24.º Dia - O Sagrado Coração de Jesus desejoso de nos unir ao seu apostolado.
- Cláudia Pereira
- há 3 dias
- 11 min de leitura
As reflexões de Santo Afonso Maria de Ligório sobre o Sagrado Coração de Jesus, foram escritas principalmente entre 1740 e 1770, e espalhadas por diversas obras suas, sempre com o foco no amor redentor e compassivo de Jesus Cristo. A recolha destes textos, surgiu depois, organizada pelo Padre Saint-Omer, redentorista, que os compilou num livro intitulado "O Sagrado Coração de Jesus segundo Santo Afonso Maria de Ligório", em 1874. São estas, as meditações que lhe apresentamos; textualmente transcritas, adaptadas apenas ao acordo ortográfico de 2009, para melhor compreensão do conteúdo e da forma.
Nestes e nos próximos artigos, para além das meditações guiadas para cada um dos dias do mês de Junho – Mês do Sagrado Coração de Jesus – poderá encontrar também orações vocais, que deverá juntar à sua oração mental. Se não estiver familiarizado com o método de fazer oração mental, consulte o nosso guia prático para fazer oração mental.
Deixe-se guiar pelo Espírito Santo, e una o seu coração ao Sagrado Coração de Jesus.
24.º dia do Mês do Sagrado Coração de Jesus
O Altar

Vamos ao Altar: aí encontraremos o Coração de Jesus desejoso de nos unir ao seu Apostolado.
O grande apostolado do Sagrado Coração de Jesus exerceu-se sobre a Cruz. A oferenda que então, ali fez a seu Pai, do seu corpo, do seu sangue, da sua vida e dos seus merecimentos, teve por efeito a salvação do mundo, e o cumprimento da obra tão necessária da Redenção.
Entretanto, não julguemos que este apostolado de redenção tenha terminado no Calvário; o Coração de Jesus exerce-o continuamente sobre os nossos altares por meio da Santa Missa. Para bem compreende-lo, é necessário recordar que o sacrifício do altar é o mesmo que foi oferecido na Cruz, com a diferença de que: na Cruz, o sangue de Jesus Cristo foi derramado realmente, ao passo que no altar é derramado misticamente.
Se estivésseis no Calvário no momento da morte do vosso Salvador, com que devoção e enternecimento, alma fiel, teríeis assistido a este grande sacrifício!
Pois bem! Reanimai a vossa fé, e pensai que, o que então se fez para a salvação das almas, se faz ainda agora na Santa Missa. Eis aqui, um grande motivo de consolação para vós: este apostolado redentor, podeis exerce-lo com Jesus. Porque o augusto sacrifício não é oferecido somente pelo sacerdote, mas também pelos fiéis, como claramente o insinuam São Pedro e São João; o primeiro na sua epístola, o segundo no Apocalipse.
Por tanto, cada vez que tendes a felicidade de vos encontrar diante da imolação do Cordeiro Divino, concorreis com ele na redenção do mundo, a sua ocupação de cada instante (Heb 7, 25). Para este fim, quando ouvirdes a Santa Missa, uni-vos às intenções do Seu adorável Coração. Ele oferecia-se sobre o Calvário, e ainda se oferece cada dia nos nossos altares, para expiar todos os pecados que se cometem continuamente na terra; porque só ele pode satisfazer a Justiça Divina.
Pois bem! Durante a Santa Missa, oferecei ao Pai Eterno o Sagrado Coração com todos os seus merecimentos, e assim dareis a Deus a satisfação completa por todos os pecados dos homens; fareis o que pode, mais eficazmente, aplacar a ira de Deus contra os pecadores e abater as forças do inferno, o que grangeia as graças mais abundantes para os homens na terra e os maiores alívios para as almas do purgatório! Enfim, executareis a obra de que depende a salvação do mundo inteiro. Por cada Santa Missa ouvida desta maneira, satisfareis a Justiça Divina pelas vossas faltas, de modo muito melhor que por outras obras expiatórias, quaisquer que sejam.
Ainda que a Missa seja de valor infinito, também é verdade que Deus não a aceita senão de maneira finita, segundo as disposições daquele que a ela assiste. Estas disposições, são como o vaso que cada um leva para receber os dons de Deus, e que o Senhor enche sempre: quanto maior é o vaso, tanto maior a abundancia das graças que se obtém; esta é a razão pela qual é útil ouvir muitas Santas Missas.
O celebre duque, Afonso de Albuquerque, atravessando os mares, viu um dia o seu navio despedaçar-se contra os escolhos. O grande homem, já se considerava perdido quando, percebendo que um menino chorava, toma-o nos seus braços, e, elevando-o para o Céu, exclama: «Se não mereço ser ouvido, ouvi ao menos os choros deste menino inocente, e salvai-nos.» No mesmo instante, a tempestade se acalma, e o perigo desaparece.
Levemos a sério trabalhar para a nossa salvação, contribuir para a salvação do próximo, e aproveitemos deste exemplo. Nós que temos ofendido a Deus, merecemos ser condenados à morte eterna.
A Justiça Divina quer ser satisfeita; que havemos de fazer? Desesperar? Não vamos prostrar-nos diante do trono da graça (Heb 4, 10), isto é, ao pé do altar onde o Sacerdote Eterno se sacrifica e ora por nós; ofereçamos a Deus o Coração amabilíssimo de Jesus que é Seu Filho. Oh! Com quanto interesse e eficácia este Divino Coração pleiteará a nossa causa!
Este meio de salvação, é-nos aconselhado por Santo Anselmo. Ele diz que, Jesus, mesmo urgido pelo desejo que tem de não nos ver abandonados rumo à nossa perdição, dirige-se da seguinte maneira a quem está culpado para com Deus: “Pecador, tranquiliza-te: se as tuas iniquidades te tornaram escravo do inferno, oferece-me a meu Pai; por este meio, escaparás á morte e serás salvo.” Pode-se ‒ acrescenta o Santo Doutor, ‒ pode-se imaginar maior misericórdia que a do Filho de Deus, dizendo ao homem: “Eis-me aqui, resgata-te!”
Para fazer na prática
Direi cada manhã, com os membros do apostolado da oração: “Divino Coração de Jesus, eu vos ofereço, pelo Coração Imaculado de Maria, todas as minhas orações, ações e padecimentos deste dia, em união com todas as intenções que tendes, imolando-vos sem cessar sobre nossos altares.” Depois disto, direi um Pai-Nosso, uma Avé-Maria, o Credo, e juntarei: “Divino Coração de Jesus, fazei que eu vos ame cada vez mais.” É tão belo salvar as almas! Ouvirei a Santa Missa em cada dia, nesta intenção.
Afetos e Súplicas
Pai celeste, eu, miserável pecador digno do inferno, nada tenho para vos oferecer em expiação dos meus pecados; mas, ofereço-vos o Coração inocente do Vosso Filho que se imola sobre nossos altares, e pelos seus merecimentos vos peço misericórdia. Se eu não tivesse este Divino Coração para vos oferecer, estaria perdido, não haveria mais esperança para mim; mas vós mo destes, para que eu possa esperar a minha salvação, pelos seus merecimentos.
Senhor, a minha ingratidão tem sido enorme, mas vossa misericórdia é ainda maior. E que maior misericórdia podia eu esperar de vós, do que a que me haveis feito, dando o vosso próprio Filho como vítima digna de vos ser oferecida, em expiação de meus pecados? Então, pelo amor de Jesus Cristo, perdoai as minhas iniquidades, concedei-me a santa perseverança.
Ah! Meu Deus, ainda se vos ofendesse, depois de me haverdes esperado com tanta paciência, depois de me haverdes perdoado com tanto amor, não mereceria que um inferno fosse criado de propósito para mim? Por piedade, meu Pai, não me abandoneis; tremo em pensar nas infidelidades de que me fiz culpado contra Vós: quantas vezes vos voltei as minhas costas, depois de vos ter prometido amar! Ó meu Criador, não permitais que eu tenha a desgraça de me ver de novo privado da vossa graça!
Não. Dir-Vos-ei com Santo Inácio: “Não permitais que eu me separe de vós; não permitais que eu me separe de vós.” Repito e quero repetir esta súplica até ao derradeiro suspiro da minha vida: “Não permitais que eu me separe de vós.”
Meu Jesus, Ó caro amor da minha alma, prendei-me ao Vosso Divino Coração pelas cadeias do vosso amor; eu Vos amo e quero amar-Vos eternamente: “Não permitais que eu me separe jamais de vós.”
Oração Jaculatória
Ó conquistador dos corações, reinai sobre os corações dos homens.
Exemplo

Santa Margarida de Cortona, essa alma tão ternamente amada do Coração de Jesus, depois que se converteu dos seus desvarios, um dia, desfazia-se em desejos de dar á Divina Majestade todas as homenagens que podia. O seu desejo era ter todos os corações das criaturas para corresponder ao amor que Deus lhe testemunhava; a sua maior ambição, ter as vidas de todos os homens para as sacrificar em expiação dos seus pecados.
De repente, uma voz interior lhe sugeriu que uma só Missa dava a Deus mais glória que tudo o resto; que por meio da Divina vítima sacrificada sobre os altares, honra infinita e digna de Deus lhe era apresentada; que por este meio ela podia render ao Senhor ação inapreciável de graças, como Ele merecia; e que, por este holocausto inestimável, ela lhe oferecia infinita satisfação, muito superior á que a sua justiça ultrajada poderia exigir de nós.
Margarida, reconhecendo pela luz da fé que tudo isto era verdadeiro, sentiu, por um lado, indizível consolação; e por outro lado, pôs todos os seus cuidados em se aproveitar dela, assistindo em cada dia, a quarenta Missas que se celebravam na igreja dos Frades Menores.
Nunca peregrino algum sentiu tanta alegria e foi penetrado de tanta devoção à vista dos veneráveis santuários do Oriente, como a nossa santa ao pé do augusto Sacramento do altar. Ela aí ficava, humilde e imóvel, o máximo tempo que podia. Parecia-lhe ouvir sempre este Deus Salvador dizer-lhe: “Vinde a mim, vós todos que sofreis e estais fatigados e eu vos alentarei.” Margarida, a Ele recorria nas suas penas; aos seus pés se consolava das suas amarguras; consultava-o nas suas dúvidas; implorava o seu socorro na aflição; e para melhor obtê-lo, tinha a intenção de lhe dar as honras, homenagens e adorações que Ele recebe de toda a corte celeste; pedia ao seu amado, que se unisse aos anjos para O honrar, e pedia-lhes para que a substituíssem neste dever diante dos santos tabernáculos, quando ela não pudesse. Mas a sua maior felicidade, era receber este divino hospede no seu coração.
Então, é que o Salvador a enriquecia com os seus dons mais excelentes, falava-lhe mais familiarmente, testemunhava-lhe mais amor, arrebatava-a nos mais sublimes êxtases. A lembrança das suas faltas enchia-a de temor exagerado quando ia comungar.
Um dia, o Divino Mestre, que se compraz em ver as almas chegar-se a Ele com o coração cheio de alegria e confiança, repreendeu-a fortemente, dizendo-lhe: «Estes excessos de arrependimento e sustos, ofendem a minha bondade. Basta que vos acuseis das vossas faltas na confissão; depois ficai em paz e comungai.»
Bela instrução para as almas piedosas, mas pusilânimes. Quinhentos anos depois da sua morte, o seu corpo foi encontrado sem corrupção, branco e odorífero, facto que se deve atribuir a este divino Sacramento, como Santo Tomás insinua nos seus escritos.
Ladainha do Sagrado Coração de Jesus
Em 1899, o Papa Leão XIII aprovou esta Ladainha do Sagrado Coração de Jesus para uso público. A sua estrutura constitui, na verdade, uma síntese de várias outras litanias que remontam ao século XVII. A versão final, aprovada pela Sagrada Congregação para os Ritos, perfaz um total de 33 invocações ao Coração divino de Nosso Senhor, uma para cada ano de sua santíssima vida.
Quem recita devotamente esta oração lucra indulgências parciais (cf. Enchr. Indulg., conc. 22).
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Pai celeste, que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho, Redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, Filho do Pai eterno, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, formado pelo Espírito Santo no seio da Virgem Mãe, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, unido substancialmente ao Verbo de Deus, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, de majestade infinita, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, templo santo de Deus, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, tabernáculo do Altíssimo, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, casa de Deus e porta do Céu, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, receptáculo de justiça e de amor, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, cheio de bondade e de amor, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, abismo de todas as virtudes, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, digníssimo de todo o louvor, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, Rei e centro de todos os corações, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, no qual estão todos os tesouros da sabedoria e ciência, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, no qual habita toda a plenitude da divindade, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, no qual o Pai põe todas as suas complacências, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, de cuja plenitude todos nós participamos, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, desejo das colinas eternas, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, paciente e de muita misericórdia, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, rico para todos os que Vos invocam, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, fonte de vida e santidade, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, propiciação pelos nossos pecados, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, saturado de opróbrios, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, esmagado de dor por causa dos nossos pecados, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, feito obediente até a morte, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, trespassado pela lança, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, fonte de toda consolação, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, nossa vida e ressurreição, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, nossa paz e reconciliação, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, vítima dos pecadores, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, salvação dos que esperam em Vós , tende piedade de nós.
Coração de Jesus, esperança dos que morrem em vós, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, delícias de todos os santos, tende piedade de nós.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós, Senhor.
V. Jesus, manso e humilde de coração,
R. Fazei o nosso coração semelhante ao vosso.
Oremos: Deus eterno e todo-poderoso, olhai para o Coração do Vosso diletíssimo Filho e para os louvores e satisfações que Ele, em nome dos pecadores, Vos tem tributado; e, deixando-Vos aplacar, perdoai aos que imploram a vossa misericórdia, em nome de Vosso mesmo Filho, Jesus Cristo, que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo. Amém.
Consagração ao Sagrado Coração de Jesus por Santa Margarida Maria Alacoque
Ó Sagrado Coração de Jesus, eu (dizer o seu nome)… dou-Vos e Vos consagro, a minha pessoa, a minha vida, as minhas ações, penas e sofrimentos, pois não quero servir-me de parte alguma do meu ser, senão para Vos honrar, amar e glorificar. É esta a minha vontade irrevogável: ser todo(a) Vosso(a) e fazer tudo por Vosso amor, renunciando de todo o meu coração, a tudo quanto Vos possa desagradar.
Ó Sagrado Coração de Jesus, sois o único objeto do meu amor, protetor da minha vida, segurança da minha salvação, remédio da minha fragilidade e da minha inconstância, reparador de todas as imperfeições da minha vida e o meu asilo seguro na hora da morte.
Ó Coração de bondade, sede a minha justiça diante de Deus, Vosso Pai, para que desvie de mim a Sua justa cólera.
Ó Coração de amor! Ponho toda a minha confiança em Vós, pois tudo temo da minha malícia e da minha fraqueza, mas tudo espero da Vossa bondade!
Destruí em mim, tudo que possa desagradar-Vos ou se oponha à Vossa vontade. Que o Vosso puro amor, seja tão profundamente impresso no meu coração, que eu jamais possa esquecer-Vos ou separar-me de Vós. Pela a Vossa bondade, suplico-Vos que o meu nome seja escrito no Vosso coração, pois quero que toda a minha felicidade e toda a minha glória, consistam em viver e morrer como Vosso escravo.
Amém.
1 Jo 2, 2
«Ele é a vítima de propiciação pelos nossos pecados, e não só pelos nossos, mas também pelos do mundo inteiro.»
Zc 9, 17
«Que magnificência! Que beleza! O trigo dará vigor aos jovens e o vinho novo às donzelas.»
Jo 16, 23
«Nesse dia, não Me fareis nenhuma pergunta. Em verdade, em verdade vos digo: Tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo dará.»
Bibliografia:
“O Sagrado Coração de Jesus segundo Santo Affonso de Ligório ou Meditações para o Mez do Sagrado Coração, a Hora Santa e a Primeira Sexta-feira do Mez” - Collegidas das obras do Santo Doutor pelo Padre Saint-Omer, Redemptorista. - Traducção portugueza feita da 83.º edição pelo Exmo. Revdmo. Sr. D. Joaquim Silvério de Souza, arcebispo de Diamantina. - São Paulo – 5.º edição - com aprovação eclesiástica e dos superiores da ordem. RATISBONA - Typographia de Frederico Püstet - Impressor da Santa Sé - 1926.
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