A Sagrada Família: O Anúncio aos Pastores. - Parte XLV
- Cláudia Pereira
- 31 de dez. de 2025
- 4 min de leitura
Visões da Beata Catarina Emmerick
A Beata Ana Catarina Emmerick (em alemão: Anna Katharina Emmerich), nasceu em 8 de setembro de 1774 em Coesfeld e faleceu em 09 de fevereiro de 1824 em Dülmen na Alemanha. Foi uma freira agostiniana, grande mística e estigmatizada, elevada aos altares pelo Papa São João Paulo II a 3 de outubro de 2004.
Parte XLV - O Anúncio aos Pastores

O Anúncio aos Pastores
Na noite do Nascimento, jorrou uma bela fonte na outra gruta que se encontrava à direita. A água secou, e no dia seguinte, José cavou-lhe um canal e formou uma fonte.
Naquelas visões que o próprio acontecimento gerou, e não a da festa da Igreja, não vi, de facto, uma alegria tão cintilante na natureza, como por vezes vejo no santo Natal. A alegria tem um significado interior, mas ainda assim, vi uma alegria extraordinária em muitos lugares, mesmo nas regiões mais distantes do mundo, algo de maravilhoso naquela meia-noite. Por causa disso, os bons encheram-se de anseios alegres e os corações dos perversos, de temor. Vi também muitos animais inferiores alegremente agitados. Vi fontes a jorrar e a transbordar, flores a desabrochar em muitos lugares, árvores e plantas a brotar com nova vida e todas a exalar a sua fragrância.
Em Belém havia neblina, e o céu brilhava com um brilho turvo e avermelhado. Em redor da gruta do Presépio e no vale da Gruta de Maraha, flutuavam nuvens brilhantes de orvalho refrescante.
A cerca de uma légua e meia da gruta de Belém, no vale dos pastores, havia uma colina onde começava uma série de vinhedos que se estendia até Gaza. Nas encostas da colina, estavam as cabanas de três pastores, chefes das famílias dos restantes pastores das imediações.
A uma distância dupla da gruta do Presépio, encontrava-se o que chamavam de torre dos pastores. Era uma grande estrutura piramidal, feita de madeira, com uma base de enormes blocos de rocha: estava rodeada de árvores verdes e erguia-se sobre uma colina isolada no meio de uma planície. Era rodeada por escadas; tinha galerias e torres pequenas, tudo coberto de esteiras. Tinha uma certa semelhança com as torres de madeira que vi no país dos Reis Magos, de onde observavam as estrelas. De longe, dava a impressão de um grande barco com muitos mastros e velas. Dessa torre, desfrutava-se de uma esplêndida vista de toda a região. Via-se Jerusalém e a montanha da tentação, no deserto de Jericó.

Os pastores, tinham ali homens que vigiavam os rebanhos, e avisavam os restantes tocando cornos de caça, caso houvesse alguma incursão de ladrões ou guerreiros. As famílias dos pastores habitavam esses lugares num raio de cerca de duas léguas. Tinham quintas isoladas, com jardins e prados. Reuniam-se junto à torre, onde guardavam os utensílios que tinham em comum. Ao longo da colina da torre, estavam as cabanas, e um pouco afastado destas, havia um grande abrigo com divisões onde habitavam as mulheres dos pastores guardiões: ali preparavam a comida. Vi que nessa noite, parte dos rebanhos estava perto da torre, parte no campo e o resto sob um abrigo perto da colina dos pastores.
No nascimento de Jesus Cristo, vi esses três pastores muito impressionados com o aspeto daquela noite tão maravilhosa; por isso, ficaram ao redor das suas cabanas, olhando para todos os lados. Então, viram maravilhados uma luz extraordinária sobre a gruta do Presépio. Vi que os pastores que estavam junto à torre ficaram agitados, subiram ao mirante dirigindo o olhar para a gruta. Enquanto os três pastores olhavam para aquele lado do céu, vi descer sobre eles uma nuvem luminosa, dentro da qual notei um movimento à medida que se aproximava.
Primeiro vi que formas vagas se delineavam, depois rostos, finalmente ouvi cânticos muito harmoniosos, muito alegres, cada vez mais claros. Quando os pastores ficaram assustados, apareceu um anjo diante deles, que lhes disse:
«Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura»
Enquanto o anjo dizia estas palavras, o resplendor ao seu redor aumentava cada vez mais. Vi cinco ou sete grandes figuras de anjos muito belos e luminosos. Eles levavam nas mãos uma espécie de estandarte longo, onde se viam letras do tamanho de uma palma e ouvi que louvavam a Deus cantando:
«Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados».
Mais tarde, os pastores junto à torre tiveram a mesma aparição. Alguns anjos também apareceram a outro grupo de pastores, perto de uma fonte, ao leste da torre, a cerca de três léguas de Belém. Não vi os pastores irem imediatamente à gruta da manjedoura, porque uns estavam a uma légua e meia de distância, e outros a três: vi-os, em vez disso, consultarem-se uns aos outros sobre o que levariam ao recém-nascido e a prepararem os presentes com toda a pressa. Chegaram à gruta do Presépio ao raiar da aurora.
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