9.ª Hora da Paixão: Jesus, atirado de um penhasco, cai no ribeiro Cédron.
- Cláudia Pereira
- há 6 dias
- 7 min de leitura
Oração antes de cada Hora
Ó meu Senhor Jesus Cristo, prostrado na tua presença divina, suplico ao Teu amorosíssimo Coração que me admita à dolorosa meditação das 24 Horas da Tua Paixão, durante as quais, por nosso amor, tanto sofreste no Teu corpo adorável e na Tua alma santíssima, até à morte de cruz. Ajuda-me e dá-me graça, amor, profunda compaixão e compreensão dos Teus sofrimentos, enquanto agora medito a nona Hora.
E por aquelas Horas que não posso meditar, ofereço-Te a vontade e o desejo que tenho de as meditar em todas as horas que sou obrigado a aplicar-me aos meus deveres ou a dormir.
Ó misericordioso Senhor, aceita a minha amorosa intenção e faz com que seja de proveito para mim e para todos, como se realmente e santamente fizesse quanto eu desejaria praticar.
Entretanto dou-Te graças, ó meu Jesus, que por meio da oração me chamas à união contigo e, para Te agradar ainda mais, tomo os Teus pensamentos, a Tua língua, o Teu Coração e com eles pretendo rezar, fundindo-me inteiramente na Tua Vontade e no Teu Amor e, estendendo os braços para Te abraçar apoio a minha cabeça no Teu Coração e começo.
9.ª Hora da Paixão: Jesus, atirado de um penhasco, cai no ribeiro Cédron. - Da 1 às 2 da madrugada.
Memória dos Escritos de Luísa: 12 de Janeiro de 1913, Vol. 11
Comecei a pensar no momento em que o meu amável Jesus foi lançado na torrente do Cédron, pelos Seus inimigos. O bendito Jesus fazia-se ver num estado que metia dó, todo molhado por aquelas águas sujas, e disse-me: «Minha filha, ao criar a alma cobri-a com um manto de luz e de beleza; o pecado tira esse manto de luz e de beleza e coloca um manto de trevas e sujidade, tornando-a suja e nauseante. E Eu, para tirar esse manto tão sujo, que o pecado coloca à alma, permiti que os judeus Me lançassem nesta torrente, a qual Me cobriu todo por dentro e por fora, porque aquelas águas sujas entraram-Me nos ouvidos, no nariz, na boca, de tal forma que os judeus tinham nojo de Me tocarem. Ah, quanto Me custou o amor das criaturas, custou-Me tanto, ao ponto de Eu ter repugnância de Mim!»
MEDITAÇÃO

Meu Amado, a minha pobre mente, entre a vigília e o sono, segue-te. Como posso entregar-me ao sono, se vejo que todos te abandonam e fogem de ti? Os próprios apóstolos, o fervoroso Pedro, que há pouco disse querer dar a vida por ti, o discípulo predileto que com tanto amor fizeste repousar sobre o teu coração, ah, todos te abandonam e te deixam à mercê dos teus cruéis inimigos!
Meu Jesus, estás sozinho. Os teus olhos puríssimos olham à tua volta para ver se pelo menos um dos teus beneficiados te segue para te demonstrar o seu amor e para te defender. E enquanto vês que ninguém, ninguém te permaneceu fiel, o teu coração aperta-se e desatas a chorar copiosamente, sentindo mais dor pelo abandono dos teus mais fiéis do que pelo que os teus próprios inimigos te estão a fazer.
Meu Jesus, não chores, ou melhor, faz com que eu chore contigo. E o amável Jesus parece dizer-me: «Ah, filha! Choremos juntos o destino de tantas almas a mim consagradas que, por pequenas provações, por incidentes da vida, já não cuidam de mim e me deixam sozinho; por tantas outras, tímidas e covardes, que, por falta de coragem e de confiança, me abandonam; por tantos e tantos que, não encontrando o seu interesse nas coisas sagradas, não se importam comigo; por tantos sacerdotes que pregam, que celebram, que confessam por amor ao interesse e à própria glória. Estes fazem ver que estão à minha volta, mas Eu permaneço sempre sozinho. Ah, filha, quão duro é para mim este abandono! Não só os meus olhos choram, mas o meu coração sangra. Por favor! Peço-te que repares a minha amarga dor, prometendo-me que nunca me deixarás sozinho».
Sim, ó meu Jesus, prometo-o, com a ajuda da tua graça e na firmeza da tua Divina Vontade.
Mas, enquanto, ó Jesus, choras o abandono dos teus entes queridos, os inimigos não te poupam de nenhum ultraje que te possam infligir. Apertado e amarrado como estás, ó meu Bem, a tal ponto que nem sequer podes dar um passo por ti próprio, pisam-te, arrastam-te por aquelas ruas cheias de pedras e espinhos, de modo que, não há movimento que não te faça bater nas pedras e ser picado pelos espinhos.
Ah, meu Jesus! Vejo que, enquanto te arrastam, deixas para trás o teu precioso sangue e os cabelos loiros que te arrancam da cabeça. Minha Vida e meu Tudo, permite-me recolhê-los, para que eu possa amarrar todos os passos das criaturas, que nem mesmo à noite te poupam, antes se servem da noite para te ofender ainda mais: uns por encontros, outros por prazeres, outros por teatros, outros para cometer roubos sacrílegos. Meu Jesus, uno-me a ti para reparar todas estas ofensas.
Mas, ó meu Jesus, já estamos junto ao ribeiro Cédron, e os judeus pérfidos atiram-Te para dentro, fazem-Te chocar contra uma pedra que ali se encontra, com tal ímpeto, que Te fazem derramar pela boca sangue preciosíssimo, com o qual marcaste aquela pedra. Depois, puxando-te, empurram-te para o fundo daquelas águas pútridas, de modo que elas te entram nos ouvidos, na boca, nas narinas.
Ó Amor inatingível! Ficas inundado e como envolto por aquelas águas pútridas, nauseantes e frias, e neste estado representas-me vividamente o estado lamentável das criaturas quando cometem o pecado. Oh, como ficam cobertas, por dentro e por fora, por um manto de imundície, a causar repulsa ao céu e a quem quer que as veja, atraindo assim os relâmpagos da justiça divina!
Ó, Vida da minha vida! Pode haver amor maior? Para nos livrar deste manto de imundície, permites que os inimigos te arrastem para este torrente, e tudo isto para reparar os sacrilégios e a frieza das almas que te recebem sacrilegamente e que te obrigam, mais do que a corrente, a entrar nos seus corações e a sentir toda a repugnância deles. Permites ainda que estas águas te penetrem até às entranhas, de tal forma que os inimigos, temendo que te afogasses, para te reservarem maiores tormentos, te puxam para cima. Mas causas tanto nojo que eles próprios sentem repulsa ao tocar-te.
Meu terno Jesus, já estás fora do rio. O meu coração não suporta ver-te assim encharcado por estas águas repugnantes. Vejo que tremes da cabeça aos pés de frio. Olhas à tua volta, procurando com os olhos o que não consegues com a voz: pelo menos alguém que te seque, te limpe e te aqueça, mas em vão. Ninguém se compadece de ti: os inimigos zombam de ti e ridicularizam-te, os teus abandonaram-te, a doce Mãe está longe porque assim o Pai dispõe.
Aqui estou, ó Jesus: vem para os meus braços. Tenho tanta vontade de chorar que gostaria de formar uma banheira para te lavar, limpar e arranjar-te com as minhas mãos o teu cabelo todo despenteado.
Meu Amor, quero fechar-te no meu coração para te aquecer com o calor do meu afeto, quero perfumar-te com os meus desejos santos, quero reparar todas estas ofensas e unir a minha vida à tua para salvar todas as almas. O meu coração, quero oferecê-lo como lugar de descanso, para poder, de alguma forma, reconfortar-te das dores sofridas até agora, e depois retomaremos juntos o caminho da tua paixão.
REFLEXÕES PRÁTICAS
Nesta hora, Jesus entregou-se à mercê dos seus inimigos, que chegaram ao ponto de o atirar para o ribeiro de Cédron; mas o amoroso Jesus olhava para todos com amor, suportando tudo por amor a eles.
E nós, entregamo-nos à mercê da Vontade de Deus?
Nas nossas fraquezas e quedas, estamos prontos a levantar-nos para nos lançarmos nos braços de Jesus?
O atormentado Jesus foi lançado no ribeiro de Cédron, sentindo sufoco, náusea e repulsa.
E nós, abominamos qualquer mancha e sombra de pecado?
Estamos dispostos a dar as boas-vindas a Jesus no nosso coração, para que não sinta a náusea que as outras almas Lhe causam com o pecado, e para compensá-lo pela que tantas vezes Lhe causámos nós próprios?
Meu atormentado Jesus, não me poupes em nada, e faz com que eu possa ser objeto dos teus desígnios divinos e amorosos.
Oração de agradecimento depois de cada Hora.
Meu Jesus, Tu chamaste-me nesta Hora da Tua Paixão a fazer-Te companhia e eu vim. Parecia-me que Te ouvia, angustiado e sofredor, a pedir, a reparar e a sofrer, e com as vozes mais comovedoras e eloquentes pedir a salvação das almas.
Procurei seguir-Te em tudo e agora, tendo de Te deixar para me dedicar às minhas ocupações habituais, sinto o dever de Te dizer “obrigado”, e “bendigo-Te”.
Sim, ó Jesus, repito-Te “obrigado” milhares de vezes e “bendigo-Te” por tudo o que fizeste e sofreste por mim e por todos. “Obrigado” e “bendigo-Te” por cada gota de Sangue que derramaste, por cada respiro, palpitação, passo, palavra, olhar, amargura e ofensa que suportaste. Por tudo, ó meu Jesus, Te digo um “obrigado” e um “bendigo-Te”.
Ó Jesus, faz com que de todo o meu ser brote uma corrente contínua de gratidão e de bênçãos, de forma a atrair sobre mim e sobre todos a corrente das Tuas bênçãos e graças. Ó Jesus, aperta-me ao Teu Coração e com as Tuas mãos santíssimas marca cada partícula do meu ser com o Teu “bendigo-Te”, para que de mim brote um hino contínuo de louvor a Ti.
Hora da Paixão Jesus, atirado de um penhasco, cai no ribeiro Cédron
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Que Deus vos proteja e abençoe por toda a eternidade.




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