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Como meditar nas últimas 24 Horas da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo?

  • Cláudia Pereira
  • 13 de abr.
  • 30 min de leitura

As 24 Horas da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo

Com 17 anos, Luísa fez uma novena de preparação para o Natal com nove horas de meditação, depois de a ter terminado, Nosso Senhor convidou-a a meditar de forma contínua, nas últimas 24 horas da Sua Paixão, a partir do momento em que Ele se despediu da Sua Mãe (antes de instituir a Eucaristia), até ao momento em que foi sepultado.

Em cada Hora da Sua Paixão, o próprio Nosso Senhor, nos convida a fazer-Lhe companhia e a consolá-l’O com o nosso amor. Pouco a pouco, e à medida que vamos penetrando em cada cena, palavra, verdade e sofrimento, iremos compreendendo como foi grande o Amor do nosso Deus, e por isso mesmo, ser-nos-á impossível não O amar como merece ser amado. Aprenderemos a descobrir e a conhecer, não só a Paixão externa que Jesus viveu, mas também todos aqueles sofrimentos íntimos e escondidos aos olhos de todas as criaturas, ou seja, a Sua Paixão interior.

Portanto, meditar uma Hora da Paixão, significa unirmo-nos a Jesus para fazer o mesmo que Ele fazia em cada momento da Sua Paixão, como por exemplo: as orações e reparações que Ele fazia ao Seu Pai, no Seu interior, quando era flagelado, coroado de espinhos, crucificado, etc… e para isso, servimo-nos deste livro: “As 24 Horas da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo”. Cada vez que as lermos, meditarmos, penetrarmos ou aprofundarmos cada Hora da Sua Paixão, procuremos fazer nossas, as Suas orações, intenções, reparações, para podermos, juntamente, com Ele elevá-las ao Pai pela salvação e bem de toda a Humanidade.

Luísa Piccarreta, depois de viver de forma contínua estas Horas da Paixão, por mais de trinta anos, o P. Aníbal Maria di Francia, tendo sido nomeado pela autoridade competente Revisor Eclesiástico para os escritos da Serva de Deus Luísa Piccarreta, impôs-lhe, em virtude da Santa Obediência, que escrevesse estas meditações, as quais deram origem a este Livro do Céu.

Vendo a riqueza do seu conteúdo e vislumbrando todo o bem que fariam, o próprio P. Aníbal se encarregou da sua publicação em quatro edições: (1915, 1916, 1917, 1924).

Depois de Luísa terminar de escrever o manuscrito original, enviou-o ao P. Aníbal, juntamente com uma carta. Nela fala-lhe da complacência que Jesus sente quando se meditam estas Horas, pois, é ela mesma que diz: é “como se Jesus escutasse a Sua própria voz e as Suas próprias orações que Ele dirigiu ao Pai durante as últimas 24 horas da Sua dolorosa Paixão”. Com o manuscrito e a dita carta, Luísa enviou-lhe também algumas notas, nas quais incluía os efeitos e promessas de Jesus, àqueles e àquelas que meditem estas Horas da Sua Paixão.



Luísa Piccarreta
Luísa Piccarreta

Carta de Luísa ao Padre Aníbal

"Com a devida reserva e com a mais perfeita submissão ao juízo da Santa Igreja, segundo o decreto do Papa Urbano VIII, agora transcrevo algumas revelações que Nosso Senhor Jesus Cristo fez à Alma silenciosa, à qual inspirou esta Obra. Revelações que manifestam o quanto é agradável ao Coração adorável de Jesus que se pratique este Exercício. Começo por transcrever uma carta que a Autora me enviou a mim:

«Reverendíssimo Padre:

Eis que finalmente lhe envio as Horas escritas da Paixão, e tudo para glória de Nosso Senhor. Incluo também outro folheto que contém os afetos e as lindas promessas de Jesus para quem pratica estas Horas da Paixão.

Julgo que quem as meditar se é pecador, se converterá; se é imperfeito, tornar-se-á perfeito; se é santo, será mais santo; se é tentado, triunfará; se é sofredor, encontrará nestas Horas a força, o remédio e o conforto; e se a sua alma é frágil e pobre, encontrará o alimento espiritual e um espelho onde se contemplará, continuamente, para se adornar e tornar-se semelhante a Jesus, nosso modelo.

O deleite que Jesus abençoado experimenta com a meditação destas Horas é tão grande que desejaria que destas meditações houvesse, pelo menos, um exemplar por cada cidade ou aldeia e fossem praticadas; então, nessas reparações, Jesus sentiria reproduzir-se a sua própria voz e as suas orações, que Ele dirigia ao seu Pai nas 24 Horas da sua dolorosa Paixão; e se isto fosse feito em cada aldeia ou cidade por algumas almas, Jesus parece fazer-me entender que a Justiça divina ficaria parcialmente aplacada e em parte terminariam e seriam interrompidos os seus flagelos nestes tristes tempos de desgraça e de derramamento de sangue.

Reverendo Padre, dirija este apelo a todos: cumpra assim a pequena obra que o meu amável Jesus me fez realizar.

Digo-lhe também que a finalidade destas Horas da Paixão não é tanto de narrar a história da Paixão, dado que existem muitos livros que abordam este piedoso tema, e não seria necessário escrever outro; mas a sua finalidade é a reparação, unindo os vários momentos da Paixão de Nosso Senhor à diversidade de tantas ofensas e, juntamente com Jesus, fazer a digna reparação das mesmas, repondo, quase tudo, aquilo que todas as criaturas lhe devem; e daqui os vários modos de reparação. Nestas Horas, isto é, nalguns trechos abençoa-se e noutros compadece-se; nalguns louva-se e noutros conforta-se o sofredor; nalguns compensa-se e noutros suplica-se, reza-se e pede-se.

Por isso, Reverendo Padre, deixo-lhe [a tarefa] de tornar conhecida a finalidade destes escritos, com um prefácio.»

As folhas com os escritos às quais se refere a Autora no início desta carta contêm aquilo que Jesus lhe disse em relação ao exercício das Horas, e são, com as suas datas, as seguintes:


As promessas de Nosso Senhor para a meditação das Horas da Paixão

«Minha filha, agrada-Me tanto quem vai meditando sempre na Minha Paixão e [ao meditá-la] sente pena e Me compadece, que Me sinto recompensado por tudo aquilo que sofri durante a Minha Paixão, e a alma, meditando sempre nela, prepara um alimento contínuo, e neste alimento existem diversos temperos e sabores, que formam diversos efeitos.

Assim como durante a Minha Paixão Me deram cordas e correntes, para Me prenderem, assim a alma Me desata e Me dá a liberdade; eles desprezaram-Me, escarraram-Me e desonraram-Me, ela estima-Me, limpa-Me daqueles escarros e honra-Me; eles despiram-Me e flagelaram-Me, ela cura-Me e veste-Me; eles coroaram-Me de espinhos tratando-Me como falso rei, amargaram-Me a boca com fel e crucificaram-Me; a alma meditando todas as minhas penas, coroa-Me de glória e honra-Me como seu Rei, enche-Me a boca de doçura, dando-Me o alimento mais delicioso, que é a memória das Minhas próprias obras, e, despregando-Me da Cruz, faz-Me ressuscitar no seu coração, dando-lhe Eu, como recompensa, cada vez que faz isto, uma nova vida de graça: de modo que ela é o Meu alimento e Eu faço-Me seu alimento contínuo. Por isso, a coisa que mais Me agrada é o meditar sempre na Minha Paixão.» - Vol. 7, 9 de Novembro de 1906


"Esta manhã, o meu sempre amável Jesus veio e estreitando-me ao Seu Coração, disse-me: «Minha filha, quem pensa sempre na Minha Paixão forma no seu coração uma nascente, e quanto mais pensa nela, mais esta nascente cresce; e assim, como as águas que brotam dela são águas para todos, assim esta nascente da Minha Paixão, que se forma no coração, serve para o bem da alma, para a Minha glória e para o bem de todas as criaturas.»

E eu: «Meu Bem, diz-me o que darás como recompensa àqueles que farão as Horas da Paixão como Tu me ensinaste?»

E Ele: «Minha filha, não olharei para estas Horas como coisas vossas, mas como feitas por Mim, e dar-vos-ei os Meus próprios méritos e os mesmos efeitos, como se Eu estivesse sofrendo a Minha Paixão em acto, segundo a disposição das almas; nesta terra, não podia dar-lhes prémio maior. Depois, no Céu, colocá-las-ei de frente, dardejando-as com setas de amor e de contentamento, por quantas vezes fizeram as Horas da Minha Paixão, e elas dardejar-Me-ão a Mim. Isto será um doce encanto para todos os Bem-aventurados!»" - Vol. 11, 10 de Abril de 1913


"Estava a pensar nas Horas da Paixão escritas e como estas não têm indulgências, quem as faz não adquire nada, no entanto existem muitas outras orações enriquecidas com muitas indulgências. Enquanto pensava isto, o meu amável Jesus, muito benigno, disse-me: «Minha filha, com as orações que têm indulgências adquire-se alguma coisa. Ao contrário, as Horas da Minha Paixão, que são as Minhas próprias orações, as Minhas reparações e tudo Amor, são Minhas, saídas mesmo do fundo do Meu Coração. Por acaso esqueceste quantas vezes Me uni a ti para as fazermos juntos e que mudei os flagelos em graças sobre toda a terra? Portanto, é tal e tanta a minha complacência, que em vez da indulgência lhes dou uma mão cheia de Amor, que contém preços incalculáveis de valor infinito; e depois, quando as coisas são feitas por puro amor, o Meu Amor pode desabafar e não é indiferente que a criatura dê alívio e desabafo ao Amor do Criador.»" - Vol. 11, 6 de Setembro de 1913


"Estava a escrever as Horas da Paixão e pensava para comigo: «Quantos sacrifícios fiz para escrever estas benditas Horas da Paixão, sobretudo ao ter que escrever certos atos que ocorreram só entre mim e Jesus! Qual será a recompensa que Ele me dará por tudo isto?» E Jesus fazendo-me escutar a sua voz suave e melodiosa, disse-me: «Minha filha, como recompensa, por teres escrito as Horas da Minha Paixão, dar-te-ei um beijo e uma alma, por cada palavra que escreveste.»

E eu: «Meu Amor, isto é o que me dás a mim e a quem as fizer o que é que lhe darás?» E Jesus: «Se as fizerem juntamente coMigo e com a Minha própria Vontade, por cada palavra que recitarão dar-lhes-ei, também, uma alma, porque a maior ou menor eficácia destas Horas da Minha Paixão encontra-se na maior ou menor união que têm coMigo; e fazendo-as com a Minha Vontade, a criatura esconde-se no Meu Querer, e quando o Meu Querer age posso fazer todo o bem que quero, mesmo por uma só palavra; e isto cada vez que as fizerem.»

Noutra vez, estava a lamentar-me com Jesus, porque depois de tantos sacrifícios para escrever estas Horas da Paixão, eram tão poucas as almas que as faziam, e Ele: «Minha filha, não te lamentes; ainda que fosse uma só, deverias estar feliz. Não teria Eu sofrido toda a Minha Paixão ainda que fosse para salvar uma só alma? Assim também tu. Nunca se deve deixar de fazer o bem só porque poucos aproveitarão; o mal é para quem não aproveita. E como a Minha Paixão fez adquirir o mérito à Minha Humanidade como se todos se salvassem, se bem que nem todos se salvem, porque a Minha Vontade queria salvar a todos, e mereci segundo aquilo que Eu queria, não segundo o proveito que teriam as criaturas; assim tu, na medida em que a tua vontade se uniu com a Minha em querer fazer bem a todos, assim serás recompensada. O mal é para aqueles que podendo fazê-las, não as fazem.

Estas Horas são as mais preciosas de todas, porque não são outra coisa senão repetir aquilo que fiz no curso da Minha Vida mortal e continuo a fazer no Santíssimo Sacramento. Quando sinto estas Horas da Minha Paixão é como se sentisse a Minha própria voz, as Minhas próprias orações. Naquela alma, vejo a Minha Vontade, que é aquela de querer o bem de todos e de reparar por todos, e Eu sinto-Me levado a morar nela para poder fazer nela aquilo que ela própria faz. Oh, como gostaria que, em cada país, existisse ao menos uma, que fizesse estas Horas da Minha Paixão! Sentir-Me-ia a Mim próprio em cada país, e nestes tempos, a Minha Justiça tão descontente, ficaria, em parte, aplacada.»

Acrescento que um dia estava a fazer a hora em que a Celeste Mãe sepultou Jesus, e eu segui-A para Lhe fazer companhia e partilhar a sua amarga desolação. Não era meu costume fazer esta hora sempre. Só a fazia algumas vezes. Estava indecisa se devia fazê-la ou não, e Jesus bendito, todo cheio de amor e como se me pedisse, disse-me: «Minha filha, não quero que deixes de a fazer, fá-la-ás por meu amor e em honra da Minha Mãe. Deves saber que cada vez que tu a fazes, a Minha Mãe sente-se como se estivesse pessoalmente na terra a repetir a Sua Vida e recebesse aquela glória e amor que Me deu sobre a terra; e para Mim é como se a Minha Mãe estivesse de novo na terra; e sinto as Suas ternuras maternas, o Seu amor e toda a glória que Me deu; portanto, será como se fosses minha mãe.»

Depois, abraçando-me, sentia dizer baixinho: «Minha mãe, mãe.» E recordava-me aquilo que fez e sofreu a doce Mãe naquela hora, e eu seguia-A; e desde então nunca mais deixei de a fazer ajudada pela sua Graça." - Vol. 11, Outubro de 1914


"Estava a fazer as Horas da Paixão, e Jesus, deleitando-se, disse-me: «Minha filha, se tu soubesses o grande prazer que experimento ao ver-te repetir e voltar a repetir, sempre de novo, estas Horas da Minha Paixão sentir-te-ias feliz. É verdade, que os Meus Santos meditaram a Minha Paixão e compreenderam quanto sofri e desfizeram-se em lágrimas de compaixão, ao ponto de se sentirem desfazer pelo amor das Minhas penas, mas não assim deste modo tão contínuo e repetido tantas vezes, com esta ordem. De modo que, posso dizer que tu és a primeira que Me dás este prazer tão grande e especial e vais repetindo minuciosamente em ti, hora a hora a minha Vida e aquilo que Eu sofri; e Eu sinto-Me tão atraído, que hora a hora te dou o alimento e como contigo o mesmo alimento, e faço juntamente contigo aquilo que tu fazes. Fica a saber que te recompensarei abundantemente com nova luz e novas graças; e depois da tua morte, no Céu, cobrir-te-ei sempre de nova luz e glória, todas as vezes que na terra as almas fizerem estas Horas da Minha Paixão.»" - Vol. 11, 4 de Novembro de 1914


"Continuando as habituais Horas da Paixão, o meu amável Jesus, disse-me: «Minha filha, o mundo está em constante ato de renovar a Minha Paixão e, como a minha Imensidade envolve tudo, dentro e fora das criaturas, assim sou constrangido, ao seu contacto, a receber cravos, espinhos, flagelos, desprezos, escarros e tudo o mais que sofri na Paixão, e ainda mais. Ora, ao contacto com estas almas que fazem estas Horas da Minha Paixão, sinto que Me arrancam os cravos, Me tiram os espinhos, Me suavizam as Chagas e Me limpam os escarros; sinto que Me retribuem com o bem, o mal que os outros Me fazem; e Eu sentindo que o seu contacto não Me faz mal, mas bem, apoio-Me sempre mais nelas.»

Além disto, o meu bendito Jesus, ao voltar a falar destas Horas da Paixão, disse-me: «Minha filha, deves saber que a alma, ao fazer estas Horas, faz seus os Meus pensamentos, faz suas as Minhas reparações e orações, faz seus os Meus desejos e afetos e faz, também, suas as Minhas fibras mais íntimas e elevando-se, entre a terra e o Céu, faz a Minha própria função e como co-Redentora diz juntamente coMigo: “Ecce ego, mitte me; quero reparar-Te por todos, responder-Te por todos e implorar o bem para todos.»" - Vol. 11, 6 de Novembro de 1914


"Continuando como de costume, o meu adorável Jesus deixava-se ver todo rodeado de luz que saía de dentro da sua Santíssima Humanidade, que o embelezava de modo a formar uma vista encantadora e arrebatadora. Eu fiquei surpreendida e disse-me: «Minha filha, cada pena que sofri, cada gota de sangue, cada chaga, oração palavra, ação, passo, etc., produz uma luz na minha Humanidade que Me embeleza de tal forma que tenho arrebatados todos os bem-aventurados.

Ora a alma, a cada pensamento que faz da minha Paixão, compaixão, reparação, etc., não faz outra coisa senão tomar luz da minha Humanidade e embelezar-se à minha semelhança, de modo que um pensamento a mais da minha Paixão, será uma luz a mais que lhe trará um gozo eterno.»" - Vol. 11, 23 de Abril de 1916


"Estava a fazer as Horas da Paixão, e o meu bendito Jesus disse-me: «Minha filha, durante a Minha Vida mortal milhares de Anjos cortejavam a Minha Humanidade e recolhiam tudo aquilo que Eu fazia: os passos, as obras, as palavras, também os suspiros, as penas, as gotas do Meu Sangue, enfim, tudo. Eram Anjos delegados para Me guardarem, para Me prestarem honras, obedientes a todos os Meus sinais, desciam e subiam ao Céu, para levar ao Pai tudo o que Eu fazia. Ora, estes Anjos têm uma missão especial. Quando a alma faz memória da Minha Vida, da Minha Paixão, do Meu Sangue, das Minhas Chagas, das Minhas orações, rodeiam-na e recolhem as suas palavras, as suas orações, as compaixões que tem para coMigo, as lágrimas, as ofertas e, unindo-as às Minhas, levam-nas à presença da Minha Majestade, para Me renovarem a glória da Minha própria Vida. E o prazer dos Anjos é tanto, que reverentes escutam aquilo que a alma diz e rezam juntamente com ela; por isso, a alma deve fazer estas Horas com muita atenção e respeito, pensando que os Anjos pendem dos seus lábios, para repetir, a seguir a ela, aquilo que ela disse!»

Depois acrescentou: «Por tantas amarguras que as criaturas me dão, estas Horas são pequenos sorvos doces que as almas Me dão; mas, em confronto com os sorvos amargos que recebo, são muito poucos e pouco doces. Por isso, mais difusão, mais difusão!»" - Vol. 11, 13 de Outubro de 1916


"Estava aflita por causa das privações do meu doce Jesus; e se vem, enquanto respiro um pouco de vida, fico ainda mais aflita ao vê-Lo mais aflito que eu e sem sossego porque as criaturas O obrigam e Lhe arrancam outros flagelos. Mas, enquanto flagela, chora a sorte do homem e esconde-se bem dentro do coração, quase para não ver aquilo que sofre o homem. Parece que não se pode viver nestes tempos tão tristes, e no entanto parece que se está no princípio.

Por isso, estando eu pensativa por causa da minha dura e triste sorte em ficar frequentemente privada d’Ele, veio, lançou-me o braço ao pescoço, e disse-me: «Minha filha, não aumentes as Minhas penas ao estares pensativa. Já são muitas! Eu não espero isto de ti. Antes, quero que faças tuas as Minhas penas, as Minhas orações, a Mim próprio, de modo que Eu possa encontrar-Me a Mim próprio, em ti. Nestes tempos, quero grande reparação, e só quem a Mim próprio Me faz seu, mas pode dar. E aquilo que o Pai encontrou em Mim, isto é, glória, complacência, amor, reparações completas e perfeitas, para o bem de todos, Eu quero encontrá-lo nestas almas, que, como tantos outros Jesus, fazem como Eu.

Deves repetir estas intenções em cada Hora da Minha Paixão que fazes, em cada ação, em tudo; e se Eu não encontro as Minhas reparações, ah, para o mundo é pior! Choverão fortemente os flagelos! Ah, minha filha, ah, minha filha...!» E desapareceu." - Vol. 11, 9 de Dezembro de 1916


"Estava no meu estado habitual e achei-me fora de mim mesma e encontrei o meu sempre amável Jesus, todo a escorrer sangue, com uma horrível coroa de espinhos. Através dos espinhos, olhava-me com dificuldade e disse-me: «Minha filha, o mundo desequilibrou-se, porque deixou de pensar na Minha Paixão. Nas trevas, não encontrou a luz da Minha Paixão, para o iluminar e dar-lhe a conhecer o Meu Amor e quantas penas me custaram as almas, a fim de se resolver a amar Quem verdadeiramente o amou; e a luz da Minha Paixão, guiando-o, guardava-o de todos os perigos. Na fraqueza, não encontrou a força da Minha Paixão que o sustentava; na impaciência, não encontrou o espelho da Minha paciência, que lhe infundia calma, resignação, e diante da Minha paciência, envergonhando-se, teria sentido o dever de se dominar a si próprio; nas penas, não encontrou o conforto das penas de Deus, que, sustentando as suas, lhe infundiam amor ao sofrimento; no pecado, não encontrou a Minha santidade, que fazendo-lhe frente, lhe infundia ódio à culpa.

Ah, o homem prevaricou em tudo, porque se afastou em tudo de quem o podia ajudar. Portanto, o mundo perdeu o equilíbrio. Fez como uma criança, que nunca mais quis reconhecer a sua mãe; como um discípulo que, desconhecendo o mestre, nunca mais quis escutar os seus ensinamentos nem aprender as suas lições. O que será desta criança ou deste discípulo? Serão a dor deles próprios e o terror e a dor da sociedade. Assim se tornou o homem: terror e dor, mas dor sem piedade. Ah, o homem piora, piora sempre, e Eu choro por ele lágrimas de sangue!»" - Vol. 11, 2 de Fevereiro de 1917


"Encontrando-me no meu estado habitual, estava a unir-me toda ao meu doce Jesus, e depois derramava-me toda nas criaturas, para dar Jesus a todas as criaturas; e o meu amável Jesus disse-me: «Minha filha, cada vez que a criatura se funde em Mim, dá a todas as criaturas o fluxo de Vida Divina, e segundo a necessidade que as criaturas têm, obtêm o seu efeito: Quem é frágil sente a força; quem é obstinado na culpa recebe a luz; quem sofre, recebe conforto; e assim para o resto.»

Depois, achei-me fora de mim mesma, encontrava-me no meio de muitas almas, – parecia que fossem almas do purgatório e santos – e nomeavam uma pessoa que eu conhecia, que tinha falecido não há muito tempo, e diziam-me: «Ele sente-se como que feliz ao ver que não existe alma que entre no Purgatório que não leve a marca das Horas da Paixão, e obsequiadas, ajudadas por estas Horas, tomam o seu posto em lugar seguro; e não existe alma que voe para o Paraíso, que não seja acompanhada destas Horas da Paixão, estas Horas fazem chover do Céu um orvalho contínuo sobre a terra, no Purgatório e até no Céu.»

Ao escutar isto, dizia para comigo: «Certamente, o meu Jesus para manter a palavra dada, que a cada palavra das Horas da Paixão dar-me-ia uma alma, não existe nenhuma alma que se salve que não se sirva destas Horas.»

Depois voltei a mim própria, e tendo encontrado o meu doce Jesus, perguntei-lhe se seria verdade. E Ele: «Estas Horas são a ordem do universo, e colocam em harmonia o Céu e a terra e sustêm-Me para não mandar destruir o mundo; sinto circular o Meu Sangue, as Minhas Chagas, o Meu Amor, e tudo o que fiz, e deslizam em todos para salvar a todos. E quando as almas fazem estas Horas da Minha Paixão, sinto colocar a caminho o Meu Sangue, as Minhas Chagas, as Minhas ânsias de salvar as almas, e sinto repetir a Minha Vida. Como poderão as criaturas obter algum bem se não for por meio destas Horas? Porque duvidas? Isto não é coisa tua, mas Minha, tu foste o instrumento forçado e débil.»" - Vol. 12, 16 de Maio de 1917


"Estava a rezar por uma alma moribunda, com um certo temor e ansiedade, e o meu amável Jesus, quando veio, disse-me: «Minha filha, porque temes? Tu não sabes que por cada palavra da Minha Paixão, pensamento, compaixão, reparação, recordação das Minhas penas, tantas vias de eletricidade, de comunicação se abrem entre Mim e a alma, e que portanto a alma se vai adornando das mais variadas belezas? Ela fez as Horas da Minha Paixão e Eu recebê-la-ei como filha da Minha Paixão, vestida com o Meu Sangue e adornada com as Minhas Chagas. Esta flor cresceu no teu coração, e Eu abençoo-a e recebo-a no Meu como uma flor predileta.»

E enquanto dizia isto, do meu coração saía uma flor que voava para Jesus." - Vol. 12, 12 de Julho de 1918


"Estava a pensar na Paixão do meu doce Jesus e Ele, quando veio, disse-me: «Minha filha, cada vez que a alma pensa na Minha Paixão, se recorda daquilo que sofri ou Me compadece, renova nela a aplicação das Minhas penas; o Meu Sangue surge para a inundar e as Minhas Chagas, põem-se a caminho para a curarem, se está chagada, ou para a embelezarem, se está sã, e todos os Meus méritos para a enriquecerem.

O negócio que faz é surpreendente; é como se colocasse no Banco tudo aquilo que fiz e sofri e arrecadasse o dobro. Por isso, tudo aquilo que fiz e sofri está em contínuo ato de se dar ao homem, como o sol está em contínuo ato de dar luz e calor à terra; o Meu operar não está sujeito a esgotar-se. Basta que a alma queira, e as vezes que o quiser, recebe o fruto da Minha Vida. De modo que, se se recorda vinte, cem, mil vezes, da Minha Paixão, tantas vezes mais gozará dos seus efeitos. Mas, como são poucos aqueles que fazem tesouro dela! Com todo o bem da Minha Paixão, veem-se almas fracas, cegas, surdas, mudas, coxas, cadáveres viventes que causam repugnância. Porquê? Porque a minha Paixão é colocada no esquecimento.

As Minhas penas, as Minhas Chagas, o Meu Sangue são fortaleza que tira as fraquezas, luz que dá vista aos cegos, língua que solta as línguas e abre os ouvidos, caminho que endireita os coxos, vida que ressuscita os mortos. Todos os remédios que a humanidade necessita, se encontram na minha Vida e Paixão, mas as criaturas desprezam a medicina e não se tratam com os remédios, e por isso, vê-se que com tanta Redenção o homem depaupera, como afetado por uma tísica incurável. Mas, aquilo que mais Me faz sofrer é ver as pessoas religiosas, que se afadigam para adquirir doutrinas, especulações, histórias e da Minha Paixão nada; de modo que a Minha Paixão, muitas vezes, é desterrada das igrejas, da boca dos sacerdotes, por isso o seu falar é sem luz e os povos ficam com mais fome que antes.»" - Vol. 13, 21 de Outubro de 1921



A sepultura de Cristo. 1559. Tiziano Vecelli
A sepultura de Cristo. 1559. Tiziano Vecelli

Exortação do Padre Aníbal

O P. Aníbal, no Prefácio às 24 Horas da Paixão, faz uma Exortação a todas as almas consagradas: sacerdotes, religiosos e religiosas, a tantas almas que se consagraram ao serviço de Deus, e podíamos dizer a todos os batizados:

«O almas, que amais a Jesus Cristo, ó almas que fazeis profissão de vida espiritual, e vós, especialmente, Esposas de Cristo, consagradas a Ele pelos votos ou pertencendo a Ordens Religiosas, considerai, depois de tudo o que foi dito, o quanto agradais ao Coração Santíssimo de Jesus fazendo estas Horas da Paixão. Foi para vós, especialmente, que Nosso Senhor inspirou este Relógio da Paixão àquela Alma silenciosa e contemplativa, que desde há tantos anos o faz com grande proveito, para ela e para toda a S. Igreja. Para vós estão reservadas graças especiais se vos afeiçoardes a este santo exercício diário e penetrardes nos próprios sentimentos e disposições da Alma que o escreveu e o pratica desde há anos.

Dos sentimentos tão íntimos e das disposições tão amorosas desta Alma, vós passareis aos sentimentos e às disposições de Jesus Cristo Nosso Senhor, nas 24 Horas nas quais sofria por nosso amor. E é impossível que, neste exercício de compaixão, a alma não se encontre com Maria, Mãe Dolorosa, e não se una à compaixão e aos afetos incompreensíveis da Dolorosa Mãe de Deus! Será um viver com Jesus sofredor e com Maria compassiva, e um recolher de bens imensos e eternos para si e para todos!

Que dizer do grande meio que seria para cada Comunidade Religiosa avançar na santidade, conservar-se, crescer em número de almas eleitas, e ter verdadeira prosperidade? Portanto, quanto empenho não deveria ter cada Comunidade para praticar constantemente este santo exercício! E as almas, desta Comunidade, que, diariamente, se aproximam da Sagrada Mesa, fariam a Santa Comunhão com tal disposição fervorosa e com tal amor a Jesus, que cada Comunhão seria um renovado esponsal da alma com Jesus na mais íntima e crescente união de amor!

Se Jesus, por uma só alma que faça estas Horas, numa cidade, a preservaria de flagelos e por quantas são as palavras deste Relógio doloroso daria graças a tantas almas, o que não poderá esperar uma Comunidade, na qual se pratique este exercício? De quantos defeitos e tibiezas não será curada e preservada? De quantas almas não procurará a santificação e a salvação?

Que bom seria se existisse em cada Comunidade uma alma que se aplicasse a praticá-lo, com mais atenção, durante o dia, mesmo às vezes, no meio das ocupações diárias e à tarde e à noite com um pouco de vigília! Se um tal exercício fosse praticado por todas, por turnos, de dia e de noite, seria o auge do divino e o máximo proveito para a Comunidade e para todo o mundo!»

Padre Aníbal Maria di Francia


Como meditar as 24 Horas da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo?

O Padre Aníbal, continuando a Introdução, propõe-nos alguns modos muito úteis para fazer as Horas da Paixão:

«Para alguns parecer-lhes-á uma coisa difícil e até mesmo impossível, fazer estas Horas da Paixão. Alguém poderá dizer: Como é que se pode estar a meditar todos os dias, durante as 24 horas, desde as 5 da tarde de hoje até às cinco da tarde de amanhã e começar outra vez de novo? Certamente que isto humanamente é impossível. E dizemos humanamente, porque com o auxílio da Graça divina, este exercício contínuo, ininterrupto, foi o que fez e durante tantos anos esta Alma Solitária que as escreveu.

Mas, sem que nós pretendamos tanto, este exercício das 24 Horas pode fazer-se de diversas formas, segundo as condições e as circunstâncias de cada um.

“Fazer” uma Hora da Paixão significa lê-la com atenção, meditá-la, contemplá-la, fazendo interiormente aquilo que esta Alma Solitária faz, e tudo isto para fazer da Paixão a nossa própria vida. Sim, porque não se trata da meditação em geral da Paixão, como quando se meditam os mistérios dolorosos do Santo Rosário ou se lê uma narração daquilo que se passou, por mais eloquente que seja, mas é um modo concreto, específico e eficaz, inspirado pelo próprio Amor de Jesus, de a alma se fundir, antes de mais, com a Vontade Divina para repetir, para refazer continuamente a vida interior, os atos e os sentimentos que Jesus fez e teve no curso da Sua Vida e da Sua Paixão. Portanto, não se trata somente de as meditar, não se trata só de uma devoção mas, trata-se sim de EDUCAR PARA UMA VIDA. Deve ser com esta finalidade que se devem fazer estas Horas.

Em primeiro lugar, é importante decorar o Horário, com o título e o enunciado do conteúdo de cada Hora. Isto servirá para ter presente, interiormente, as diversas Horas durante o dia com os passos da Paixão que lhes correspondem.

Para quem não pode, não é necessário fazer a meditação de uma Hora precisamente naquela hora do dia, por exemplo, a Hora que corresponde das 6 às 7 da manhã pode fazer-se das 6 às 7 da tarde Devem-se meditar todas Horas do princípio ao fim, de acordo com as circunstâncias e condições de cada um, fazendo hoje uma ou mais e amanhã as seguintes, como se pode, até terminar e começar de novo, porém sempre com a intenção de as continuar, ainda que seja só com o enunciado, o título de cada uma, enquanto alguém não se pode retirar ou dedicar-se à meditação.

Outro modo de fazer estas Horas é o de formar e organizar um grupo de quatro, oito ou doze pessoas e dividir por elas o Horário completo, comprometendo-se cada uma a fazer aquelas horas que lhe correspondem nos diversos momentos do dia que possa dispor, e todos os elementos do “grupo”, com a mesma intenção comunitária, de se unirem às intenções uns dos outros. Então, Jesus terá os Seus “Relógios” que nunca param: a Sua Vida e as Suas intenções em ato, nesse grupo! Oh, quantas graças divinas choverão sobre o grupo e sobre cada um dos seus membros e se difundirão para o bem de outros!

De tempos a tempos deverão rodar as diferentes Horas para que cada um, num certo período possa fazer todas as Horas.

Porém, quem estiver interessado e empenhado em fazer, pessoalmente ou comunitariamente, este santo exercício poderá encontrar outros modos válidos de o fazer.»



O que são os Relógios Vivos?

Os Relógios Vivos são grupos formados por 24 pessoas, em que cada uma se compromete a meditar – orar diariamente uma Hora (capítulo) das “24 Horas da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo” a qual lhe é indicada pelo coordenador do Relógio Vivo.


relógio

Como se pode formar um Relógio Vivo?

É muito simples. A pessoa responsável pelo grupo e que deseja formar um Relógio Vivo:

1. Indica uma Hora (capítulo) da Paixão a cada pessoa.

2. Estabelece quando será feita a rotação da Hora que foi indicada a cada pessoa. Esta pode ser feita:

• todos os dias,

• de 8 em 8 dias,

• de 15 em 15 dias

• de mês a mês.

Quando houver 24 pessoas que se comprometam a fazer uma Hora da Paixão, o Relógio Vivo estará formado e funcionará para a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.

De acordo com o tempo estabelecido para fazer a rotação, cada pessoa avança a sua Hora fazendo a Hora seguinte que lhe corresponde. Assim, por exemplo, se a uma pessoa lhe foi confiada a Hora das 5 às 6 da tarde (Jesus despede-se da Sua Mãe Santíssima), o dia em que for feita a rotação, fará a Hora seguinte, ou seja das 6 às 7 da tarde (Jesus separa-se da Sua Mãe Santíssima).

Ao início, o Relógio pode não estar completo, podendo começar apenas com algumas pessoas, que desejam fazer parte do Relógio Vivo.

Este ficará completo quando forem 24 pessoas. À medida que forem aparecendo mais pessoas vão-se integrando no Relógio Vivo até completar as 24 pessoas necessárias para formar um Relógio Vivo.


Quanto tempo me pode levar a fazer uma Hora da Paixão?

O tempo que levará a fazer uma das Horas da Paixão não nos deve preocupar. Muitas das Horas podem levar, apenas, 5 a 10 minutos a lê-la com calma e recolhimento. Algumas pessoas podem ter dificuldade em encontrar o tempo que desejavam para poder fazer a Hora da Paixão completa, sobretudo quando se trata de algumas Horas mais longas, como seria o caso das 11 ao meio-dia (Crucificação de Jesus) se for esse o caso, podem dividir a Hora em dois ou três momentos diferentes do dia, de acordo com as possibilidades de cada um.

E se, ainda querendo fazê-la completa, tal não for possível por falta de tempo ou por causa de imprevistos, pode-se suprir com a reta intenção de tê-la querido fazer se tivesse sido possível, unindo-se à vontade de querer acompanhar sempre Jesus na Sua Paixão.

De facto, na Oração de Preparação, ao início de cada Hora, dizemos assim:

"...e por aquelas Horas que não posso meditar, ofereço-Te a vontade que tenho de as meditar e é minha intenção meditá-las, durante todas aquelas horas em que sou obrigado a ocupar-me dos meus deveres ou a dormir..." (As Horas da Paixão, Oração de Preparação)


menino a ler

Qual é o momento melhor para fazer a Hora da Paixão?

Não é necessário fazer a Hora da Paixão na hora do dia a que corresponde. Por exemplo, se a alguém lhe corresponde fazer a Hora das 3 às 4 da manhã, pode fazê-la em qualquer hora do dia que lhe seja possível ou mais conveniente.

A maior parte das pessoas não pode dispor do seu tempo como quer, seja por causa das obrigações que cada uma possa ter ou então por ser necessário repousar o suficiente, para evitar incorrer numa situação difícil ou até mesmo perigosa se se descuidar o sono. Assim, por exemplo, se uma pessoa acorda todas as noites às 3 da madrugada para fazer a Hora da Paixão, no dia seguinte poderá ter dificuldade para se manter desperta e chegar a causar algum acidente se, por um só instante, se deixar dormir. Ou então, se uma pessoa trabalha não pode fazer uma pausa no seu trabalho, pois poderia incorrer numa falta grave que a levaria a ser despedida do trabalho.

Por isso, não importa a situação em que alguém se encontra, podemos colocar a intenção de fazer a Hora da Paixão que nos corresponde, ainda quando não a podemos fazer durante alguns dias, por uma força de maior.

De facto, na Oração de Preparação, antes de cada Hora, rezamos assim:

"...E por aquelas que não posso meditar, ofereço-Te a vontade e o desejo que tenho de as meditar em todas as horas que sou obrigado a aplicar-me aos meus deveres ou a dormir..." (As Horas da Paixão, Oração de preparação para antes de cada Hora)

Isto refere-se também àqueles dias nos quais, por circunstâncias particulares, de doença ou então por ocupações de força maior, alguém se vê obrigado a não poder fazer a Hora da Paixão que lhe corresponde.


As orações iniciais e finais

Aconselha-se a fazer sempre um momento de preparação antes de rezar, quer seja a Hora da Paixão ou qualquer outra oração. A alma deve pedir a Deus que a sua oração seja do seu agrado e para isto pede-Lhe a sua ajuda, para que, de facto, assim seja; retifica a intenção pela qual quer rezar e oferece-Lhe a sua oração.

Portanto, se desejamos que a nossa oração seja verdadeiramente agradável a Nosso Senhor, e de proveito para muitas almas, incluindo a nossa, é aconselhável fazer, sempre que nos seja possível, a Oração de Preparação para antes de cada Hora.

De facto, na Oração de Preparação para cada Hora pedimos a Nosso Senhor:

“...e, para Te agradar ainda mais, tomo os Teus pensamentos, a Tua língua, o Teu Coração e com eles pretendo rezar, fundindo-me inteiramente na Tua Vontade e no Teu Amor” (As Horas da Paixão, Oração de Preparação para antes de cada Hora)

Quanto mais unidos estamos à Vontade de Deus, fazendo nossas as suas intenções, a sua Vontade, convidando-O a rezar em nós, mais as nossas orações terão o mesmo valor que as orações que Nosso Senhor Jesus Cristo fez por nós.

O mesmo se diga para a Oração de Ação de Graças para depois de cada Hora. Na Santa Missa, na oração do Prefácio dizemos: "É verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças sempre e em toda a parte..."  Por isso é mesmo aconselhável fazer esta oração.

Com esta oração, não só damos graças a Nosso Senhor, mas, ao mesmo tempo, pedimos-Lhe e afirmamos que queremos continuar a reparar com Ele, durante todo o dia, e isto para participar com Ele na sua Paixão, e ao mesmo tempo para a salvação de todas as almas.

"... Procurei seguir-Te em tudo e agora, tendo de Te deixar para me dedicar às minhas ocupações habituais, sinto o dever de Te dizer “obrigado”, e “bendigo-Te” (As Horas da Paixão, Oração de Acção de Graças para depois de cada Hora)


O que são as Reflexões Práticas?

As Reflexões Práticas constituem uma verdadeira Imitação de Cristo de grande valor, porque nos levam a identificar aqueles pontos nos quais devemos ir melhorando a nossa atitude e comportamento cristão; também são de grande auxílio para aprender a viver na Divina Vontade de acordo com a doutrina que encontramos nos escritos da Serva de Deus Luísa Piccarreta.

Nota: As Reflexões Práticas foram escritas pela Serva de Deus Luísa Piccarreta e retocadas pelo P. Aníbal para lhe dar um certo estilo. Esta é a opinião de vários estudiosos naquilo que se refere aos escritos de Luísa Piccarreta.


Quais são as 24 Horas da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo?

Oração antes de cada Hora

Ó meu Senhor Jesus Cristo, prostrado na tua presença divina, suplico ao Teu amorosíssimo Coração que me admita à dolorosa meditação das 24 Horas da Tua Paixão, durante as quais, por nosso amor, tanto sofreste no Teu corpo adorável e na Tua alma santíssima, até à morte de cruz. Ajuda-me e dá-me graça, amor, profunda compaixão e compreensão dos Teus sofrimentos, enquanto agora medito a Hora ____.

E por aquelas Horas que não posso meditar, ofereço-Te a vontade e o desejo que tenho de as meditar em todas as horas que sou obrigado a aplicar-me aos meus deveres ou a dormir.

Ó misericordioso Senhor, aceita a minha amorosa intenção e faz com que seja de proveito para mim e para todos, como se realmente e santamente fizesse quanto eu desejaria praticar.

Entretanto dou-Te graças, ó meu Jesus, que por meio da oração me chamas à união conTigo e, para Te agradar ainda mais, tomo os Teus pensamentos, a Tua língua, o Teu Coração e com eles pretendo rezar, fundindo-me inteiramente na Tua Vontade e no Teu Amor e, estendendo os braços para Te abraçar apoio a minha cabeça no Teu Coração e começo.


1.º Hora - Das 5 às 6 da tarde: Jesus despede-se de sua Mãe.

2.º Hora - Das 6 às 7 da tarde: Jesus separa-se da sua Mãe e vai para o Cenáculo.

3.º Hora - Das 7 às 8 da noite: A Ceia segundo a Lei.

4.º Hora - Das 8 às 9 da noite: A Ceia Eucarística.


Oração de Preparação para antes de cada Hora de agonia no Horto do Getsémani.

Ó meu Jesus, Divino Redentor, leva-me conTigo e com os Teus três caros Apóstolos, para assistir à Tua agonia no Horto do Getsémani. Advertida pela doce repreensão que Tu deste a Pedro e aos outros Discípulos adormecidos, quero vigiar, ao menos, uma hora contigo no Getsémani; quero sentir ao menos uma dilaceração do Teu coração agonizante, um hálito da Tua respiração aflita. Quero fixar o meu olhar sobre o Teu rosto divino e contemplar como empalidece, se perturba, se angustia e se curva até ao chão.

Ó meu Jesus sofredor, vejo, agora, como a Tua pessoa vacila de um lado para o outro e por fim cai, como as Tuas mãos endurecidas se entrelaçam. Começo a ouvir os gemidos, os gritos de amor e de dor incompreensível que elevas ao Céu. Ó meu Jesus agonizante no Horto do Getsémani, nesta hora em que Te faço companhia, faz correr sobre mim, um regato, uma aspersão daquele adorável sangue que corre, como torrentes, de todos os Teus membros adoráveis.

Ó rio de sangue preciosíssimo do meu Sumo Bem, que agoniza por mim, que eu te sorva, te beba até à última gota, e contigo sorva e beba um sorvo, ao menos, do cálice amargo do Dileto, e sinta dentro de mim as penas do Seu Divino Coração, antes, sinta partir-se-me o coração pelo arrependimento por ter ofendido o meu Senhor, que por mim passa por uma agonia de morte.

Ah, meu Jesus! Dá-me a graça, ajuda-me a sofrer, a suspirar e a chorar conTigo, ao menos uma só hora no Jardim das Oliveiras!

Ó Maria, Mãe Dolorosa, faz-me sentir a compaixão do Teu coração trespassado, por Jesus agonizante no Getsémani. Assim seja.


5.º Hora - Das 9 às 10 da noite: Primeira hora de agonia no Horto do Getsémani.

6.º Hora - Das 10 às 11 da noite: Segunda hora de agonia no Horto do Getsémani.

7.º Hora - Das 11 à meia-noite: Terceira hora de agonia no Horto do Getsémani.


Oração de Agradecimento para depois de cada hora de agonia no Horto do Getsémani.

Ó meu dulcíssimo Senhor, eu Te dou graças, porque Te dignastes ter-me na Tua companhia, por um momento, na Tua tremenda agonia no Horto. Ai, ó meu Bom Jesus, como foi pouco o conforto que pudeste encontra em mim! Mas, o Teu Amor infinito e a super-abundância da caridade do Teu piedoso Coração, levam-Te a encontrar alívio, mesmo no mínimo ato de compaixão que a criatura Te demonstra. Ah, nunca mais se me apagará da vista a tua adorável pessoa a tremer, abatida, humilhada no pó e toda cheia de suor de sangue no horror profundo do Getsémani.

Ó Jesus, eu experimentei, que o estar conTigo no sofrimento, o sentir também uma gota da amargura angustiante do Teu Divino Coração, é a sorte maior que se pode ter sobre esta terra.

Ó Jesus, com generosidade renuncio às coisas terrenas e passageiras; só Te quero a Ti, ó meu Senhor oprimido, sofredor e aflito. Do Horto ao Calvário, quero fazer-Te fiel e doce companhia.

Ó Jesus, faz-me prender e, comparecer conTigo nos tribunais; faz-me tomar parte nos ultrajes, nos insultos, nos escarros, nos socos com os quais os teus inimigos Te cobrirão. Conduz-me, conTigo, de Pilatos para Herodes e de Herodes para Pilatos.

Prende-me, contigo, à coluna e faz-me sentir uma parte dos Teus flagelos; Jesus, dá-me alguns dos teus espinhos para que me trespassem. Faz com que eu seja condenada, conTigo, a morrer crucificada: Tu como vítima de amor por mim, e eu como Tua vítima de expiação pelos meus pecados. Dá-me a sorte do Cireneu, para Te seguir até ao Calvário, e ali faz com que eu seja pregada sobre a Cruz e conTigo agonize e morra.

Ó Mãe Dolorosa, que me ajudaste a ter compaixão de Jesus agonizante no Horto, ajuda-me a estar conTigo crucificada sobre a mesma Cruz de Jesus, e de Lhe saber oferecer as mais dignas reparações com os próprios méritos da Sua Paixão e Morte de Cruz. Assim seja.


8.º Hora - Da meia-noite à 1 hora da madrugada: A prisão de Jesus.

9.º Hora - Da 1 às 2 da madrugada: Jesus é lançado do precipício e cai na torrente Cedron.

10.º Hora - Das 2 às 3 da madrugada: Jesus é apresentado a Anás.

11.º Hora - Das 3 às 4 da madrugada: Jesus em casa de Caifás.

12.º Hora - Das 4 às 5 da madrugada: Jesus nas mãos dos soldados.

13.º Hora - Das 5 às 6 da madrugada: Jesus na prisão.

14.º Hora - Das 6 às 7 da manhã: Jesus diante de Caifás, que confirma a condenação à morte e O envia a Pilatos.

15.º Hora - Das 7 às 8 da manhã: Jesus diante de Pilatos que O manda a Herodes.

16.º Hora - Das 8 às 9 da manhã: Jesus é enviado a Pilatos e proposto a Barrabás. Jesus é flagelado.

17.º Hora - Das 9 às 10 da manhã: Jesus é coroado de espinhos. Apresentado ao Povo e condenado à morte.

18.º Hora - Das 10 às 11 da manhã: Jesus pega na Cruz e vai para o Calvário, onde é despido.

19.º Hora - Das 11 ao meio-dia: Jesus é crucificado.

20.º Hora - Do meio-dia à 1 da tarde: Primeira hora de agonia sobre a Cruz. Primeira Palavra de Jesus.

21.º Hora - Da 1 às 2 da tarde: Segunda hora de agonia sobre a Cruz. Segunda, terceira e quarta Palavra de Jesus.

22.º Hora - Das 2 às 3 da tarde: Terceira hora de agonia sobre a Cruz. Quinta, sexta, sétima, sexta, sétima Palavra de Jesus. A morte Jesus.

23.º Hora - Das 3 às 4 da tarde: Jesus morto é trespassado com a lança do soldado. Jesus é descido da Cruz.

24.º Hora - Das 4 às 5 da tarde: A sepultura de Jesus. Maria Santíssima desolada.


Oração de agradecimento depois de cada Hora.

Meu Jesus, Tu chamaste-me nesta Hora da Tua Paixão a fazer-Te companhia e eu vim. Parecia-me que Te ouvia, angustiado e sofredor, a pedir, a reparar e a sofrer, e com as vozes mais comovedoras e eloquentes pedir a salvação das almas.

Procurei seguir-Te em tudo e agora, tendo de Te deixar para me dedicar às minhas ocupações habituais, sinto o dever de Te dizer “obrigado”, e “bendigo-Te”.

Sim, ó Jesus, repito-Te “obrigado” milhares de vezes e “bendigo-Te” por tudo o que fizeste e sofreste por mim e por todos. “Obrigado” e “bendigo-Te” por cada gota de Sangue que derramaste, por cada respiro, palpitação, passo, palavra, olhar, amargura e ofensa que suportaste. Por tudo, ó meu Jesus, Te digo um “obrigado” e um “bendigo-Te”.

Ó Jesus, faz com que de todo o meu ser brote uma corrente contínua de gratidão e de bênçãos, de forma a atrair sobre mim e sobre todos a corrente das Tuas bênçãos e graças. Ó Jesus, aperta-me ao Teu Coração e com as Tuas mãos santíssimas marca cada partícula do meu ser com o Teu “bendigo-Te”, para que de mim brote um hino contínuo de louvor a Ti.

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