Solenidade do Sagrado Coração de Jesus
- Cláudia Pereira
- há 9 horas
- 4 min de leitura

A Igreja Católica celebra a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus na sexta-feira da semana seguinte à Festa de Corpus Christi, visto que a Eucaristia/Corpus Christi nada mais é, que o próprio Coração Jesus, um Coração que cuida de nós.
Alguns místicos alemães da Idade Média - a Beata Matilde de Magdeburg (1212-1283), Santa Matilde de Hackeborn (1241-1298), Santa Gertrudes de Helfta (1256-1302) e o Beato dominicano Enrico Suso (1295 - 1366), já cultivavam a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, no entanto, foram as revelações que Santa Margarida Maria Alacoque (1647-1690), recebeu do Senhor, que mais contribuíram para uma maior difusão da devoção ao Sagrado Coração de Jesus.
Conversando com ela, Jesus pediu-lhe para «comungar, todas as primeiras sextas-feiras do mês», durante nove meses consecutivos e «prostrar-se no chão durante uma hora», na noite entre quinta e sexta-feira. Deste modo, nasceu a prática das Primeiras Nove Sextas-feiras e da Hora Santa de Adoração.
Solenidade do Sagrado Coração de Jesus
Numa quarta visão, Jesus pediu a Margarida que fosse instituída uma Festa em honra do Seu Sagrado Coração e orações em reparação às ofensas por Ele recebidas. Esta Festa passou a ser obrigatória em toda a Igreja, a partir de 1856, por ordem de Pio IX. Em 1995, São João Paulo II instituiu o “Dia Mundial de Oração pela Santificação do Clero”, para que o sacerdócio fosse protegido pelas mãos de Jesus, ou melhor, pelo seu Sagrado Coração, aberto a todos.
Santa Margarida Maria Alacoque
Santa Margarida Maria foi uma monja visitandina que viveu no séc. XVII e faleceu em 1690, com apenas 43 anos. Na infância, Margarida teve uma vida bastante comum, sem acontecimentos especiais. O pai morreu quando ela ainda era muito jovem, razão que levou sua a mãe morar com em casa de um irmão. Como tiveram de se mudar várias vezes e passaram necessidades, ambas sofreram várias humilhações. Depois de algum tempo, Margarida Maria finalmente conseguiu realizar o seu desejo de entrar para a ordem das visitandinas.
«Eis o Coração que tem amado tanto aos homens.»
Aos 26 anos, no dia da festa de São João Evangelista, quando estava recolhida diante do Santíssimo Sacramento, Margarida recebeu a graça de uma manifestação visível de Jesus. É interessante notar, que isto aconteceu no dia de São João Evangelista, o discípulo que reclinou a cabeça sobre o coração de Nosso Senhor na Última Ceia. Jesus deu a Santa Margarida Maria, monja de 26 anos, a graça de reclinar também a sua cabeça no seu Sagrado Coração. Assim começou uma série de manifestações de Jesus.
Dois anos depois, em 1675, na Oitava de Corpus Christi, Jesus apareceu-lhe, mostrando o Coração, semelhante à imagem conhecida por todos: Jesus Cristo com seu Coração exposto, do qual sai uma uma chama abrasadora de amor, mas também com um Coração coroado de espinhos, transpassado pela lança e encimado pela cruz. Ao mostrar seu Coração a Santa Margarida Maria, Nosso Senhor disse-lhe: «Eis o Coração que tem amado tanto aos homens, a ponto de nada poupar e até de exaurir-se e consumir-se para demonstrar-lhes o seu amor; e, em reconhecimento, não recebo senão ingratidão da maior parte deles».
Quando olharmos para uma imagem do Sagrado Coração de Jesus, a primeira coisa que precisamos entender, é que ela é uma tentativa de retratar, em imagem, a aparição de Jesus a Santa Margarida Maria. Ao apontar para seu Coração, Jesus está diz-nos que precisamos prestar atenção a duas coisas:
1) O amor: «Eis o Coração que tem amado tanto aos homens»;
2) O sofrimento do seu Coração, que só recebe ingratidão e desprezo de nós. Esta é a mensagem principal do Sagrado Coração de Jesus: «O Amor não é amado», como São Francisco de Assis repetia constantemente em lágrimas.
Embora Deus seja amor infinito, temos alguma dificuldade em compreender que Ele nos ama. Por isso é que Ele se fez homem, para, com uma alma humana, nos amar infinitamente.
O Amor fez-se carne e habitou entre nós; O Amor fez-se humano para nos amar com um amor e um Coração humanos, isto é, para que o amor divino pudesse existir numa alma humana , e assim entendêssemos melhor o quanto Deus nos quer.
Aqui está a realidade da primeira mensagem do Sagrado Coração de Jesus: nós precisamos crer no amor infinito com que somos amados. Com essa certeza de fé, a nossa reação não pode mais ser de indiferença e ingratidão. Se somos indiferentes e ingratos, é porque não temos fé suficiente, ainda não acolhamos a primeira parte da mensagem.
O Sagrado Coração de Jesus no Santíssimo Sacramento
Se vamos ao sacrário visitar Jesus no Santíssimo Sacramento e o fazemos com frieza e indiferença, como se estivéssemos diante de um objeto inanimado, como se o sacrário fosse um armário, não temos a fé necessária para saber que está ali uma Pessoa divina que, com vida também humana, ama a cada um de nós em labaredas de amor. No Santíssimo Sacramento está Deus feito homem, vivo e amoroso, mostrando o seu Coração. Ele quer que, como São João, reclinemos a nossa cabeça no seu peito para dizer: “Jesus, eu reconheço o Vosso amor, eu quero amar-Vos de volta”.
Peçamos a Nosso Senhor, que nos dê a graça de sermos curados de toda indiferença e ingratidão por meio de uma fé verdadeira, firme e inabalável, a fim de que brote dentro de nós uma prontidão, uma devoção para corresponder ao amor de Nosso Senhor Jesus Cristo.
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Que Deus vos proteja e abençoe por toda a eternidade.




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