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7.ª Hora da Paixão: A Terceira hora de agonia no Horto do Getsémani.

  • Cláudia Pereira
  • 22 de mai.
  • 21 min de leitura

Oração antes de cada Hora

Ó meu Senhor Jesus Cristo, prostrado na tua presença divina, suplico ao Teu amorosíssimo Coração que me admita à dolorosa meditação das 24 Horas da Tua Paixão, durante as quais, por nosso amor, tanto sofreste no Teu corpo adorável e na Tua alma santíssima, até à morte de cruz. Ajuda-me e dá-me graça, amor, profunda compaixão e compreensão dos Teus sofrimentos, enquanto agora medito a sétima Hora.

E por aquelas Horas que não posso meditar, ofereço-Te a vontade e o desejo que tenho de as meditar em todas as horas que sou obrigado a aplicar-me aos meus deveres ou a dormir.

Ó misericordioso Senhor, aceita a minha amorosa intenção e faz com que seja de proveito para mim e para todos, como se realmente e santamente fizesse quanto eu desejaria praticar.

Entretanto dou-Te graças, ó meu Jesus, que por meio da oração me chamas à união contigo e, para Te agradar ainda mais, tomo os Teus pensamentos, a Tua língua, o Teu Coração e com eles pretendo rezar, fundindo-me inteiramente na Tua Vontade e no Teu Amor e, estendendo os braços para Te abraçar apoio a minha cabeça no Teu Coração e começo.


7.ª Hora da Paixão: A Terceira hora de agonia no Horto do Getsémani. - Das 11 horas da noite à meia-noite.


Oração de Preparação para antes de cada hora de agonia no Horto do Getsémani

Ó meu Jesus, Divino Redentor! Leva-me contigo, juntamente com os Teus três queridos Apóstolos, para assistir à Tua agonia no Horto das Oliveiras. Advertida pela doce repreensão que dirigiste a Pedro e aos outros dois discípulos adormecidos, quero vigiar pelo menos uma hora contigo no Getsémani; quero sentir pelo menos uma dilaceração no Teu coração agonizante, um sopro da Tua respiração ofegante. Quero fixar o meu olhar no Teu rosto divino e contemplar como Ele empalidece, como se perturba, como se agita, como se curva até ao pó.

Já vejo, ó meu Jesus sofredor, como a Tua pessoa vacila e cai, ora de um lado, ora do outro, como as Tuas mãos amorosas e rígidas se entrelaçam. Começo a ouvir os gemidos, os gritos de amor e de dor incompreensível que elevas ao céu. Ó meu Jesus, agonizante no sombrio Horto do Getsémani, faz com que corra sobre mim, nesta hora em que Te farei companhia, um riacho, um jato daquele sangue adorável que corre como torrentes de todos os Teus adoráveis membros. Ó, banho preciosíssimo do meu Sumo Bem que por mim agoniza! Por favor! Que eu o sugue, o beba até à última gota, e contigo sorva e beba pelo menos um gole do cálice amargo do Amado, e sinta dentro de mim as dores do Seu coração divino, ou melhor, sinta o meu coração partir-se pelo arrependimento de ter ofendido o meu Senhor, que por mim se reduz à agonia da morte.

Ah, meu Jesus! Dá-me a graça, dá-me a força para sofrer, suspirar e chorar contigo, pelo menos uma única hora no Horto das Oliveiras!

Ó Mãe Maria Dolorosa, faz-me sentir a compaixão do Teu coração traspassado por Jesus agonizante no Getsémani. Assim seja.


Memória dos Escritos de Luísa: 19 de Novembro de 1921, Vol. 13

«Minha filha, a Minha agonia no Horto foi dura e penosa, talvez mais penosa do que aquela da Cruz, porque se esta foi cumprimento e triunfo sobre todos, no Horto foi o princípio, e os males sentem-se mais antes, que quando acabam. Nesta agonia, a pena mais dilacerante foi ver diante de Mim, um a um, todos os pecados, a Minha Humanidade ter compreendido toda a sua enormidade e ver que cada delito, trazia o selo “morte a um Deus”, armado de espada para Me matar. Na presença da Divindade a culpa parecia-Me tão horrenda e mais horrível que a própria morte; só ao compreender o que significa pecado, Eu sentia-Me morrer e morria de verdade.»


A Agonia de Jesus no Horto Getsémani. 1884-1896. James Jacques Joseph Tissot
A Agonia de Jesus no Horto Getsémani. 1884-1896. James Jacques Joseph Tissot

MEDITAÇÃO

Meu doce amor, o meu coração já não aguenta mais: olho para ti e vejo que continuas a agonizar. O sangue escorre em torrentes por todo o teu corpo, em tal abundância que, já não conseguindo manter-te de pé, caíste num lago. Ó meu Amor, o meu coração parte-se ao ver-te tão fraco e exausto! O teu rosto adorável e as tuas mãos criadoras repousam na terra e estão manchadas de sangue. Parece-me que, aos rios de iniquidade que as criaturas te enviam, tu queiras dar rios de sangue para que essas culpas fiquem afogadas nele, e assim, com ele, dar a cada um o rescrito do teu perdão. Mas, por favor, ó meu Jesus, levanta-te! É demasiado o que sofres! Basta até aqui ao teu amor.

E enquanto parece que o meu amável Jesus morre no seu próprio sangue, o amor dá-lhe nova vida. Vejo-o mover-se com dificuldade, levanta-se e, assim encharcado de sangue e lama, parece que quer caminhar e, não tendo forças, arrasta-se com dificuldade.

Minha doce Vida, deixa-me levar-te nos meus braços. Vais, porventura, ter com os teus queridos discípulos? Mas quão grande é a dor do teu adorável coração ao encontrá-los novamente adormecidos! E tu, com voz trémula e fraca, chamas-lhes: «Meus filhos, não durmam. A hora está próxima. Não veem como estou? Por favor, ajudem-me, não me abandonem nestas horas extremas!».

E quase cambaleante, estás prestes a cair junto a eles, enquanto João estende os braços para te apoiar. Estás tão irreconhecível que, se não fosse pela suavidade e doçura da tua voz, eles não te teriam reconhecido. Depois, recomendando-lhes a vigília e a oração, regressas ao jardim, mas com uma segunda facada no coração. Nesta facada vejo, meu Bem, todas as culpas daquelas almas que, apesar das manifestações das tuas graças em dons, beijos e carícias, nas noites de provação, esquecendo o teu amor e os teus dons, permaneceram como adormecidas e sonolentas, perdendo assim o espírito de oração contínua e de vigília.


Não Podíeis Vigiar Comigo Uma Hora. 1886-1894. James Jacques Joseph Tissot
Não Podíeis Vigiar Comigo Uma Hora. 1886-1894. James Jacques Joseph Tissot

Meu Jesus, é verdade que, depois de Te ter visto, depois de ter saboreado os Teus dons, permanecer sem eles e resistir, exige uma grande força. Só um milagre pode fazer com que tais almas resistam à prova. Por isso, enquanto tenho compaixão de ti, por estas almas, cujas negligências, leviandades e ofensas são as mais amargas para o teu coração, peço-te que, caso elas cheguem a dar um único passo que possa desagradar-te minimamente, as rodeies de tanta graça que as impeça de prosseguir, para que não percam o espírito de oração contínua.

No Horto do Getsémani. 1886. Emanuel Krescenc Liška
No Horto do Getsémani. 1886. Emanuel Krescenc Liška

Meu doce Jesus, ao regressares ao jardim, parece que já não aguentas mais: ergues para o céu o rosto encharcado de sangue e terra, e repetes pela terceira vez: «Pai, se for possível, passe de mim este cálice. Santo Pai, ajuda-me! Preciso de consolo. É verdade que, pelas culpas que me foram atribuídas, sou repugnante, repulsivo, o último entre os homens perante a tua infinita majestade. A tua justiça está indignada contra mim. Mas olha para mim, ó Pai, sou sempre teu Filho, que formo uma só coisa contigo. Por favor, ajuda, piedade, ó Pai! Não me deixes sem consolo!».

Então parece-me ouvir, ó meu doce Amor, que chamas em auxílio a querida Mãe: «Doce Mãe, abraça-me como me abraçavas quando era criança. Dá-me aquele leite que mamava de ti, para me revigorar e amenizar as amarguras da minha agonia. Dá-me o teu coração, que era toda a minha felicidade. Mãe minha, Madalena, queridos apóstolos, todos vós que me amais, ajudai-me, confortai-me, não me deixeis sozinho nestes momentos extremos. Formai todos uma coroa à minha volta, dai-me como consolo a vossa companhia, o vosso amor!».

Jesus, meu Amor, quem pode resistir ao ver-Te nestes momentos extremos? Que coração será tão duro que não se parta ao ver-te assim afogado em sangue? Quem não derramará torrentes de lágrimas amargas ao ouvir os teus acentos dolorosos que buscam ajuda e consolo?

Agonia no Jardim. 1898. Frans Schwartz
Agonia no Horto. 1898. Frans Schwartz

Meu Jesus, consola-te: já vejo o Pai a enviar-te um anjo para te consolar e ajudar, para que saias deste estado de agonia e possas entregar-te nas mãos dos judeus. E enquanto estiveres com o anjo, eu percorrerei céu e terra. Tu permitirás que eu recolha este sangue que derramaste, para que eu possa dá-lo a todos os homens como penhor da salvação de cada um, e trazer-te, em consolo e em troca, os seus afetos, palpitações, pensamentos, passos e obras.

Celeste Mãe minha, venho ter contigo para, juntos, irmos ter com todas as almas, dando-lhes o sangue de Jesus. Doce Mãe, Jesus quer consolo, e o maior consolo que lhe podemos dar é levá-lo almas. Madalena, acompanha-nos. Anjos todos, vinde ver em que estado se encontra Jesus. Ele quer consolo de todos, e tal é o desânimo em que se encontra, que não recusa ninguém.

Meu Jesus, enquanto bebes o cálice cheio de intensas amarguras que o Pai celestial te enviou, sinto que suspiras, gemes, deliras, e com voz sufocada dizes: «Almas, almas, vinde, levantai-me. Tomai o vosso lugar na minha humanidade: quero-vos, suspiro por vós. Por favor, não sejais surdas às minhas vozes, não torneis vãos os meus desejos ardentes, o meu sangue, o meu amor, as minhas dores! Vinde, almas, vinde!».

Jesus delirante, cada um dos teus gemidos e suspiros é uma ferida no meu coração que não me dá paz, por isso faço meu o teu sangue, a tua Vontade, o teu zelo ardente, o teu amor e, percorrendo céu e terra, quero ir em busca de todas as almas para lhes dar o teu sangue como penhor da sua salvação, e levá-las até ti para acalmar as tuas ansiedades, os teus delírios e amenizar as amarguras da tua agonia. E enquanto o fizer, acompanha-me com o teu olhar.

Mãe minha, venho ter contigo, porque Jesus quer almas, quer consolo. Por isso, dá-me a tua mão maternal e percorramos juntas o mundo inteiro em busca de almas. Envolvamos no seu sangue os afetos, os desejos, os pensamentos, as obras, os passos de todas as criaturas, e lancemos nas suas almas as chamas do seu coração, para que se rendam. E assim, encerradas no seu sangue e transformadas nas suas chamas, conduzi-las-emos ao redor de Jesus, para amenizar as dores da sua amarguíssima agonia.

Meu anjo da guarda, vai à nossa frente, prepara as almas que devem receber este sangue, para que nenhuma gota fique sem produzir o seu efeito abundante.

Minha mãe, depressa, vamos! Vejo o olhar de Jesus a seguir-nos, sinto os seus soluços repetidos que nos impelem a apressar a nossa tarefa.

E eis que, ó Mãe, logo nos primeiros passos já estamos às portas das casas onde jazem os enfermos. Quantos membros dilacerados! Quantos, sob a atrocidade dos espasmos, prorrompem em blasfémias e tentam tirar-se a vida! Outros são abandonados por todos e não têm quem lhes ofereça uma palavra de conforto, os socorros mais necessários, e por isso tanto mais praguejam e se desesperam.

Ah, Mãe! Sinto os soluços de Jesus, que vê as suas mais queridas predileções de amor, que fazem as almas sofrerem para as tornar semelhantes a Ele, retribuídas com ofensas. Por favor! Demos-lhes o seu sangue, para que lhes conceda a ajuda necessária e, com a sua luz, lhes faça compreender o bem que há no sofrimento e a semelhança que adquirem com Jesus.

O Precioso Sangue de Cristo. 1875. Autor desconhecido do México
O Precioso Sangue de Cristo. 1875. Autor desconhecido do México

E tu, minha Mãe, aproxima-te delas e, como mãe afetuosa, toca com as tuas mãos maternas os seus membros doloridos, alivia as suas dores, toma-as nos teus braços e, do teu coração, derrama torrentes de graças sobre todas as suas dores. Faz companhia aos abandonados, consola os aflitos; a quem carece dos meios necessários, dispõe almas generosas para os socorrer; a quem se encontra sob a atrocidade dos espasmos, implora trégua e descanso, para que, revigorados, possam suportar com mais paciência o que Jesus lhes dispõe.

Continuemos a percorrer o local e entramos nos aposentos dos moribundos. Minha Mãe, que horror! Quantas almas estão prestes a cair no inferno! Quantas, após uma vida de pecado, querem infligir a última dor àquele coração repetidamente trespassado, coroando o último suspiro com um ato de desespero! Muitos demónios rodeiam-nos, lançando nos seus corações o terror e o medo dos juízos divinos, e assim dando o último assalto para os conduzir ao inferno. Gostariam de libertar as chamas infernais para os envolver nelas e assim não dar lugar à esperança. Outros, presos pelos laços da terra, não sabem resignar-se a dar o último passo.

Ó Mãe, os momentos são críticos, eles precisam muito de ajuda! Não vês como tremem, como se debatem entre os espasmos da agonia, como pedem ajuda e misericórdia? A terra já desapareceu para eles. Santa Mãe, coloca a tua mão maternal na sua testa gelada, acolhe tu os seus últimos suspiros, dá a cada moribundo o sangue de Jesus e, assim, afugentando os demónios, dispõe-nos a todos a receber os últimos sacramentos e a uma boa e santa morte. Para conforto, dá-lhes as agonias de Jesus, os seus beijos, as suas lágrimas, as suas chagas; rompamos os laços que os mantêm presos, façamos com que todos sintam a palavra do perdão e infundamos tal confiança no coração, que os faça lançar-se nos braços de Jesus. Jesus, quando os julgar, encontrá-los-á cobertos com o seu sangue, abandonados nos seus braços e a todos dará o seu perdão.

Vamos continuar, ó Mãe. Que o teu olhar maternal contemple com amor a terra e se comova com compaixão por tantas pobres criaturas que precisam deste sangue. Minha Mãe, sinto-me impelida pelo olhar perscrutador de Jesus a correr, porque Ele quer almas; sinto os seus gemidos no fundo do meu coração que me repetem: «Minha filha, ajuda-me, dá-me as almas!».

Mas vê, ó Mãe, como a terra está cheia de almas que estão prestes a cair no pecado, e Jesus irrompe em pranto ao ver o seu sangue sofrer novas profanações. Seria necessário um milagre para impedir a sua queda. Por isso, demos-lhes o sangue de Jesus para que nele encontrem a força e a graça para não caírem no pecado.

Mais um passo ainda, ó Mãe, e eis as almas já caídas na culpa, que gostariam de uma mão para se levantarem. Jesus ama-as, mas olha para elas horrorizado porque estão manchadas, e a sua agonia torna-se mais intensa. Demos-lhes o sangue de Jesus, para que nele encontrem a mão que as levante. Vê, ó Mãe, são almas que precisam deste sangue, almas mortas para a graça. Oh, quão lamentável é o seu estado! O céu olha para elas e chora com dor, a terra olha para elas com repulsa, todos os elementos estão contra elas e gostariam de as destruir, porque são inimigas do Criador. Por favor, ó Mãe, o sangue de Jesus contém a vida! Demos-lhe, pois, para que, ao toque dele, estas almas ressuscitem e ressuscitem tão belas que façam sorrir todo o céu e toda a terra.


Pelo Sangue de Cristo somos purificados e revestidos de uma veste branca, prontos para nos aproximarmos do Pai. 2001. Elizabeth Wang
Pelo Sangue de Cristo somos purificados e revestidos de uma veste branca, prontos para nos aproximarmos do Pai. 2001. Elizabeth Wang

Vamos continuar, ó Mãe. Vê, há almas que levam a marca da perdição, almas que pecam e fogem de Jesus, que O ofendem e desesperam do Seu perdão. São estes os novos Judas espalhados pela terra, e que trespassam aquele coração tão amargurado. Demos-lhes o sangue de Jesus, para que este sangue apague a marca da perdição e lhes imprima a da salvação, infunda nos seus corações tal confiança e amor após a culpa, que os faça correr aos pés de Jesus e agarrar-se a esses pés divinos, para nunca mais se separarem deles.

Vê, ó Mãe, há almas que correm loucamente para a perdição e não há quem pare a sua corrida. Por favor! Coloquemos este sangue diante dos seus pés, para que, ao toque e à luz dele, às suas vozes suplicantes que as querem salvas, possam recuar e enveredar pelo caminho da salvação.

Continuemos, ó Mãe, a percorrer este caminho. Vê, há almas boas, almas inocentes nas quais Jesus encontra o seu prazer e o seu descanso na criação, mas as criaturas rodeiam-nas com tantas armadilhas e escândalos, para lhes arrancar essa inocência e transformar o prazer e o descanso de Jesus em lágrimas e amarguras, como se não tivessem outro objetivo senão o de causar dores contínuas a este coração divino. Selemos e rodeemos, pois, a sua inocência com o sangue de Jesus como uma muralha de defesa, para que a culpa não entre nelas. Com ele, afugenta quem as queira contaminar e mantém-nas imaculadas e puras, para que Jesus encontre o seu descanso na criação e todo o seu prazer, e por amor a elas se mova à piedade de tantas outras pobres criaturas.

Mãe minha, coloquemos estas almas no sangue de Jesus, liguemo-las e religuemo-las com a santa Vontade de Deus, levemo-las para os seus braços e, com as doces correntes do seu amor, liguemo-las ao seu coração para amenizar as amarguras da sua agonia mortal.

Mas ouve, ó Mãe, este sangue clama e quer ainda mais almas. Corramos juntas e levemo-nos às regiões dos hereges e dos infiéis. Quanta dor sente Jesus nessas regiões! Ele, que é a vida de todos, não recebe em troca nem mesmo um pequeno ato de amor, não é conhecido pelas suas próprias criaturas. Por favor! Ó Mãe, demos-lhes este sangue, para que afugente as trevas da ignorância e da heresia, faça compreender que têm uma alma e lhes abra o céu. Depois, coloquemo-las todas no sangue de Jesus, conduzamo-las ao seu redor como tantos filhos órfãos e exilados que encontram o seu Pai, e assim Jesus se sentirá consolado na sua amarga agonia.

Mas parece que Jesus ainda não está satisfeito, porque quer mais almas. Sente as almas moribundas destas regiões a serem-lhe arrancadas dos braços para caírem no inferno. Estas almas estão prestes a expirar e a precipitar-se no abismo; ninguém está perto delas para as salvar; o tempo esgota-se, os momentos são críticos, vão certamente perder-se!


O Sangue de Cristo lava os nossos pecados e permite-nos aproximar-nos da Glória do Céu. 2000. Elizabeth Wang
O Sangue de Cristo lava os nossos pecados e permite-nos aproximar-nos da Glória do Céu. 2000. Elizabeth Wang

Não, Mãe, este sangue não será derramado em vão por elas! Por isso, voemos imediatamente até elas, derramemos o sangue de Jesus sobre as suas cabeças para que lhes sirva de batismo e infunda nelas fé, esperança e amor. Coloca-te, ó Mãe, junto delas, supre tudo o que lhes falta. Melhor ainda, mostra-te: no teu rosto resplandece a beleza de Jesus, os teus modos são todos semelhantes aos dele, e assim, ao verem-te, com certeza poderão conhecer Jesus. Depois, abraça-as ao teu coração maternal, infunde nelas a vida de Jesus que tu possuis, diz-lhes que, como mãe delas, as queres felizes para sempre contigo no céu e assim, enquanto expiram, recebe-as nos teus braços e faz com que, dos teus braços, passem para os de Jesus. E se Jesus, segundo os direitos da justiça, mostrar que não as quer receber, recorda-lhe o amor com que te as confiou debaixo da cruz, reivindica os teus direitos de mãe, para que, perante o teu amor e as tuas orações, Ele não consiga resistir e, ao satisfazer o teu coração, satisfaça também os seus ardentes desejos.

E agora, ó Mãe, tomemos este sangue e ofereçamo-lo a todos: aos aflitos, para que nele encontrem consolo; aos pobres, para que suportem com resignação a sua pobreza; aos tentados, para que alcancem a vitória; aos incrédulos, para que a virtude da fé triunfe neles; aos blasfemos, para que transformem as blasfémias em bênçãos; aos sacerdotes, para que compreendam a sua missão e sejam dignos ministros de Jesus. Com este sangue, toca os seus lábios, para que não digam palavras que não sejam de glória a Deus; toca os seus pés, para que os ponham a voar em busca de almas, e as conduzir a Jesus.

Demos este sangue aos governantes dos povos, para que estejam unidos entre si e sintam mansidão e amor para com os seus súbditos.


As almas do Purgatório mantêm-se afastadas de Deus, por enquanto, devido à sua vergonha e tristeza. 2001. Elizabeth Wang
As almas do Purgatório mantêm-se afastadas de Deus, por enquanto, devido à sua vergonha e tristeza. 2001. Elizabeth Wang

Voemos agora para o purgatório e ofereçamo-lo também às almas purgativas, porque elas choram tanto e clamam por este sangue para a sua libertação. Não ouves, ó Mãe, os seus gemidos, as ansiedades de amor, as torturas, como se sentem continuamente atraídas para o Bem Supremo? Vê como o próprio Jesus deseja purificá-las mais rapidamente para as ter consigo: atrai-as com o seu amor, e elas retribuem-no com contínuos impulsos em direção a Ele. E enquanto se encontram na sua presença, não podendo ainda suportar a pureza do olhar divino, são obrigadas a recuar e a mergulhar novamente nas chamas.

Mãe minha, desçamos a esta prisão profunda e, derramando sobre elas este sangue, levemos-lhes a luz, acalmemos as suas ânsias de amor, apaguemos o fogo que as queima, purifiquemos as suas manchas e, assim, livres de todo o sofrimento, voarão para os braços do Bem Supremo. Demos este sangue às almas mais abandonadas, para que nele encontrem todos os sufrágios que as criaturas lhes negam. A todas, ó Mãe, damos este sangue, e a nenhuma o privamos, para que todas, em virtude dele, encontrem alívio e libertação. Reina, como Rainha, nestas regiões de choro e lamentos, estende as tuas mãos maternas e, uma a uma, retira-as destas chamas ardentes, e faz com que todas voem para o céu.

E agora também nós voemos para o céu. Coloquemo-nos às portas eternas e permite, ó Mãe, que eu te dê também este sangue para tua maior glória. Que este sangue te inunde de nova luz e de novas alegrias, e faz com que esta luz desça em benefício de todas as criaturas, para dar a todos as graças da salvação.

Mãe minha, dá-me também a mim este sangue. Tu sabes o quanto eu preciso dele. Com as tuas próprias mãos maternas, renova-me inteiramente com este sangue e, ao renovares-me, purifica as minhas manchas, cura as minhas feridas, enriquece a minha pobreza. Faz com que este sangue circule nas minhas veias e me devolva toda a vida de Jesus, desça ao meu coração e o transforme no próprio coração dele, embeleze-me tanto que Jesus possa encontrar todas as suas alegrias em mim.

Por fim, ó Mãe, entremos nas regiões celestiais e ofereçamos este sangue a todos os santos, a todos os anjos, para que possam receber maior glória, irromper em ações de graças a Jesus e orar por nós, a fim de que, em virtude deste sangue, possamos alcançá-los. E depois de termos oferecido este sangue a todos, voltemos novamente para junto de Jesus.

Anjos, santos, venham connosco. Ah, Ele suspira pelas almas! Quer fazê-las regressar todas à Sua humanidade para lhes dar a todos os frutos do Seu sangue. Coloquemo-las à Sua volta e Ele sentirá a vida regressar e será recompensado pela amarga agonia que sofreu. E agora, Santa Mãe, chamemos todos os elementos para Lhe fazerem companhia, para que também eles honrem Jesus.

Ó luz do sol, vem dissipar as trevas desta noite para dar consolo a Jesus. Ó estrelas, com os vossos raios trémulos, descei do céu, vinde dar consolo a Jesus. Flores da terra, vinde com os vossos perfumes; pássaros, vinde com os vossos gorjeios; todos os elementos da terra, vinde consolar Jesus. Vem, ó mar, refrescar e lavar Jesus. Ele é o nosso Criador, a nossa vida, o nosso tudo. Vinde todos confortá-lo, prestar-lhe homenagem como ao nosso soberano Senhor. Mas, ai de mim, pois Jesus não procura luz, estrelas, flores, pássaros. Ele quer almas, almas!

Eis que, ó meu doce Bem, todos estão aqui contigo: a querida Mãe está junto de ti; descansa tranquilamente nos seus braços, pois também ela encontrará consolo ao apertar-te contra o peito, já que participou profundamente na tua dolorosa agonia. Também está aqui Madalena, está aqui Maria e todas as almas amantes de todos os séculos. Por favor! Ó Jesus, aceita-as e diz a todas uma palavra de perdão e de amor, no teu amor legítimo a todas, para que nenhuma alma mais te escape.

Mas, ai de mim! Parece-me que dizes: «Ó filha, quantas almas me escapam à força e caem na ruína eterna! Como poderá então acalmar-se a minha dor, se uma única alma eu amo tanto, quanto amo todas as almas juntas?».

Jesus agonizante, parece que a tua vida está prestes a extinguir-se: já sinto o roncar da agonia, os teus belos olhos estão eclipsados pela morte iminente, todos os teus membros estão abandonados e muitas vezes parece-me que já não respiras. Sinto o coração a rebentar de dor. Abraço-te e sinto-te gelado, abano-te e não dás sinais de vida. Jesus, morreste? Mãe aflita, anjos do céu, vinde chorar por Jesus e não permitais que eu continue a viver sem ele, pois já não consigo. Abraço-o com mais força e sinto que dá mais um suspiro, e depois volta a não dar sinais de vida. Chamo-o: «Jesus, Jesus, minha Vida, não morras!».

Mas já ouço o alvoroço dos teus inimigos que vêm buscar-te. Quem te defenderá no estado em que te encontras?

E Ele, abalado, parece ressuscitar da morte para a vida, olha para mim e diz-me: «Filha, estás aqui? Foste, então, testemunha dos meus sofrimentos e das tantas mortes que sofri. Ora, sabe, ó filha, que nestas três horas de amarga agonia no jardim, encerrei em mim todas as vidas das criaturas, e sofri todas as suas dores e a sua própria morte, dando a cada uma a minha própria vida. As minhas agonias sustentarão as delas, as minhas amarguras e a minha morte transformar-se-ão para elas em fonte de doçura e de vida. Quanto me custam as almas! Se ao menos fosse recompensado por isso! Viste que, enquanto morria, voltava a respirar: eram as mortes das criaturas que sentia em mim».


Uma pessoa fiel e humilde que se esforçou por agradar ao seu Salvador pode morrer em paz, dizendo para si mesma: «Esforcei-me por viver como uma boa amiga de Cristo.». 2005. Elizabeth Wang
Uma pessoa fiel e humilde que se esforçou por agradar ao seu Salvador pode morrer em paz, dizendo para si mesma: «Esforcei-me por viver como uma boa amiga de Cristo.». 2005. Elizabeth Wang

Meu Jesus ofegante, já que quiseste encerrar em ti também a minha vida e, portanto, também a minha morte, peço-te, por esta tua amarga agonia, que venhas assistir-me no momento da minha morte. Eu dei-te o meu coração como refúgio e descanso, os meus braços para te sustentar e todo o meu ser à tua disposição, e, oh, com que prazer me entregaria nas mãos dos teus inimigos para poder morrer eu em teu lugar!

Vem, ó Vida do meu coração, neste momento, para me devolver o que te dei: a tua companhia, o teu coração como leito e descanso, os teus braços como apoio, o teu suspiro ofegante para aliviar as minhas angústias, de modo que eu, ao respirar, respire por meio do teu suspiro que, como ar purificador, me purificará de qualquer mancha e me preparará para a entrada na bem-aventurança eterna.

Pelo contrário, meu doce Jesus, aplicarás à minha alma a tua própria santíssima humanidade, de modo que, ao olhares para mim, me vejas através de ti mesmo e, ao olhares para ti mesmo, não encontres nada que me permita julgar-te. Depois, banhar-me-ás no teu sangue, vestir-me-ás com a túnica imaculada da tua Santíssima Vontade, adornar-me-ás com o teu amor e, dando-me o último beijo, farás com que eu levante voo da terra para o céu.

E o que desejo para mim, fá-lo a todos os agonizantes; abraça-os a todos no teu abraço de amor e, dando-lhes o beijo da união contigo, salva-os a todos e não permitas que nenhum se perca.

Meu Bem aflito, ofereço-te esta hora em memória da tua paixão e morte, para desarmar a justa ira de Deus pelos tantos pecados, pela conversão de todos os pecadores, pela paz dos povos, pela nossa santificação e em sufrágio das almas do purgatório.

Mas vejo que os teus inimigos estão próximos e tu queres deixar-me para ir ao seu encontro. Jesus, permite-me dar-te um beijo nos lábios, que Judas ousará beijar com o seu beijo infernal, e secar-te o rosto banhado de sangue sobre o qual agora choverão bofetadas e cuspidelas. Aperta-me forte contra o teu coração e não permitas que eu me separe jamais de ti. Eu sigo-te, e tu, abençoa-me.


REFLEXÕES PRÁTICAS

Jesus, naquela hora da agonia no Getsémani, pediu ajuda ao céu, e eram tantas as suas dores que pediu consolo também aos seus discípulos.

  • E nós, em qualquer circunstância, dor ou infortúnio, pedimos sempre ajuda ao céu?

  • E mesmo quando nos dirigimos às criaturas, fazemo-lo de forma ordenada, recorrendo àqueles que nos podem consolar santamente?

  • Estamos, pelo menos, resignados, se não temos os consolos que esperávamos, servindo-nos da indiferença das criaturas para nos abandonarmos mais nos braços de Jesus?

Jesus foi consolado por um anjo.

  • E nós, podemos dizer que somos o anjo de Jesus ao estarmos ao seu lado para o consolar e partilhar das suas amarguras?

Mas, para podermos ser verdadeiros anjos para Jesus, é necessário aceitar as dores como enviadas por Ele, portanto como dores divinas; só então podemos ousar consolar um Deus tão amargurado. Caso contrário, se aceitarmos as dores num sentido humano, não podemos valer-nos delas para consolar este Homem-Deus, e, portanto, não podemos ser anjos.

Nas dores que Jesus nos envia, parece que nos envia o cálice onde devemos colocar o fruto dessas mesmas dores; e essas dores, sofridas com amor e resignação, converter-se-ão em néctar dulcíssimo para Jesus. Em cada dor diremos: “Jesus chama-nos a ser anjos à sua volta; quer o nosso conforto e, por isso, faz-nos partilhar das suas dores”. Meu amor, Jesus, nas minhas dores procuro o teu coração para descansar, e nas tuas pretendo dar-te abrigo com as minhas dores, para as trocarmos juntos, e eu seja [assim] o teu anjo consolador.

 

Oração de agradecimento após cada hora de agonia no Jardim

Dou-Te graças, ó meu dulcíssimo Senhor, por Te teres dignado a manter-me na Tua companhia durante pelo menos uma hora, na Tua terrível agonia no Jardim. Ai, tão escasso consolo pudeste encontrar em mim, ó meu bom Jesus! Mas o Teu amor infinito e a caridade transbordante do Teu coração misericordioso fazem-Te encontrar alívio, mesmo no mais pequeno ato de compaixão que a criatura Te demonstra. Ah! Nunca mais sairá da minha mente a visão da Tua adorável pessoa trémula, abatida, desolada, humilhada no pó e toda banhada em suor de sangue, no sombrio horror do Getsémani. Eu experimentei, ó Jesus, que estar contigo em sofrimento, sentir até mesmo uma gota da angustiante amargura do Teu Coração Divino, é a maior sorte que se pode ter nesta terra.

Ó Jesus, renuncio generosamente às coisas terrenas e enganosas; só te quero a ti, meu Senhor oprimido, sofredor e aflito. Do Jardim até ao Calvário, quero ser-te sempre uma companhia fiel e doce.

Ó Jesus, faz com que eu seja capturada contigo, arrastada contigo aos tribunais; faz-me parte dos ultrajes, dos insultos, dos escarros, das bofetadas com que os Teus inimigos Te cobrirão. Conduz-me contigo de Pilatos a Herodes, de Herodes a Pilatos. Amarra-me contigo à coluna e faz-me sentir parte dos Teus açoites; dá-me um pouco dos Teus espinhos, Jesus, para que me traspassem. Faz com que, contigo, eu seja condenada a morrer crucificada: Tu como vítima de amor por mim, e eu como Tua vítima expiatória pelos meus pecados.

Dá-me a sorte de Cirene para Te seguir até ao Calvário, e lá faz com que eu seja pregada na Cruz contigo e que agonize e morra contigo.

Ó Mãe Dolorosa, que me ajudaste a compadecer-me de Jesus agonizante no Horto, dá-me força para estar contigo crucificada na mesma cruz de Jesus, e para saber oferecer-Lhe as mais dignas reparações com os próprios méritos da Sua paixão e morte na Cruz. Assim seja.


Oração de agradecimento depois de cada Hora.

Meu Jesus, Tu chamaste-me nesta Hora da Tua Paixão a fazer-Te companhia e eu vim. Parecia-me que Te ouvia, angustiado e sofredor, a pedir, a reparar e a sofrer, e com as vozes mais comovedoras e eloquentes pedir a salvação das almas.

Procurei seguir-Te em tudo e agora, tendo de Te deixar para me dedicar às minhas ocupações habituais, sinto o dever de Te dizer “obrigado”, e “bendigo-Te”.

Sim, ó Jesus, repito-Te “obrigado” milhares de vezes e “bendigo-Te” por tudo o que fizeste e sofreste por mim e por todos. “Obrigado” e “bendigo-Te” por cada gota de Sangue que derramaste, por cada respiro, palpitação, passo, palavra, olhar, amargura e ofensa que suportaste. Por tudo, ó meu Jesus, Te digo um “obrigado”  e um “bendigo-Te”.

Ó Jesus, faz com que de todo o meu ser brote uma corrente contínua de gratidão e de bênçãos, de forma a atrair sobre mim e sobre todos a corrente das Tuas bênçãos e graças. Ó Jesus, aperta-me ao Teu Coração e com as Tuas mãos santíssimas marca cada partícula do meu ser com o Teu “bendigo-Te”, para que de mim brote um hino contínuo de louvor a Ti.

Hora da Paixão A Terceira hora de agonia no Horto do Getsémani.


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