8.ª Hora da Paixão: A prisão de Jesus.
- Cláudia Pereira
- há 2 horas
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Oração antes de cada Hora
Ó meu Senhor Jesus Cristo, prostrado na tua presença divina, suplico ao Teu amorosíssimo Coração que me admita à dolorosa meditação das 24 Horas da Tua Paixão, durante as quais, por nosso amor, tanto sofreste no Teu corpo adorável e na Tua alma santíssima, até à morte de cruz. Ajuda-me e dá-me graça, amor, profunda compaixão e compreensão dos Teus sofrimentos, enquanto agora medito a oitava Hora.
E por aquelas Horas que não posso meditar, ofereço-Te a vontade e o desejo que tenho de as meditar em todas as horas que sou obrigado a aplicar-me aos meus deveres ou a dormir.
Ó misericordioso Senhor, aceita a minha amorosa intenção e faz com que seja de proveito para mim e para todos, como se realmente e santamente fizesse quanto eu desejaria praticar.
Entretanto dou-Te graças, ó meu Jesus, que por meio da oração me chamas à união contigo e, para Te agradar ainda mais, tomo os Teus pensamentos, a Tua língua, o Teu Coração e com eles pretendo rezar, fundindo-me inteiramente na Tua Vontade e no Teu Amor e, estendendo os braços para Te abraçar apoio a minha cabeça no Teu Coração e começo.
8.ª Hora da Paixão: A prisão de Jesus - Das meia-noite à 1 da madrugada.
Memória dos Escritos de Luísa: 16 de Novembro de 1921, Vol. 13
Jesus fazia-se ver todo preso; presas as mãos, os pés, a vida; do pescoço pendia-lhe uma dupla corrente de ferro, mas, estava de tal maneira preso que a Sua Divina Pessoa não se podia mexer. Que dura posição, de fazer chorar até mesmo as pedras, e o meu sumo bem Jesus disse-me:
«Minha filha, durante a Minha Paixão todas as penas estavam ao desafio, quase como sentinelas armadas, para Me fazerem o pior, para se gabarem de que uma tinha sido mais valente que a outra, mas mudavam, e uma dava o lugar à outra; mas as cordas nunca mas tiraram, desde que Me prenderam, até ao monte Calvário estive sempre preso, antes, acrescentavam sempre mais cordas e correntes com o medo que Eu pudesse fugir e para troçarem mais de Mim. Mas, quantas dores, confusões, humilhações e quedas Me provocavam estas correntes!
Mas, porém, deves saber que, nestas correntes existia grande mistério e expiação. O homem ao começar a cair no pecado fica preso pelas correntes do seu próprio pecado. E Eu, para quebrar as suas correntes, quis ser preso e nunca quis estar sem as correntes, para ter as Minhas sempre prontas para quebrar as suas.»
MEDITAÇÃO

Ó meu Jesus, já é meia-noite. Sentes que os inimigos se aproximam e tu, recompondo-te e secando o sangue, fortalecido pelos consolos recebidos, voltas para junto dos teus discípulos, chamas-os, admoestas-os, levá-los contigo e vais ao encontro dos inimigos, querendo reparar com a tua prontidão a minha lentidão, apatia e preguiça em agir e sofrer por amor a ti.
A traição de Judas

Mas, ó doce Jesus, meu Bem, que cena comovente vejo! Encontras primeiro o pérfido Judas, que, aproximando-se de ti e lançando-te os braços ao pescoço, te saúda e te beija. E tu, Amor infinitíssimo, não desdenhas beijar aqueles lábios infernais, abraças-o e apertas-o contra o teu coração, querendo arrancá-lo do inferno, dando-lhe sinais de um novo amor.
Meu Jesus, como é possível não te amar? É tanta a ternura do teu amor, que deveria arrancar cada coração para te amar. No entanto, não te amam. Meu Jesus, neste beijo de Judas, repara as traições, as simulações, os enganos sob o aspeto de amizade e de santidade, especialmente dos sacerdotes. O teu beijo, depois, manifesta que a nenhum pecador, desde que venha a ti humilhado, recusarias o teu perdão.
Meu Jesus tão terno, já te entregas nas mãos dos inimigos, dando-lhes poder para te fazerem sofrer o que eles quiserem. Também eu, ó meu Jesus, entrego-me nas tuas mãos, para que possas fazer de mim o que mais te agrada, e junto contigo quero seguir a tua Vontade, as tuas reparações e sofrer as tuas dores. Quero estar sempre ao teu lado, para que não haja ofensa que eu não repare, amargura que eu não adoce, cuspidelas e bofetadas que recebas que não sejam seguidas de um beijo e carinho meus. Nas quedas que sofreres, as minhas mãos estarão sempre prontas para te ajudar a levantar-te.
Por isso, quero estar sempre contigo, ó meu Jesus, nem por um minuto quero deixar-te sozinho. E para ter mais certeza, coloca-me dentro de ti e eu ficarei na tua mente, nos teus olhares, no teu coração e em todo o teu ser, para que o que tu fazes eu também o possa fazer. Assim, poderei fazer-te fiel companhia e nada das tuas dores me escapará, para te dar, por tudo, a minha retribuição de amor. Meu doce Bem, ficarei ao teu lado para te defender, para aprender os teus ensinamentos, para contar uma a uma todas as tuas palavras.

Ah! Como me toca profundamente no coração a palavra que dirigiste a Judas:
«Amice, ad quid venisti?» (1)
E sinto que também a mim diriges a mesma palavra, não me chamando amiga, mas com o doce nome de filha, [dizendo-me:] «Filia, ad quid venisti?» (2) para te ouvir responder: “Jesus, venho para te amar”. «Ad quid venisti?», repetes-me, se acordo de manhã. «Ad quid venisti?», se rezo. «Ad quid venisti?», repetes-me desde a Sagrada Hóstia, quando trabalho, quando como, quando sofro, quando durmo. Que belo apelo para mim e para todos!
Mas quantos, ao teu «Ad quid venisti?», respondem: “Venho para te ofender!”. Outros, fingindo não te ouvir, entregam-se a todo o tipo de pecados e respondem ao teu «Ad quid venisti?» indo para o inferno. Quanto te compadeço, ó meu Jesus! Gostaria de pegar nas mesmas cordas com que os teus inimigos estão prestes a amarrar-te, para amarrar essas almas e poupar-te essa dor.
Mas, de novo, ouço a tua voz tão terna que diz, enquanto vais ao encontro dos teus inimigos:
«A quem buscais?»
E eles respondem:
«A Jesus, o Nazareno».
E tu lhes dizes:
«Ego sum». (3)

Com esta única palavra, dizes tudo e te dás a conhecer pelo que és, de tal forma que os inimigos tremem e caem como mortos no chão. E tu, ó Amor sem igual, com outro «Ego sum», os trazes de volta à vida e te entregas, por tua própria vontade, ao poder dos inimigos.
Jesus é amarrado e acorrentado

Oh, que perfídia e ingratidão! Em vez de se prostrarem humildes e comovidos aos teus pés para te pedir perdão, abusando da tua bondade e desprezando graças e prodígios, lançam-te as mãos, e com cordas e correntes amarram-te, apertam-te, atiram-te ao chão, pisam-te, arrancam-te os cabelos. E tu, com paciência inaudita, calas-te, sofres e reparas as ofensas daqueles que, apesar dos milagres, não se rendem à tua graça e se obstinam ainda mais. Com as cordas e as correntes, imploras ao Pai a graça de quebrar as correntes das nossas culpas e de nos ligares com a doce corrente do amor.
E corriges amorosamente Pedro, que quer defender-te, chegando mesmo a cortar a orelha de Malco. Pretendes reparar com isso as boas obras não realizadas com santa prudência, ou que, por excesso de zelo, caem na culpa.
Meu Jesus infinitamente paciente, estas cordas e estas correntes parecem conferir algo de mais belo à tua divina pessoa: a tua testa torna-se mais majestosa, a ponto de atrair a atenção dos teus próprios inimigos; os teus olhos irradiam mais luz; o teu rosto divino assume uma paz e uma doçura supremas, capazes de fazer apaixonar até os teus próprios algozes. Com os teus acentos suaves e penetrantes, embora poucos, fazes-lhes tremer, tanto que, se se atrevem a ofender-te, é porque tu mesmo o permites.
Ó Amor acorrentado e amarrado, poderás alguma vez permitir que tu estejas preso por mim, demonstrando ainda mais amor por mim, e que eu, a tua pequena filha, fique sem correntes? Não, não. Pelo contrário, amarra-me com as tuas próprias cordas e correntes, com as tuas mãos santíssimas. Por isso, peço-te que, enquanto beijo a tua fronte divina, amarres todos os meus pensamentos, os olhos, os ouvidos, a língua, o coração, os meus afetos e toda a minha pessoa, e, ao mesmo tempo, amarres todas as criaturas, para que, sentindo a doçura das tuas correntes amorosas, não ousem mais ofender-te.

Meu doce Bem, já é uma hora. A mente começa a adormecer. Farei o possível para me manter acordada. Mas se o sono me surpreender, entrego-me a ti para te seguir naquilo que fazes, ou melhor, tu próprio o farás por mim. Em ti deixo os meus pensamentos para te defender dos teus inimigos, a minha respiração para te cortejar e fazer-te companhia, o meu batimento cardíaco para te dizer sempre “Amo-te” e para te compensar do amor que os outros não te dão, as gotas do meu sangue para te proteger e para te devolver as honras e a estima que te tiraram com insultos, escarros e bofetadas.
Meu Jesus, dá-me um beijo, abraça-me e abençoa-me; e, se quiseres que eu adormeça, faz-me dormir no teu adorável coração, para que, pelos teus batimentos acelerados pelo amor, ou sofridos, eu possa ser frequentemente despertada, para nunca interromper a nossa companhia. Assim ficamos entendidos, ó Jesus.
(1) «Amigo, a que vieste?» - Mt 26, 50)
(2) Filha, porque vieste?
(3) «Sou Eu» - Jo 18, 5
REFLEXÕES PRÁTICAS
Jesus entregou-se prontamente nas mãos dos inimigos, vendo neles a Vontade do Pai.
Perante os enganos das criaturas, perante as traições, estamos nós prontos a perdoar como Jesus perdoou? Todo o mal que recebemos das criaturas, aceitamo-lo inteiramente das mãos de Deus? Estamos nós prontos para fazer tudo o que Jesus quer de nós? Nas cruzes, nas provações, podemos dizer que a nossa paciência imita a de Jesus?
Meu Jesus acorrentado, que as tuas correntes prendam o meu coração e o mantenham firme, para que esteja pronto a sofrer o que Tu quiseres.
Oração de agradecimento depois de cada Hora.
Meu Jesus, Tu chamaste-me nesta Hora da Tua Paixão a fazer-Te companhia e eu vim. Parecia-me que Te ouvia, angustiado e sofredor, a pedir, a reparar e a sofrer, e com as vozes mais comovedoras e eloquentes pedir a salvação das almas.
Procurei seguir-Te em tudo e agora, tendo de Te deixar para me dedicar às minhas ocupações habituais, sinto o dever de Te dizer “obrigado”, e “bendigo-Te”.
Sim, ó Jesus, repito-Te “obrigado” milhares de vezes e “bendigo-Te” por tudo o que fizeste e sofreste por mim e por todos. “Obrigado” e “bendigo-Te” por cada gota de Sangue que derramaste, por cada respiro, palpitação, passo, palavra, olhar, amargura e ofensa que suportaste. Por tudo, ó meu Jesus, Te digo um “obrigado” e um “bendigo-Te”.
Ó Jesus, faz com que de todo o meu ser brote uma corrente contínua de gratidão e de bênçãos, de forma a atrair sobre mim e sobre todos a corrente das Tuas bênçãos e graças. Ó Jesus, aperta-me ao Teu Coração e com as Tuas mãos santíssimas marca cada partícula do meu ser com o Teu “bendigo-Te”, para que de mim brote um hino contínuo de louvor a Ti.
Hora da Paixão A prisão de Jesus
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Que Deus vos proteja e abençoe por toda a eternidade.




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