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22.º Dia - O Sagrado Coração de Jesus dando-se a nós no Altar.

  • Cláudia Pereira
  • 24 de dez. de 2025
  • 11 min de leitura

Missa (A Elevação). 1870. Eugenio Lucas Velázquez
Missa (A Elevação). 1870. Eugenio Lucas Velázquez

As reflexões de Santo Afonso Maria de Ligório sobre o Sagrado Coração de Jesus, foram escritas principalmente entre 1740 e 1770, e espalhadas por diversas obras suas, sempre com o foco no amor redentor e compassivo de Jesus Cristo. A recolha destes textos, surgiu depois, organizada pelo Padre Saint-Omer, redentorista, que os compilou num livro intitulado "O Sagrado Coração de Jesus segundo Santo Afonso Maria de Ligório", em 1874. São estas, as meditações que lhe apresentamos; textualmente transcritas, adaptadas apenas ao acordo ortográfico de 2009, para melhor compreensão do conteúdo e da forma.

Nestes e nos próximos artigos, para além das meditações guiadas para cada um dos dias do mês de JunhoMês do Sagrado Coração de Jesus – poderá encontrar também orações vocais, que deverá juntar à sua oração mental. Se não estiver familiarizado com o método de fazer oração mental, consulte o nosso guia prático para fazer oração mental.

Deixe-se guiar pelo Espírito Santo, e una o seu coração ao Sagrado Coração de Jesus.



22.º dia do Mês do Sagrado Coração de Jesus

O Altar



Vamos ao Altar: aí encontraremos o Coração de Jesus dando-se a nós.

Assim como Jesus nasceu de Maria na lapa de Belém, assim nasce todos os dias sacramentalmente, entre as mãos do sacerdote, na Missa, no momento da consagração. Sim, pela virtude das palavras sagradas, o padre muda o pão e o vinho, no corpo e no sangue de Jesus Cristo; ela manda a Jesus vir do Céu sobre o altar, e este Coração manso e humilde (Mt 21, 29) obedece, sem nunca resistir. (Is 50, 5)

Assim então, o Sagrado Coração se encontra perpetuamente entre nós, segundo esta consoladora promessa do Senhor: Meus olhos e meu Coração estarão ali todos os dias; devemos isto ao santo sacrifício da Missa.

Ó sublimes mistérios, ó sacerdócio mil vezes bendito, vós é que nos dais no altar o Coração do nosso Deus! Como se explica este poder incomparável do sacerdócio?

Assim: Jesus Cristo, o sacerdote único e eterno, o sacerdote por excelência, encontra-se moralmente presente nos seus ministros, a fim de cumprir por meio deles as augustas funções sacerdotais.

Aí está, porque os santos, esquecendo de algum modo o que há de homem no sacerdote, para só verem nele Jesus Cristo, não temem chamar-lhe homem divino, e declarar que a sua dignidade é divina, infinita, suprema.

Partindo deste pensamento, São Bernardo diz que, Deus elevou o sacerdócio acima de Maria; e a razão que dá é a seguinte: Maria não concebeu Jesus Cristo, senão uma só vez, ao passo que o sacerdote, consagrando, concebe-o tantas vezes, para assim dizermos, quantas quer: e isto, de tal modo que, se a pessoa do Redentor não tivesse ainda existido no mundo, o sacerdote, pronunciando as palavras da consagração, produziria realmente a sublime pessoa do Homem Deus.

Daí esta bela exclamação de Santo Agostinho: Ó venerável dignidade dos sacerdotes, em cujas mãos o Filho de Deus se incarna como no seio da Virgem! Por isso é que, os sacerdotes são chamados pais de Jesus, como fala São Bernardo: Parentes Christi; de facto, eles são a causa ativa da existência de Jesus Cristo na hóstia consagrada. O sacerdote pode até ser chamado, nalgum sentido, de criador do seu Criador, pois que, pronunciando as palavras da consagração, ele “cria”, permitam-nos a expressão, Jesus Cristo sobre e altar, dando-lhe o ser sacramental e pondo-o em estado de vítima oferecida ao Pai eterno.

Deus, para criar o mundo, só teve que dizer uma palavra: Ipse dixit et facta sunt (Salmo 32(33), 8-9) da mesma forma, basta ao padre dizer sobre o pão: Hoc est corpus meum; e eis que não é mais pão: é o corpo do Salvador.

Assistindo á Missa, o fiel tem, pois, a mesma felicidade que teria se estivesse presente em Nazaré no momento da encarnação ou em Belém no momento do nascimento do Divino Salvador; e si ele é devoto do Sagrado Coração, tem a alegria de se ver na presença desse mesmo Coração, objeto das suas adorações, das suas piedosas homenagens e do seu amor, fonte de todos os bens que já possui e dos que espera no futuro!

Então, quando assistirmos á Missa, pensemos, no momento da consagração, que o anjo nos vem dizer, o que dizia outrora aos pastores de Belém: «Vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor» (Lc 2, 10-11) de coração armabilíssimo e amantíssimo.

Que festa é num reino no nascimento do primeiro filho do rei! Mas muito mais devemos nos regozijar, vendo nascer cada dia nas nossas igrejas, durante a Missa, o Filho de Deus, que vem nos visitar, urgido pelas entranhas de sua misericórdia, como dizia o santo profeta Zacarias (Lc 17, 78) isto é, urgido por seu misericordiosíssimo Coração.

É o bom Pastor que vem salvar suas ovelhas da morte, dando pela salvação delas a sua vida sacramental. É o Cordeiro de Deus, que se vem se imolar de novo, para nos obter a graça divina, para ser nosso libertador, nossa luz, e até nosso alimento.


Para fazer na prática

Esforçar-me-ei por assistir cada dia á santa Missa. Como poderia dizer que tenho fé viva, e especialmente que tenho grande amor ao Sagrado Coração, se desprezasse este ponto tão capital na devoção?


Afetos e Súplicas

Ó meu Jesus, que amorosa invenção a do santo sacrifício em que vos tornais presente sob as aparências do pão, para que os homens vos amem e encontrem quando quiserem! É com razão que o profeta os exortava a levantarem a voz e publicarem em todo o mundo a que extremo chegaram as invenções do amor que nos tem nosso Deus Salvador. (Is 12, 4)

Ó Coração amantíssimo do meu Jesus, digno de possuir todos os corações das criaturas, ó Coração todo cheio das chamas do mais puro amor, ó fogo ardente, consumi-me inteiramente, e dai-me vida nova, vida de amor e de graça. Uni-me de tal modo a vós, que não possa mais separar-me.

Ó Coração aberto para ser o refúgio das almas, recebei-me.

Ó Coração tão penetrado de dor sobre a cruz pelos pecados do mundo, dai-me verdadeira dor dos meus pecados. Sei, ó meu Salvador, que, nesse divino sacrifício, conservais os mesmos sentimentos de amor que tínheis ao morrerdes por mim na cruz; sei, por conseguinte, que tendes grande desejo de me unir inteiramente a vós: posso, então, tardar mais em me dar completamente a vosso amor e desejo?

Ah! Por vossos merecimentos, amadíssimo Jesus meu, feri-me, ligai-me, apertai-me, uni-me todo ao vosso Coração. Hoje proponho, com o auxílio da vossa graça, dar-vos toda a satisfação possível, calcar o respeito humano, minhas inclinações viciosas, minhas repugnâncias, meus prazeres, minhas comodidades, tudo o que poderia impedir-me de vos contentar plenamente; fazei, Senhor, que eu seja fiel a esta resolução, de forma a que, no futuro, todas as minhas ações, todos os meus pensamentos e afetos, sejam inteiramente conformes ao vosso beneplácito.

Ó amor de Deus, bani do meu coração todo outro amor.

Ó doce esperança da minha alma, ó Maria, tudo podeis junto de Deus: obtende-me a graça de ser, até à morte, servo fiel do Coração amantíssimo de Jesus.


Oração Jaculatória

  • Ó Coração de Jesus, antes morrer que viver privado de vosso amor!


Exemplo


Concílio de Nicéia no Salão Sistino, no Vaticano. 1590. Giovanni Guerra e Cesare Nebbia
Missa matinal. 1815-1905. Adolph Menzel

O Vigário de uma pequena cidade tinha notado que, desde há algum tempo, uma senhora da sua paróquia assistia regularmente, todos os dias, às duas Missas que se diziam, uma após outra, na sua igreja: que ela se aproximava mais vezes da santa mesa, e não deixava de fazer, pela tarde, uma visita ao Santíssimo Sacramento.

Surpreendido por este súbito fervor, desejou conhecer a causa dele. Eis aqui o que a piedosa senhora lhe contou, num dia em que se encontraram.

«Se vos parece, Senhor Cura, que tenho um pouco mais de amor e zelo para com Nosso Senhor no seu adorável Sacramento, devo esta graça, que chamo minha conversão, a um pobre artesão, a José, o hábil marceneiro que conheceis. Há três meses, num dia de festa, voltava eu tranquilamente para minha casa, depois da missa solene, quando esse bom operário, que tinha, alguns dias antes, trabalhado em nossa casa, passou junto de mim, voltando também da igreja. Seu aspeto era o de um homem feliz: «José, disse-lhe eu, pareceis estar muito contente?

- De facto, Senhora, respondeu ele, tive hoje imensa ventura, que me fez esquecer, ou antes sacrificar de bom grado o meu almoço.

- Que coisa então?

- Tive a felicidade de ouvir cinco Missas. Todos os domingos, como tenho tempo, faço consistir as minhas delícias em ir ás duas Missas; depois das sete horas vou almoçar, depois volto para a Missa cantada. Mas hoje, três padres estrangeiros disseram suas Missas sucessivamente após a primeira, e não pude deixar de ouvi-las, dando-me isto grande consolação! No domingo, desforro assim o que perco na semana por causa do trabalho. Nos outros dias posso apenas rogar ao meu bom anjo que assista às Missas por mim, e me uno em intenção ao santo sacrifício, quando oiço tocar o sino. Ah! Que felicidade se eu pudesse ir todos os dias! Quão feliz sois, senhora, de poderdes dispor do vosso tempo!»

Estas palavras tão simples do pio operário, fizeram em mim profunda impressão; foi como um raio de luz na minha alma. Confesso, para confusão minha, que eu nunca tinha refletido na grandeza e no valor inestimável da santa Missa, pois, de cada vez, Jesus desce realmente do Céu para renovar, por puro amor para connosco, o seu grande sacrifício da cruz. Em razão desta falta de espírito de fé, eu raras vezes ia á igreja, durante a semana, embora tivesse bastante tempo sem ser necessário deixar nenhuma das obrigações do meu estado. Nesse dia, pois, tomei a resolução de não faltar mais, sem motivo, á santa Missa, e esforçar-me por apreciar melhor este inefável benefício do nosso Deus, e melhor corresponder a este amor infinito do seu Sagrado Coração.»

(O Deus d'amor, 1867.)


Ladainha do Sagrado Coração de Jesus

Em 1899, o Papa Leão XIII aprovou esta Ladainha do Sagrado Coração de Jesus para uso público. A sua estrutura constitui, na verdade, uma síntese de várias outras litanias que remontam ao século XVII. A versão final, aprovada pela Sagrada Congregação para os Ritos, perfaz um total de 33 invocações ao Coração divino de Nosso Senhor, uma para cada ano de sua santíssima vida.

Quem recita devotamente esta oração lucra indulgências parciais (cf. Enchr. Indulg., conc. 22).


Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, tende piedade de nós.

Senhor, tende piedade de nós.


Jesus Cristo, ouvi-nos.

Jesus Cristo, atendei-nos.


Pai celeste, que sois Deus, tende piedade de nós.

Filho, Redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós.

Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós.

Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.


Coração de Jesus, Filho do Pai eterno, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, formado pelo Espírito Santo no seio da Virgem Mãe, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, unido substancialmente ao Verbo de Deus, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, de majestade infinita, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, templo santo de Deus, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, tabernáculo do Altíssimo, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, casa de Deus e porta do Céu, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, receptáculo de justiça e de amor, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, cheio de bondade e de amor, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, abismo de todas as virtudes, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, digníssimo de todo o louvor, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, Rei e centro de todos os corações, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, no qual estão todos os tesouros da sabedoria e ciência, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, no qual habita toda a plenitude da divindade, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, no qual o Pai põe todas as suas complacências, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, de cuja plenitude todos nós participamos, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, desejo das colinas eternas, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, paciente e de muita misericórdia, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, rico para todos os que Vos invocam, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, fonte de vida e santidade, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, propiciação pelos nossos pecados, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, saturado de opróbrios, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, esmagado de dor por causa dos nossos pecados, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, feito obediente até a morte, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, trespassado pela lança, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, fonte de toda consolação, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, nossa vida e ressurreição, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, nossa paz e reconciliação, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, vítima dos pecadores, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, salvação dos que esperam em Vós , tende piedade de nós.

Coração de Jesus, esperança dos que morrem em vós, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, delícias de todos os santos, tende piedade de nós.


Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós, Senhor.


V. Jesus, manso e humilde de coração,

R. Fazei o nosso coração semelhante ao vosso.


Oremos: Deus eterno e todo-poderoso, olhai para o Coração do Vosso diletíssimo Filho e para os louvores e satisfações que Ele, em nome dos pecadores, Vos tem tributado; e, deixando-Vos aplacar, perdoai aos que imploram a vossa misericórdia, em nome de Vosso mesmo Filho, Jesus Cristo, que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo. Amém.


Consagração ao Sagrado Coração de Jesus por Santa Margarida Maria Alacoque

Ó Sagrado Coração de Jesus, eu (dizer o seu nome)… dou-Vos e Vos consagro, a minha pessoa, a minha vida, as minhas ações, penas e sofrimentos, pois não quero servir-me de parte alguma do meu ser, senão para Vos honrar, amar e glorificar. É esta a minha vontade irrevogável: ser todo(a) Vosso(a) e fazer tudo por Vosso amor, renunciando de todo o meu coração, a tudo quanto Vos possa desagradar.

Ó Sagrado Coração de Jesus, sois o único objeto do meu amor, protetor da minha vida, segurança da minha salvação, remédio da minha fragilidade e da minha inconstância, reparador de todas as imperfeições da minha vida e o meu asilo seguro na hora da morte.

Ó Coração de bondade, sede a minha justiça diante de Deus, Vosso Pai, para que desvie de mim a Sua justa cólera.

Ó Coração de amor! Ponho toda a minha confiança em Vós, pois tudo temo da minha malícia e da minha fraqueza, mas tudo espero da Vossa bondade!

Destruí em mim, tudo que possa desagradar-Vos ou se oponha à Vossa vontade. Que o Vosso puro amor, seja tão profundamente impresso no meu coração, que eu jamais possa esquecer-Vos ou separar-me de Vós. Pela a Vossa bondade, suplico-Vos que o meu nome seja escrito no Vosso coração, pois quero que toda a minha felicidade e toda a minha glória, consistam em viver e morrer como Vosso escravo.

Amém.


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Mt 21, 29 - «Mas ele respondeu-lhe: ‘Não quero’. Depois, porém, arrependeu-se e foi.»

Is 50, 5 - «O Senhor Deus abriu-me os ouvidos e eu não resisti nem recuei um passo.»

Salmo 32(33), 8-9 - A terra inteira tema ao Senhor, reverenciem-n’O todos os habitantes do mundo, porque Ele disse e tudo foi feito, Ele mandou e tudo foi criado.

Lc 1, 78 - «… graças ao coração misericordioso do nosso Deus, que das alturas nos visita como sol nascente.»


Bibliografia:

“O Sagrado Coração de Jesus segundo Santo Affonso de Ligório ou Meditações para o Mez do Sagrado Coração, a Hora Santa e a Primeira Sexta-feira do Mez” - Collegidas das obras do Santo Doutor pelo Padre Saint-Omer, Redemptorista. - Traducção portugueza feita da 83.º edição pelo Exmo. Revdmo. Sr. D. Joaquim Silvério de Souza, arcebispo de Diamantina. - São Paulo – 5.º edição - com aprovação eclesiástica e dos superiores da ordem. RATISBONA - Typographia de Frederico Püstet - Impressor da Santa Sé - 1926.

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