A Sagrada Família: Sinais em Jerusalém, Roma e outras cidades. - Parte XLVI
- Cláudia Pereira
- 1 de jan.
- 6 min de leitura
Visões da Beata Catarina Emmerick
A Beata Ana Catarina Emmerick (em alemão: Anna Katharina Emmerich), nasceu em 8 de setembro de 1774 em Coesfeld e faleceu em 09 de fevereiro de 1824 em Dülmen na Alemanha. Foi uma freira agostiniana, grande mística e estigmatizada, elevada aos altares pelo Papa São João Paulo II a 3 de outubro de 2004.
Parte XLVI - Sinais em Jerusalém, Roma e outras cidades

Sinais em Jerusalém, Roma e outras cidades
Vi que Santa Ana em Nazar; Santa Isabel em Juta; Noemi, a professora de Maria; a profetisa Ana e Simeão, no Templo — todos tiveram visões nessa noite, através das quais souberam do nascimento do Salvador. Vi o pequeno João Batista, perto de sua mãe, estava indizivelmente feliz. Todos eles viram e reconheceram Maria no meio daquelas visões, embora não soubessem onde o nascimento tinha ocorrido. Apenas Santa Ana sabia onde estava o recém-nascido; os outros, e até Santa Isabel, sabiam de Maria e viram-na na visão, mas nada sabiam sobre Belém.
Vi algo muito maravilhoso a acontecer no Templo de Jerusalém. Os escritos dos saduceus, foram mais de uma vez arremessados por uma força invisível dos armários onde estavam guardados, circunstância que gerou um temor inexplicável. O facto foi atribuído à feitiçaria, e grandes somas de dinheiro foram pagas para abafar o assunto.
Vi muitas coisas em Roma nessa noite. Quando Jesus nasceu, vi um bairro da cidade onde viviam muitos judeus: ali brotou uma fonte de azeite que maravilhou a todos os que a viram. E quando Jesus nasceu, uma magnífica estátua de Júpiter caiu violentamente do seu pedestal ficando em pedaços, pois o teto do templo desmoronou. Os pagãos ficaram aterrorizados. Foram oferecidos sacrifícios e outro ídolo, creio que Vénus, foi consultado sobre o que aquilo significava. O diabo foi obrigado a falar pela boca da estátua, e proclamou que tudo acontecera porque uma virgem solteira concebera e dera à luz um filho, sem deixar de ser virgem. Contou-lhes também o milagre do poço de azeite. No local onde brotou a fonte, foi erguida uma igreja dedicada à Virgem Maria, Mãe de Deus.
Vi que os sacerdotes pagãos estavam profundamente perplexos com todo o sucedido. Examinaram os seus escritos e descobriram a seguinte história: cerca de setenta anos antes, este ídolo (Júpiter) tinha sido grandemente venerado. Era magnificamente ornamentado com ouro e pedras preciosas, realizavam-se grandes cerimónias em sua honra e ofereciam-lhe numerosos sacrifícios. Mas havia em Roma, nessa época, uma mulher extraordinariamente piedosa que vivia dos seus próprios recursos. O seu nome era algo como Serena ou Cyrena e possuía alguns bens. Não sei ao certo se era judia ou não; mas ela tinha visões, proferia profecias e informava muitas pessoas sobre a causa da sua esterilidade.
Esta mulher tinha dito publicamente que não deveriam honrar o ídolo a um custo tão elevado, pois chegaria o dia em que o veriam cair em pedaços. Os sacerdotes fizeram-na comparecer e perguntaram quando é que essas coisas aconteceriam. Como ela não pôde determinar o tempo, foi presa e maltratada, até que Deus a fez saber que isso aconteceria quando uma Virgem puríssima desse à luz um Menino. Quando deu essa resposta, zombaram dela e libertaram-na, considerando-a louca. Somente quando o templo desmoronou, quebrando o ídolo, reconheceram que ela tinha dito a verdade, maravilhando-se com a época fixada e com o acontecimento, embora não soubessem que a Santíssima Virgem tinha sido a Mãe e ignoravam também o nascimento do Salvador.

Vi também que os cônsules romanos, se informaram sobre estes factos, assim como sobre a fonte que tinha brotado. Um deles chamava-se Lêntulo, amigo de São Pedro e antepassado do sacerdote mártir Moisés.
Nessa noite, vi o Imperador Augusto no Capitólio com outras pessoas, sobre uma colina de Roma, num dos lados onde ficava o templo, cujo teto tinha desmoronado. Havia uma escadaria que levava ao topo da colina onde havia uma porta dourada. Era um lugar onde se discutiam assuntos de interesse. Quando o imperador desceu da colina, viu à direita, acima dela, uma aparição no céu. Um arco-íris sobre o qual estavam sentados a Virgem e o Menino. Acho que o imperador foi o único que viu essa aparição. Para entender seu significado, ele fez consultas a um oráculo sobre o que tinha visto, recebeu a resposta: “Nasceu uma Criança, e diante d’Ele todos devemos adorar e prestar homenagem!” O imperador ergueu imediatamente um altar e ofereceu sacrifícios ao Filho da Virgem, como ao “Primogénito de Deus”. Entretanto, esqueci-me de outros detalhes desse evento.
Tive também uma visão do Egito muito para além de Matarea, Heliópolis e Mênfis. Havia naquela região um grande ídolo que costumava dar respostas a todo o tipo de perguntas. De repente, ficou mudo. O Faraó mandou fazer sacrifícios em todo o país, para saber por que razão se tinha silenciado. Então, o diabo, por ordem de Deus, foi obrigado a dizer: “Eu calei-me, devo dar lugar a outro. O Filho da Virgem nasceu, e será erguido aqui um templo em Sua honra”. Ao ouvir isto, o Faraó mandou construir um templo ali mesmo, perto do que havia antes em honra do ídolo. Não lembro de tudo o que aconteceu; só sei que o ídolo foi retirado e que foi erguido um templo à anunciada Virgem e ao seu Menino, sendo honrados à maneira deles.

Na época do nascimento de Jesus Cristo, vi uma aparição maravilhosa que se apresentou aos Reis Magos no seu país. Estes Magos eram observadores dos astros e tinham, sobre uma montanha, uma torre em forma de pirâmide, onde havia sempre um deles, com os sacerdotes, a observar o curso dos astros e das estrelas. Eles registravam as suas observações e comunicavam-nas uns aos outros por escrito.
Nessa noite, vi dois dos Reis Magos sobre a torre piramidal: Mensor e Seir. O terceiro, que habitava a leste do Mar Cáspio, chamava-se Teoceno, mas não estava presente. Havia uma certa constelação que contemplavam sempre, e cujas variações observavam. Nela, viam visões e figuras. Nessa noite também, tiveram diversas visões de diferentes tipos. Não era numa única estrela que viam estas visões, mas em várias que formavam uma figura, e parecia haver movimento nelas.
Viram a visão da lua, sobre a qual se erguia um belo arco-íris, no qual estava sentada uma Virgem. O braço esquerdo estava erguido numa postura sentada, o direito pendia um pouco mais baixo e repousava sobre a lua. À esquerda da Virgem, elevando-se acima do arco, havia uma videira, e à sua direita, um feixe de trigo. Diante da Virgem, um cálice semelhante ao utilizado na Última Ceia parecia emanar, da luz que dela emanava, porém com maior clareza e brilho. Do cálice vi sair o Menino, e acima dele, um disco luminoso parecido com uma hóstia vazia, da qual partiam raios semelhantes a espigas. Por isso, lembrei-me do Santíssimo Sacramento.
À direita da Virgem saiu um ramo, na extremidade do qual apareceu, semelhante a uma flor, uma igreja octogonal com uma grande porta dourada e duas portas laterais pequenas. Com a mão direita, a Virgem colocou a Criança e a hóstia na igreja que, entretanto, crescia cada vez mais, e na qual vi a Santíssima Trindade. Então, a igreja, transformou-se numa cidade brilhante, que me pareceu a Jerusalém celeste. Nesta cena, vi muitas coisas que se iam sucedendo e pareciam nascer umas das outras enquanto eu olhava para o interior da igreja, mas já não me lembro de que forma foram acontecendo. Teoceno, o terceiro Rei Mago, teve visões semelhantes na sua própria casa, ao mesmo tempo que os outros.
Sobre a cabeça da Virgem, sentada no arco, brilhava uma estrela, que subitamente surgiu do seu lugar e percorreu os céus diante dos Reis Magos. Era para eles uma voz, anunciando como nunca antes, que o Menino tão esperado por eles e pelos seus antepassados, tinha finalmente nascido na Judeia, e que deviam seguir aquela estrela.
Os Reis sentiram uma grande alegria. Nas noites que antecederam aquele dia abençoado, tinham visto, da sua torre, todo o tipo de visões nos céus: reis viajando ao encontro do Menino e prestando-lhe homenagem. Então, apressadamente, reuniram os seus tesouros e, com presentes e oferendas, iniciaram a viagem, pois não queriam ser os últimos. Vi os três encontrarem-se no caminho alguns dias depois.
Subscreva a nossa newsletter, para receber no seu e-mail os próximos artigos!
Comente - Partilhe - Faça parte do Manto de Maria
Que Deus vos proteja e abençoe por toda a eternidade.




Comentários