25.º Dia - O Sagrado Coração de Jesus desejoso de nos unir ao seu apostolado.
- Cláudia Pereira
- há 2 dias
- 13 min de leitura
As reflexões de Santo Afonso Maria de Ligório sobre o Sagrado Coração de Jesus, foram escritas principalmente entre 1740 e 1770, e espalhadas por diversas obras suas, sempre com o foco no amor redentor e compassivo de Jesus Cristo. A recolha destes textos, surgiu depois, organizada pelo Padre Saint-Omer, redentorista, que os compilou num livro intitulado "O Sagrado Coração de Jesus segundo Santo Afonso Maria de Ligório", em 1874. São estas, as meditações que lhe apresentamos; textualmente transcritas, adaptadas apenas ao acordo ortográfico de 2009, para melhor compreensão do conteúdo e da forma.
Nestes e nos próximos artigos, para além das meditações guiadas para cada um dos dias do mês de Junho – Mês do Sagrado Coração de Jesus – poderá encontrar também orações vocais, que deverá juntar à sua oração mental. Se não estiver familiarizado com o método de fazer oração mental, consulte o nosso guia prático para fazer oração mental.
Deixe-se guiar pelo Espírito Santo, e una o seu coração ao Sagrado Coração de Jesus.

25.º dia do Mês do Sagrado Coração de Jesus
O Tabernáculo
Aproximemo-nos do Tabernáculo: aí encontraremos o Coração de Jesus esperando de nós uma visita de reconhecimento.
Agradecer a Jesus Cristo o grande dom que ele fez aos homens, dando-lhes a Eucaristia, reparar as injurias que Ele recebe neste Sacramento, enfim, amá-lo, em compensação do culto que muitos deixam de lhe dar nas igrejas, tal é o tríplice fim para o qual o Salvador mesmo quis, que a Solenidade do seu Sagrado Coração fosse instituída.
Mas uma coisa é digna de ser notada: é que Ele prometeu derramar com abundância as riquezas do seu Coração sobre os que lhe tributassem esta tríplice homenagem, não somente no dia desta Solenidade, mas em todos os outros dias. E o que é necessário para merecer os efeitos desta promessa? É necessário visita-lo no Santíssimo Sacramento, nos três fins acima ditos. (1)
Que amor e ações de graças devemos ao Coração de Jesus, por ter instituído este adorável Sacramento! Sem esta amorosa invenção, quão triste seria o nosso desterro! A quem nos dirigiríamos nos males de que esta vida está cheia? Onde acharíamos um Coração tão bom para se compadecer das misérias de todos, tão poderoso para consolar todos os que implorassem o seu socorro! Jesus só pode dizer, e diz com efeito: «Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei» (Mt 11, 28). Ora, esta palavra, esta «boa palavra saída do bom tesouro do seu Coração» (Lc 6, 45), Ele no-la repete continuamente do fundo do seu tabernáculo.
Porque lá está, este Coração tão amável e tão amante? Está lá, esperando, chamando e acolhendo todos aqueles que o vêm visitar. «Os meus olhos e o meu coração aí ficarão eternamente» 1 Reis 9, 3c) Consoladora promessa, cujo cumprimento Jesus nos mostra no Sacramento do altar, onde
Ele está, noite e dia, por nós! Lembremo-nos aqui, do doloroso momento em que o Redentor disse adeus aos seus discípulos, antes de ir para a morte. Eles choravam, pensando que se deviam separar do seu querido Mestre; mas Jesus consolou-os com estas palavras, dirigidas também a todos os fieis: «Meus Filhos, eu vou morrer, para vos provar o amor que vos tenho; mas, ainda morrendo, não vos quero deixar sós; enquanto estiverdes sobre a terra, quero ficar convosco: Ecce ego vobiscum sum (Eis que Eu estou convosco). Eu vos deixo na Eucaristia o meu corpo, a minha alma, a minha divindade, e este Coração que tanto amor vos tem.»
Lá, está o Sagrado Coração de Jesus; mas por quanto tempo? Ah! É o Coração de um amigo fiel; Ele lá está dia e noite; lá estará até o fim do mundo: Usque ad consummationem saeculi, - «Até ao fim dos tempos» (Mt 28-20). Mas, ó Coração divino, para quê ficar nas nossas igrejas durante a noite, se se fecham as portas e ficais só? Era suficiente que ficásseis somente durante o dia. Não, responde Ele, quero ficar também de noite, sempre à espera, para que, de manhã, quem me procurar me encontre logo sem esperar.
A esposa sagrada ia procurando por toda parte o seu Amado, e perguntando àqueles que encontrava, se não o tinham visto: «Não vistes Aquele a quem minha alma consagra o seu amor?» Não o encontrando, erguia a voz e exclamava: «Ó meu Amado, fazei-me saber onde estais» (Ct 1, 6). Então, isto é, antes do nascimento do Salvador, a esposa, por mais que procurasse, não podia encontrar o esposo, porque não havia ainda o Santíssimo Sacramento; mas agora, desde que uma alma queira encontrar Jesus Cristo, basta-lhe ir a uma igreja onde repousa a divina Eucaristia, e aí, encontrará o seu Amado que a espera com o Coração inflamado e desejoso de a ver chegar-se junto dele.
Ele está lá! … Mas então, quem o retém entre nós? Quem o encadeia? É o amor que Ele nos tem. Porque o amor, diz Santo Agostinho, é uma cadeia de ouro.
São Pedro de Alcântara, em êxtase diante deste amor inefável, dizia: «Língua nenhuma poderia exprimir a grandeza do amor que Jesus Cristo tem a cada uma das almas que estão em graça; por isso, este terno Esposo, deixando a terra, não pôde sofrer que sua separação o fizesse esquecer a esposa querida, e deixou-lhe como lembrança este divino Sacramento, onde Ele mesmo reside. Este bom Salvador, para que sua esposa amicíssima se lembrasse sempre dele, não quis deixar outro penhor senão a sua divina Pessoa realmente presente na Eucaristia.»
O Coração de Jesus é assim, nosso cativo, como dizia Santa Teresa de Ávila; o tabernáculo é a sua prisão, e o amor é sua cadeia!
Para fazer na prática
Visitarei todos os dias o Santíssimo Sacramento, dizendo comigo: O Coração de Jesus faz consistir as suas delicias em estar comigo, e as minhas não serão estar junto do Coração de Jesus?!
Afetos e Súplicas
Senhor, muito nos tendes amado; não bastava ficardes neste augusto Sacramento durante o dia, quando podeis ter adoradores da vossa divina presença para vos fazer companhia? Que necessidade havia de ficardes ainda a noite toda, quando as igrejas estão fechadas e os homens se recolhem ás suas casas, deixando-vos inteiramente só?
Ah! Eu compreendo-vos: o amor tornou-vos nosso prisioneiro; o terno amor que nos tendes, enlaça o vosso Coração com prisões tão fortes, que não vos permite separar-vos de nós, nem de dia nem de noite.
Ah! Amabilíssimo Salvador, só este sinal da vossa afetuosa ternura, deveria obrigar todos os homens a ficarem continuamente em adoração diante do santo cibório, a ponto de não poderem ser arrancados daí senão à força; ainda assim, não deveriam separar-se senão, deixando ao pé do altar, todos os afetos dos seus corações para com este Deus feito homem, que se digna ficar só e encerrado num pequeno tabernáculo, todo olhos, para velar sobre as nossas necessidades e acudir a elas, e todo coração para nos amar, esperando o dia para receber a visita das suas queridas almas.
Sim, meu Jesus, quero satisfazer-vos; a vós consagro toda a minha vontade e todos os meus afetos. Tudo o que existe em mim, ó Redentor meu, tudo cedo ao vosso amor: tomai posse das minhas satisfações, prazeres, vontade, enfim, de tudo.
Ó amor, ó Deus de amor, reinai em mim, triunfai em todo o meu ser; destruí, sacrificai em mim tudo o que não é para vós.
Ó meu amor, não permitais que a minha alma se apegue ainda ás criaturas. Eu vos amo, meu Deus, eu vos amo, e não quero amar senão a vós para sempre.
Oração Jaculatória
Ó Maria, quão feliz sois por terdes tido o Coração perfeitamente conforme ao Coração de Jesus.
Exemplo

Um dia em que Nosso Senhor manifestava as riquezas do seu Coração a Santa Margarida Maria Alacoque, disse-lhe estas palavras, mostrando-lhe as chamas do seu Coração: «Eu tenho ardente sede de ser honrado pelos homens no Santíssimo Sacramento, e não acho quase ninguém que se esforce, como desejo, para matar a minha sede, usando para comigo de algum retorno.»
A Serva de Deus Marie-Eustelle Harpain, chamada com razão o Anjo da Eucaristia, morta em Saint-Pallais de Saintes, em 1840, foi uma dessas almas que não viveram senão, para consolar Jesus Cristo abandonado no santo tabernáculo. Ela exprime em suas cartas, sentimentos dignos dos Serafins: «Ó Santa Eucaristia!» - exclama ela, - «Ó Santa Eucaristia! Quanto me comprazo em repetir estas palavras! Quantas delicias experimento nisto!... No Sacramento adorável da Eucaristia é que se acha o amor! Nesta fonte sagrada, cujas águas correm até à vida eterna, é que devemos ir estancar a nossa sede; neste tabernáculo é que devemos ir buscar o Cordeiro imaculado, que só pode dar à nossa alma, a brancura da sua inocência primitiva. Pobre Jesus, Ele não é amado! Não é conhecido! Ó cegueira! Ó estupidez do homem! Quem me dera poder submeter todos os corações ao jugo do santo amor!... Ó Santa Eucaristia! Tu roubas-me, a mim mesmo; tu me transportas já na região celeste. Quanto eu te amo! Tu és as minhas delícias; tu fazes-me morrer para melhor reviver. Deixa-me expirar aos teus pés; a morte é lucro para mim.»
Quem não admirará esta linguagem numa pobre costureira que não conheceu outra escola que o Coração de Jesus ! Eis aqui o que ela escrevia ao seu diretor: «Eu vi este amável Salvador, há alguns dias, no ostensório, mostrando-me o seu Coração divino... Ó Jesus! Dai-me o vosso Espírito, dai-me o vosso Coração, dai-me o vosso amor!»
Ao pé do tabernáculo é que se aprende a ciência do amor! Esta magnifica palavra de Maria Eustella, indica-nos onde devemos ir para aprender a ciência de amar a Jesus Cristo, única ciência necessária.
Escutemos ainda uma vez mais, esta alma seráfica: «Ó Sacramento da Eucaristia, única ambição do meu coração, objeto de tudo o que penso, de tudo o que creio, de tudo o que quero, quem me dera fazer-vos conhecido! Querido bom Mestre, ó Jesus, é muito, é muito para este lugar de exílio! Parai um pouco essas delicias inefáveis. Ó meu celeste amigo, vós me encadeais de algum modo nesta terra estrangeira; mas, é ao pé dos vossos altares. Eucaristia! Ó doce coração da minha alma! Ó minha vida! Alma da minha vida! Eucaristia! Quão deliciosamente ressoa dentro de mim este nome.»
Ela terminava ordinariamente as suas cartas, com um convite de reunião no Coração de Jesus. Consolem-se as pessoas simples; se elas quiserem, podem lutar de amor com os Serafins!...
Ladainha do Sagrado Coração de Jesus
Em 1899, o Papa Leão XIII aprovou esta Ladainha do Sagrado Coração de Jesus para uso público. A sua estrutura constitui, na verdade, uma síntese de várias outras litanias que remontam ao século XVII. A versão final, aprovada pela Sagrada Congregação para os Ritos, perfaz um total de 33 invocações ao Coração divino de Nosso Senhor, uma para cada ano de sua santíssima vida.
Quem recita devotamente esta oração lucra indulgências parciais (cf. Enchr. Indulg., conc. 22).
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Pai celeste, que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho, Redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, Filho do Pai eterno, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, formado pelo Espírito Santo no seio da Virgem Mãe, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, unido substancialmente ao Verbo de Deus, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, de majestade infinita, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, templo santo de Deus, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, tabernáculo do Altíssimo, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, casa de Deus e porta do Céu, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, receptáculo de justiça e de amor, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, cheio de bondade e de amor, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, abismo de todas as virtudes, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, digníssimo de todo o louvor, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, Rei e centro de todos os corações, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, no qual estão todos os tesouros da sabedoria e ciência, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, no qual habita toda a plenitude da divindade, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, no qual o Pai põe todas as suas complacências, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, de cuja plenitude todos nós participamos, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, desejo das colinas eternas, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, paciente e de muita misericórdia, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, rico para todos os que Vos invocam, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, fonte de vida e santidade, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, propiciação pelos nossos pecados, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, saturado de opróbrios, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, esmagado de dor por causa dos nossos pecados, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, feito obediente até a morte, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, trespassado pela lança, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, fonte de toda consolação, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, nossa vida e ressurreição, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, nossa paz e reconciliação, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, vítima dos pecadores, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, salvação dos que esperam em Vós , tende piedade de nós.
Coração de Jesus, esperança dos que morrem em vós, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, delícias de todos os santos, tende piedade de nós.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós, Senhor.
V. Jesus, manso e humilde de coração,
R. Fazei o nosso coração semelhante ao vosso.
Oremos: Deus eterno e todo-poderoso, olhai para o Coração do Vosso diletíssimo Filho e para os louvores e satisfações que Ele, em nome dos pecadores, Vos tem tributado; e, deixando-Vos aplacar, perdoai aos que imploram a vossa misericórdia, em nome de Vosso mesmo Filho, Jesus Cristo, que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo. Amém.
Consagração ao Sagrado Coração de Jesus por Santa Margarida Maria Alacoque
Ó Sagrado Coração de Jesus, eu (dizer o seu nome)… dou-Vos e Vos consagro, a minha pessoa, a minha vida, as minhas ações, penas e sofrimentos, pois não quero servir-me de parte alguma do meu ser, senão para Vos honrar, amar e glorificar. É esta a minha vontade irrevogável: ser todo(a) Vosso(a) e fazer tudo por Vosso amor, renunciando de todo o meu coração, a tudo quanto Vos possa desagradar.
Ó Sagrado Coração de Jesus, sois o único objeto do meu amor, protetor da minha vida, segurança da minha salvação, remédio da minha fragilidade e da minha inconstância, reparador de todas as imperfeições da minha vida e o meu asilo seguro na hora da morte.
Ó Coração de bondade, sede a minha justiça diante de Deus, Vosso Pai, para que desvie de mim a Sua justa cólera.
Ó Coração de amor! Ponho toda a minha confiança em Vós, pois tudo temo da minha malícia e da minha fraqueza, mas tudo espero da Vossa bondade!
Destruí em mim, tudo que possa desagradar-Vos ou se oponha à Vossa vontade. Que o Vosso puro amor, seja tão profundamente impresso no meu coração, que eu jamais possa esquecer-Vos ou separar-me de Vós. Pela a Vossa bondade, suplico-Vos que o meu nome seja escrito no Vosso coração, pois quero que toda a minha felicidade e toda a minha glória, consistam em viver e morrer como Vosso escravo.
Amém.
(1)
Colocamos aqui três meditações correspondentes aos três fins da devoção ao Sagrado Coração. Estes fins encontram-se perfeitamente expressos na oração que se faz antes da visita, no livro seráfico intitulado: Visitas ao Santíssimo Sacramento.
Seja-nos permitido citar algumas palavras do Mons. Dechamps, arcebispo de Malines: «A visita ao Santíssimo Sacramento é a pratica de piedade que mais caracteriza a Devoção ao Sagrado Coração. Admira isto? Não é no Santíssimo Sacramento que Nosso Senhor Jesus Cristo está realmente presente sobre a terra? Não é no Santíssimo Sacramento que o seu coração arde de amor para connosco? Não é aí, principalmente, que este Coração adorável espera de nós amor por amor, reconhecimento e reparação?»
Foi o que bem compreendeu um dos mais fervorosos adoradores da Eucaristia, grande homem pela ciência e santidade, Santo Afonso de Ligório, quando publicou o seu livro Visitas ao Santíssimo Sacramento, livro de ouro, ou antes, livro de fogo, traduzido em todas as línguas, conhecido entre todos os povos, e tão espalhado por toda a parte, que para encontrá-lo basta querer.
Procurai então este livro, e vereis com consolação, que o sábio Doutor da Igreja o escreveu, para satisfazer o desejo manifestado por Nosso Senhor Jesus Cristo na revelação do seu Divino Coração.
Eis aqui, com efeito, as primeiras palavras da oração preparatória a cada uma das suas visitas ao Santíssimo Sacramento:
«Meu Senhor Jesus Cristo, que pelo amor aos homens, estais dia e noite neste Sacramento, cheio de piedade e amor, esperando, chamando e acolhendo todos aqueles que Vos vêm visitar; eu creio que estais presente no Sacramento do Altar.
Adoro-Vos do abismo do meu nada, e agradeço-Vos por todas as graças que me tendes feito, especialmente por Vos dares, a Vós mesmo, neste Sacramento. Por me dares por advogada a Vossa Mãe Maria Santíssima, e por me teres chamado a visitar-Vos nesta Igreja.
Saúdo agora o Vosso amantíssimo Coração, e pretendo saudá-lo por três motivos. Primeiro, em agradecimento por esta grande dádiva; segundo, para compensar-Vos de todas as injúrias que recebeis dos vossos inimigos, neste Sacramento; terceiro, pretendo com esta visita, adorar-Vos em todos os lugares da terra, onde sois menos reverenciado, e mais abandonado.
Meu Jesus, eu Vos amo com todo o coração, e arrependo-me de tantas vezes, no passado, ter desgostado a vossa bondade infinita. Proponho, com a Vossa graça, de agora em diante, não mais Vos ofender. E agora, miserável que sou, consagro-me todo a Vós, dou-Vos, e renuncio a toda a minha vontade, minhas afeições, meus desejos, e tudo o que possuo. De hoje em diante, fazei de mim e de tudo o que possuo, o que desejares. Só desejo e Vos peço, o Vosso santo amor, a perseverança final, e o cumprimento perfeito da Vossa vontade.
Recomendo-Vos as almas do Purgatório, especialmente as mais devotas do Santíssimo Sacramento e de Maria Santíssima. Recomendo-Vos ainda, todos os pobres pecadores.
Meu querido Salvador, por fim, uno todos os meus afetos com os afetos do Vosso amoroso Coração, para que assim unidos, os ofereçais ao Vosso Pai Eterno. Peço-Lhe em Vosso Nome, que pelo Vosso amor, os aceite e os conceda.»
Vedes, este ato de reconhecimento, amor e reparação, é justamente o que Nosso Senhor Jesus Cristo pede ás almas que o amam, quando se dignou revelar o culto que o seu Coração espera delas no Santíssimo Sacramento do altar.
Não tememos, pois, dizê-lo: ninguém mais poderosamente contribuiu para satisfazer o desejo do Sagrado Coração de Jesus, que o santo autor das Visitas ao Santíssimo Sacramento, pois não há livro de piedade mais espalhado do que este… Habituai-vos à visita quotidiana… (Mandamentos para a Quaresma de 1874)
Bibliografia:
“O Sagrado Coração de Jesus segundo Santo Affonso de Ligório ou Meditações para o Mez do Sagrado Coração, a Hora Santa e a Primeira Sexta-feira do Mez” - Collegidas das obras do Santo Doutor pelo Padre Saint-Omer, Redemptorista. - Traducção portugueza feita da 83.º edição pelo Exmo. Revdmo. Sr. D. Joaquim Silvério de Souza, arcebispo de Diamantina. - São Paulo – 5.º edição - com aprovação eclesiástica e dos superiores da ordem. RATISBONA - Typographia de Frederico Püstet - Impressor da Santa Sé - 1926.
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