Festa do Batismo do Senhor - Ano A
- Cláudia Pereira
- 10 de jan.
- 3 min de leitura
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo, Jesus chegou da Galileia e veio ter com João Batista ao Jordão, para ser batizado por ele. Mas João opunha-se, dizendo: «Eu é que preciso de ser batizado por Ti e Tu vens ter comigo?». Jesus respondeu-lhe: «Deixa por agora; convém que assim cumpramos toda a justiça». João deixou então que Ele Se aproximasse. Logo que Jesus foi batizado, saiu da água. Então, abriram-se os céus e Jesus viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e pousar sobre Ele. E uma voz vinda do céu dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência».

Festa do Batismo do senhor
Celebramos a Festa do Batismo do Senhor. E o evangelho deste ano (Mt 3, 13-17), dedicado ao evangelista São Mateus, narra o Batismo de Jesus com uma peculiaridade um pouco diferente dos outros evangelistas.
Em primeiro lugar, coloca-nos diante do grande problema teológico: Como é possível que o Cristo, sendo Ele santo, o santo de Deus, queira ser batizado por São João Batista, num batismo de penitência?
São Mateus realça este diálogo entre Jesus e São João Batista, em que São João Batista fica indignado, e protesta:
«Eu é que preciso de ser batizado por Ti e Tu vens ter comigo?»
É nesse momento que Jesus lhe diz:
«Deixa por agora; convém que assim cumpramos toda a justiça.»
O que é esta justiça da qual Jesus fala?
Joseph Ratzinger, ou seja, o papa Bento XVI, no seu livro "Jesus de Nazaré", fez um comentário ao batismo do Senhor, onde nos diz que, naquele diálogo já vislumbramos o mistério da salvação, o mistério da cruz.

O que é o mistério da cruz?
Nosso Senhor Jesus Cristo, toma sobre si os nossos pecados. Ao entrar na fila com os pecadores para ser batizado por São João Batista, Jesus está a colocar-se numa posição de pecador, exatamente porque, sendo solidário connosco pecadores, Ele quer tomar sobre si as nossas dores e o peso dos nossos pecados. E é aqui que acontece a justiça, ou seja, esta união de Jesus connosco, que faz com que nós sejamos purificados.
Existem outras várias situações e episódios no evangelho, em que Jesus entra em contato com pessoas impuras ou que estão muito abaixo da sua condição divina, por exemplo, quando Jesus é tocado por um leproso. Se as outras pessoas fossem tocadas por um leproso, uma realidade impura ficariam contaminadas, mas com Jesus acontece exatamente ao contrário: Ele santifica tudo em que toca. Jesus, ao tocar no leproso, não se contamina, mas purifica.
Assim também acontece connosco. Jesus, ao entrar em contacto com os pecados e os pecadores, não se contamina, não se torna um pecador; mas como Salvador, faz a justiça, ou seja, santifica. É aqui que nós vemos que, com o Cristo, acontece sempre o contrário daquilo que acontece connosco.

Quando nós fomos batizados, as águas do batismo santificaram-nos; quando Cristo foi batizado, foi Ele quem santificou as águas do batismo. Quando nós entramos em contato com o pecado, somos nós a sermos contaminados; quando Cristo entra em contato com os pecados dos pecadores, é Ele que salva e purifica.
Esta manifestação de Deus salvador e grandioso na sua misericórdia, também realiza em nós esta justiça. Quando nos confessamos arrependidos dos nossos pecados, estamos a renovar o nosso batismo, e a receber a justiça, entrando em contato com Jesus Salvador, Aquele que realiza a santidade em nós.
Bibliografia: Festa do Batismo do Senhor. in Homilia Diária de 9 Jan 2017 de Padre Paulo Ricardo
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Que Deus vos proteja e abençoe por toda a eternidade.




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