso e plano. É dobrado de uma forma muito especial: uma dobra do lado mais próximo de si, uma dobra de cima, depois uma dobra de cada lado, de modo a que, quando aberto, tenha nove quadrados. Esta peça de linho branco chama-se Corporal (de corpus, do latim “corpo”) e tem a grande honra de tocar o Corpo de Cristo, porque o sacerdote coloca sobre ele a Sagrada Hóstia.

O Cálice assenta também sobre o Corporal desdobrado, de modo que, se uma gota do Sangue de Cristo se derramasse, cairia sobre o Corporal. 


Compreendeis agora porque é que o Corporal é um pano muito sagrado?


Ninguém o pode lavar, a não ser um sacerdote, um diácono ou um subdiácono. Só depois desta primeira lavagem é que os leigos podem tocar-lhe para terminar a lavagem e passá-lo a ferro da forma acima descrita.

Para o Corporal usa-se um pano de linho liso. É sempre guardado e transportado na bursa, que muitas vezes é ricamente bordada, porque é usada para cobrir algo tão sagrado.

Tiremos agora o Véu; o manto quadrado de seda, que cobre tudo por baixo da bursa. É feito de um material pesado, e geralmente brocado com um forro de seda.


Véu e Bursa
Bursa e Véu

O que descobriremos de baixo do Véu?

    

Um Cálice e uma Patena: as coisas usadas há muito tempo na Ceia de Cristo tornaram-se os Vasos Sagrados da Mesa Eucarística.



No prato (chamado Patena) há uma grande hóstia branca, que deve ser consagrada durante a Santa Missa. Mas o cálice está vazio. 

Tanto o Cálice como a Patena são feitos de metal precioso, mesmo nas igrejas mais pobres. Não podem ser feitos senão de prata ou de ouro, por mais simples e singelos que sejam. Não é permitido um metal inferior. Mas raramente se encontram simples: o amor e a devoção levam geralmente os fiéis a ornamentar os vasos sagrados e a enriquecê-los com pedras preciosas, transformando-os em grandes tesouros. As mais finas gravuras, as mais belas e as mais raras pedras preciosas foram usadas para ornamentar estes dois vasos ao longo de toda a história do cristianismo.

Estão dispostos sob o Véu de uma forma especial. O Cálice está sobre o altar. Um pano de linho, dobrado três vezes no sentido do comprimento, é colocado sobre a taça do Cálice e pende de cada lado. Sobre este pano repousa a Patena que contém a Hóstia e, cobrindo a Patena, um outro pedaço de linho do mesmo tamanho.

O pano de linho que se coloca sobre o Cálice chama-se Sanguíneo e é quase parte dele, porque serve para limpar o interior do Cálice e, portanto, para tirar os últimos vestígios do vinho consagrado que possam restar depois das abluções. Por isso, também este pano é muito sagrado e não pode ser tocado por nenhuma mão, exceto as do sacerdote.

O Cálice, do qual o sacerdote bebe o vinho consagrado, nunca é lavado sem ter sido bem enxugado e limpo com o Sanguíneo. Só o sacerdote que celebrou a Santa Missa o pode fazer, e fá-lo antes de voltar a colocar os Vasos Sagrados debaixo do Véu.

Por fim, há um outro pequeno pedaço de linho, engomado e bem rígido, que serve de cobertura. Primeiro, cobre a Patena debaixo do Véu; depois, o sacerdote usa-o várias vezes durante a Missa para cobrir o Cálice. A este pequeno pedaço de linho chama-se Pala.


O Pão e o Vinho

O PÃO E O VINHO da mesa eucarística são os materiais a serem transformados no Corpo e no Sangue de Cristo. Depois da consagração, o que está presente visivelmente chama-se a Espécie.

pão com cruz

Por um sentimento de devoção, os cristãos sempre prepararam estas matérias com um cuidado especial, para marcar a sua diferença em relação ao que se usa para a alimentação ordinária dos homens. A sua primeira tendência foi a de as preparar escrupulosamente a partir das coisas mais puras. Assim fizeram desde a mais remota antiguidade, mesmo quando colocavam sobre o altar o pão grande e vulgar que toda a gente usava, marcavam com uma cruz ou com um peixe, que era o símbolo de Cristo para os primeiros cristãos.

Os primeiros pães eucarísticos eram feitos de trigo puro, sem qualquer mistura, moído em farinha, amassado com água pura e depois, cozido ao lume. Posteriormente, em vez de um pão, usaram-se hóstias, mas feitas da mesma maneira e estampadas com vários símbolos sagrados. 

hostias

Atualmente, a hóstia usada pelo sacerdote é grande e ornamentada com tais símbolos; enquanto as hóstias ou partículas (pequenas porções), dadas aos fiéis na Sagrada Comunhão, são muito mais pequenas e muitas vezes não têm nada estampado.

O vinho é feito de puro sumo de uva, sem qualquer mistura, exceto quando o vinho puro está no cálice, o sacerdote acrescenta um pouco de água. Esta ação recorda um incidente da Paixão, quando o soldado trespassou o lado de Cristo e saiu sangue e água.

É por isso que, coisas tão vulgares, como o trigo e as uvas, têm uma importância tão grande para nós cristãos. Tornam-se um alimento misterioso, que só nós podemos compreender. Tal como a nossa alma vive no mundo através da carne do nosso corpo, assim Deus permanece entre nós sob as espécies que provêm do trigo e das uvas. Depois da consagração, a latens deitas, a Divindade escondida, está sob essas humildes aparências.

vinho para a santa missa

O cultivo das plantas destinadas a um uso tão nobre inspira aos cristãos uma grande devoção; mesmo os torrões de terra que alimentam essas plantas têm para nós algo de sagrado que os distingue. Os campos de trigo e as vinhas que vão dar o pão e o vinho para a Eucaristia não podem ser confundidos com os vastos campos de milho e as ricas vinhas que o homem cultiva para si com o suor do seu rosto.

Os primeiros são quase “partículas” de terra, pequenas parcelas, porque um pouquíssimo trigo e uma pequeníssima vinha são suficientes para fornecer os materiais para a Eucaristia.

Foi por esta razão que, em Itália, há alguns anos, se pensou em entregar às crianças o cultivo de tais parcelas. Já se tinha feito isso numa escola de Barcelona. Para o efeito, foram separados dois campos, lado a lado, um para o trigo e outro para a vinha. Estes campos estavam rodeados de plantas floridas que davam flores em todas as estações, especialmente rosas em abundância.

A colheita do trigo e a vindima do vinho tornaram-se, então, grandes festas campestres, realizadas com as mais belas cerimónias.


Preparando a celebração da vindima. 1860. Ferdinand Georg Waldmuller
Preparando a celebração da vindima. 1860. Ferdinand Georg Waldmuller

A ideia de que as crianças são as mais aptas para cultivar os campos eucarísticos e para participar na preparação das hóstias e do vinho é apenas a última de muitas ideias devotas que os cristãos tiveram desde os tempos mais remotos.

Em tempos, eram as personagens mais ilustres e poderosas do reino, como as rainhas e os príncipes, que reservavam para si esta honra; um antigo escritor diz: “...Vi com os meus próprios olhos, Cândida, a mulher de Trajano, general comandante dos exércitos de Valério, passar toda a noite a moer o trigo e a fazer com as suas próprias mãos o pão da oblação....” A rainha Santa Radegunda, fazia o pão eucarístico e cozia-o durante a Quaresma.


Crianças recolhendo restos de colheita. 1883. Hans Andersen Brendekilde
Crianças recolhendo restos da colheita. 1883. Hans Andersen Brendekilde

No final do século IX, um cardeal recomendava aos diáconos, escolhidos para fazer os pães do altar, que se vestissem com os seus hábitos abençoados para este trabalho e que cantassem salmos enquanto o faziam.

Diz-se que, nalgumas partes de França, era costume escolher o trigo grão a grão; e a pessoa mais santa do distrito era escolhida para o levar ao moinho, vestida de branco, como numa cerimónia solene.

Até mesmo uma reverência pelos grãos de terra é relatada na história antiga. As pessoas costumavam deixar como herança pequenos terrenos que amavam, dedicando-os ao cultivo do trigo que forneceria “a hóstia pura, santa e inoxidável”.

É a fé que leva as pessoas a fazerem estas coisas: aqueles que estão imbuídos de fé mostram uma grande delicadeza de amor em todas as suas ações.


O Sacerdote

COMO VÊS, a terra alimenta o trigo e a vinha. O trigo e a videira crescem e fazem a substância material do pão e do vinho.

Sacerdote no altar. 1775-1849. Francois-Marius Granet
Sacerdote no altar. 1775-1849. Francois-Marius Granet

O homem cristão faz do trigo o pão eucarístico e dos cachos de uvas o vinho puro. Mas só há um tipo de homem, com mãos suficientemente sagradas e puras para oferecer o pão e o vinho. Só há um tipo de homem que pode erguer os olhos para o Céu, com o poder de dizer as palavras que Cristo ordenou que fossem ditas se Ele descesse entre nós, de acordo com a Sua promessa; só há um tipo de homem, e esse é um sacerdote.

Ele é o elo de ligação entre Deus e o homem, o instrumento para pôr a terra em contacto com o céu. Assim, não há apenas coisas sagradas, mas também pessoas sagradas.

Embora, em certo sentido, o seu ofício seja ligeiro - quase como o de uma mão que, à noite, liga a luz e ilumina brilhantemente uma sala -, é só ele que o pode fazer; é a ele que devemos aquele toque final que nos permite comunicar assim com Deus.

É ele que pode dizer: “Permite, Deus Todo-Poderoso, que o que está a ser feito por meio do Teu humilde ministro, possa ser realizado pelo Teu poder.” São apenas as mãos do sacerdote que podem tocar as Sagradas Espécies e distribuí-las a nós como o alimento espiritual instituído por Cristo.

«Porque a minha Carne é verdadeira comida e o meu Sangue, uma verdadeira bebida. Quem realmente come a minha Carne e bebe o Meu Sangue permanece em mim, e Eu nele.» - Jo 6, (55-56)

Olhemos para o sacerdote com reverência, amemo-lo com gratidão, nunca o esqueçamos nas nossas orações, porque ele deu a sua vida por nós. Também ele foi outrora uma criança como tu, e brincava irrefletidamente, mas o seu coração estava cheio de um grande amor por Jesus Cristo. Então, um dia, “ouviu o chamado” e soube o que ele significava. Nessa altura, não era sacerdote e talvez nem sequer soubesse que viria a sê-lo. Mas quando se sentiu chamado, soube o que significava, e deu a mesma resposta que Jesus deu ao Pai Eterno: «Seja feita a Tua vontade».

Se fosse apenas por causa desse chamado, deveríamos reverenciá-lo. Mas ele é ainda maior, porque resolveu responder-lhe e tornar-se virtuoso no seu coração. Resolveu ser fiel até ao fim; e foi feito sacerdote para toda a eternidade.

Foi com ele que Jesus Cristo, por intermédio da Igreja, Sua Esposa, celebrou um pacto divino, dizendo com efeito: “Quando repetirdes no Santo Altar as palavras que eu disse aos Apóstolos ao consagrar e oferecer o pão e o vinho, EU VIREI”. Olhai bem para ele: é a própria personificação da obediência. Não dirá uma palavra diferente da que lhe foi ordenada; cada movimento que faz foi-lhe determinado. As suas vestes e as suas cores foram-lhe prescritas. Ele pode dizer: “Não sou eu que vivo, mas Cristo, a quem represento”.


As Vestes Sagradas

O SACERDOTE que se prepara para celebrar a Missa, veste-se de acordo com as prescrições do rito.

Como um grande dignitário da coorte, que deve comparecer perante o rei, veste-se segundo a mais estrita etiqueta.

Quer sejam muito ricas ou muito simples, as vestes sagradas devem ser sempre dignas. As diferentes partes do traje completo, são sempre as mesmas, porque são ordenadas pela rubrica (notas em letra vermelha nos breviários ou missais). Ora, aqui, tal como no caso dos ornamentos usados no altar durante a Missa, é preciso distinguir entre o que é absolutamente indispensável e o que pode ser acrescentado como acessório.

Ninguém tem mais direito a usar roupas ricas, do que o sacerdote que celebra a Missa e, de facto, as vestes sagradas são por vezes feitas dos materiais mais magníficos, como a seda e o damasco dourado, e cobertas de bordados e pedras preciosas. Tecidos da mais extraordinária beleza são trabalhados por mãos amorosas no silêncio dos claustros para vestir o sacerdote de Deus.


Agora, tens de aprender os nomes dos diferentes paramentos. Eles vestem-se por cima das roupas habituais.

O sacerdote ou o monge não tira o seu hábito habitual, mas veste os paramentos por cima dele. Enquanto rezam a Missa, o sacerdote e o monge têm uma dignidade especial, para além da que já possuem como homens e, por isso, vestem por cima das suas roupas normais os paramentos que representam essa dignidade adicional.

O homem é menos que o sacerdote. Sob as magníficas vestes sacerdotais está o homem, que é apenas o servo de Deus. Este homem deve estar cheio de reverência para com a Missa que se prepara para celebrar e, enquanto se veste, deve estar recolhido e rezar. Faz uma oração especial com cada veste que veste, e fá-lo lentamente e com devoção.

Os paramentos que o sacerdote usa para celebrar a Missa, são feitos, e reproduzem as roupas que os leigos usavam antigamente. Mas, enquanto que os leigos mudam continuamente de acordo com a moda da época, os paramentos do sacerdote permaneceram sempre inalterados, exceto na forma, de modo que, agora os paramentos sagrados são absolutamente diferentes de todas as outras formas de vestir.

Além disso, devido ao seu objetivo elevado, as vestes sagradas passaram, pouco a pouco, a ter um significado simbólico, como se fossem uma armadura de defesa. O sacerdote representa o soldado de Cristo que se arma e vai para o combate, para vencer o mal com o bem e fazer triunfar, no mundo, o Reino de Cristo.


As vestes sagradas são de dois tipos: as vestes de linho e as vestes exteriores.

As vestes de linho são:


Amito

1. O amito

Trata-se de um pano de linho branco que, na antiguidade, servia para cobrir a cabeça, e que atualmente se usa à volta do pescoço e sobre os ombros. A palavra “amito” vem do latim e significa cobertura. É como um pequeno capuz. No seu significado místico, é o capacete da salvação, quase como aqueles capacetes de aço que os soldados colocam para proteger a cabeça.


Alba sacerdotal

2.  A Alba

É uma túnica de linho toda branca e muito larga, que cobre todo o corpo até aos pés, com mangas largas que chegam até aos pulsos, e representa a inocência que reveste a alma cristã pelos méritos de Cristo.


Cíngulo

3. O Cíngulo

É um longo cordão branco atado à cintura, que serve para envolver a túnica larga. É o símbolo da castidade.


Os paramentos que não são de linho, são todos feitos do mesmo material, num conjunto a condizer. São eles:


Manípulo

1. O Manípulo - É uma faixa que se usa à volta do braço esquerdo. É um símbolo da Paixão de Nosso Senhor.


Estola dourada com Cruz bordada, IHS e Coração de Jesus Cristo

2. A estola - É outra faixa semelhante ao manipulo, mas mais longa, usada ao redor do pescoço e cruzada sobre o peito. A estola é o símbolo da imortalidade.


Casula crua com a imagem do Sagrado Coração de Jesus

3. A Casula — Trata-se de uma grande veste exterior que, nos tempos antigos, caía em pregas majestosas e, posteriormente, foi sendo reduzida gradualmente até se tornar a cobertura rígida que frequentemente se vê hoje em dia. Esta veste representa o jugo de Cristo, o jugo suave da Sua lei do amor, que, no entanto, é marcado pela necessidade do sacrifício: a Cruz.


As Cores Litúrgicas

AS DIFERENTES CORES da casula (e, portanto, de todas as vestes e objetos do mesmo material que o sacerdote veste ou usa durante a celebração da missa) são determinadas pela Igreja, para as diferentes épocas e dias do ano, e são chamadas de cores litúrgicas.

Há uma cor especial para cada época festiva e para os dias festivos dos santos celebrados na missa diária. Mas o número de cores é limitado. São elas: Vermelho, a cor dos mártires; Branco, a cor da santidade; o vermelho também é a cor do Pentecostes e o branco é a cor do Natal. Quando a época é de tristeza ou penitência, como na Quaresma ou durante a Semana Santa, a cor é violeta. É preto, se a missa for oferecida por uma alma falecida. Nos dias em que não há nada de especial a comemorar, usa-se a cor verde. Normalmente, não são permitidas outras cores além destas cinco no altar, exceto ouro e prata.

Isto conclui a descrição das vestes sagradas utilizadas na celebração da missa.


Pano de Ombro Dourado com Bordado do Coração de Jesus

Quando é dada a bênção, como às vezes acontece após uma missa solene, verás o sacerdote colocar uma capa adicional sobre algumas das vestes descritas acima. Esta capa é geralmente um manto magnífico, semelhante aos que um rei usa quando se senta no seu trono.

Mas este manto — a capa — não é realmente para o sacerdote oficiante: ela é realmente destinada a vestir Cristo que reina no Sacramento. Sobre ela, o sacerdote usa o véu umeral, que é enrolado sobre os ombros e em torno das mãos.


Santíssimo Sacramento

O sacerdote torna-se muito pequeno e fica quase escondido por baixo desses revestimentos; ele serve apenas para os apoiar. O Rei está presente naquela Hóstia Sagrada, voltado para o seu povo fiel, e o sacerdote, como ministro de Deus, dá-lhes a sua bênção.


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