6.ª Hora da Paixão: A Segunda hora de agonia no Horto do Getsémani.
- Cláudia Pereira
- 2 de mai.
- 14 min de leitura
6.ª Hora da Paixão
Das 10 às 11 horas da noite
Oração antes de cada Hora
Ó meu Senhor Jesus Cristo, prostrado na tua presença divina, suplico ao Teu amorosíssimo Coração que me admita à dolorosa meditação das 24 Horas da Tua Paixão, durante as quais, por nosso amor, tanto sofreste no Teu corpo adorável e na Tua alma santíssima, até à morte de cruz. Ajuda-me e dá-me graça, amor, profunda compaixão e compreensão dos Teus sofrimentos, enquanto agora medito a sexta Hora.
E por aquelas Horas que não posso meditar, ofereço-Te a vontade e o desejo que tenho de as meditar em todas as horas que sou obrigado a aplicar-me aos meus deveres ou a dormir.
Ó misericordioso Senhor, aceita a minha amorosa intenção e faz com que seja de proveito para mim e para todos, como se realmente e santamente fizesse quanto eu desejaria praticar.
Entretanto dou-Te graças, ó meu Jesus, que por meio da oração me chamas à união contigo e, para Te agradar ainda mais, tomo os Teus pensamentos, a Tua língua, o Teu Coração e com eles pretendo rezar, fundindo-me inteiramente na Tua Vontade e no Teu Amor e, estendendo os braços para Te abraçar apoio a minha cabeça no Teu Coração e começo.
Oração de Preparação para antes de cada hora de agonia no Horto do Getsémani
Ó meu Jesus, Divino Redentor! Leva-me contigo, juntamente com os Teus três queridos Apóstolos, para assistir à Tua agonia no Horto das Oliveiras. Advertida pela doce repreensão que dirigiste a Pedro e aos outros dois discípulos adormecidos, quero vigiar pelo menos uma hora contigo no Getsémani; quero sentir pelo menos uma dilaceração no Teu coração agonizante, um sopro da Tua respiração ofegante. Quero fixar o meu olhar no Teu rosto divino e contemplar como Ele empalidece, como se perturba, como se agita, como se curva até ao pó.
Já vejo, ó meu Jesus sofredor, como a Tua pessoa vacila e cai, ora de um lado, ora do outro, como as Tuas mãos amorosas e rígidas se entrelaçam. Começo a ouvir os gemidos, os gritos de amor e de dor incompreensível que elevas ao céu. Ó meu Jesus, agonizante no sombrio Horto do Getsémani, faz com que corra sobre mim, nesta hora em que Te farei companhia, um riacho, um jato daquele sangue adorável que corre como torrentes de todos os Teus adoráveis membros. Ó, banho preciosíssimo do meu Sumo Bem que por mim agoniza! Por favor! Que eu o sugue, o beba até à última gota, e contigo sorva e beba pelo menos um gole do cálice amargo do Amado, e sinta dentro de mim as dores do Seu coração divino, ou melhor, sinta o meu coração partir-se pelo arrependimento de ter ofendido o meu Senhor, que por mim se reduz à agonia da morte.
Ah, meu Jesus! Dá-me a graça, dá-me a força para sofrer, suspirar e chorar contigo, pelo menos uma única hora no Horto das Oliveiras!
Ó Mãe Maria Dolorosa, faz-me sentir a compaixão do Teu coração traspassado por Jesus agonizante no Getsémani. Assim seja.
Meditemos a 6.ª Hora da Paixão, das 10 às 11 horas da noite, em que Jesus passa pela Sua segunda hora de agonia no Horto do Getsémani.
Memória dos Escritos de Luísa: 25 de Novembro de 1909, Vol. 9
«Minha filha, os homens apenas puderam operar na parte exterior da Minha Humanidade, e o Amor eterno operou em todo o Meu interior, deste modo, na Minha agonia, não os homens, mas o Amor eterno, imenso, incalculável e oculto, abriu-Me chagas profundas, trespassou-Me com cravos de fogo, coroou-Me com espinhos abrasadores, saciou-Me a sede com fel ardente; assim, a Minha pobre Humanidade não podendo suportar todos estes martírios, ao mesmo tempo, transbordou para fora copiosos rios de sangue, contorcia-se e chegou mesmo a dizer aquilo que não disse no resto da Paixão: “Pai, se é possível passe de Mim este cálice; porém não se faça a Minha, mas a Tua Vontade”.»

MEDITAÇÃO
Ó meu doce Jesus, já passou uma hora desde que Te chegaste a este Horto. O amor assumiu a primazia em tudo, fazendo-Te sofrer de uma só vez, tudo o que os carrascos Te farão sofrer ao longo de toda a Tua dolorosíssima paixão; mais ainda, ele suplanta e chega a fazer-Te sofrer aquilo que eles não Te conseguem infligir, nas partes mais íntimas da Tua Divina Pessoa.
Ó meu Jesus, já Te vejo a cambalear nos passos, e, no entanto, queres caminhar. Diz-me, ó meu Bem, para onde queres ir? Ah, já percebi! Para encontrar os Teus amados discípulos. Eu também quero acompanhar-Te, para que, se cambaleares, eu Te sustente.
Mas, ó meu Jesus, outra amargura para o Teu coração: eles já dormem, e Tu, sempre misericordioso, chama-los, acorda-los e, com amor todo paternal, admoesta-los e recomendas-lhes a vigília e a oração. E regressas ao Jardim. Mas levas contigo outra punhalada no coração. Nessa dor vejo, ó meu Amor, todas as punhaladas das almas a ti consagradas que, seja por tentação, seja por estado de espírito, seja por falta de mortificação, em vez de se unirem a Ti, de vigiar e rezar, se abandonam a si mesmas e, sonolentas, em vez de progredirem no amor e na união contigo, retrocedem. Como me compadeço de Ti, ó Amante apaixonado! E reparo todas as ingratidões dos Teus mais fiéis. São estas as ofensas que mais entristecem o Teu coração adorável, e é tal e tanta a amargura que Te levam ao delírio.
Mas, ó Amor sem limites, o Teu sangue que já corre nas veias vence tudo e tudo esquece. Vejo-Te prostrado no chão a rezar, a oferecer-Te, a reparar e a procurar glorificar o Pai por todas as ofensas que as criaturas Lhe infligiram. Também eu, ó meu Jesus, me prostro contigo, e contigo pretendo fazer o que Tu fazes.
Mas, ó Jesus, delícia do meu coração, vejo que, em multidões e multidões, todos os pecados, as nossas misérias, as nossas fraquezas, os crimes mais enormes, as ingratidões mais negras vêm ao Teu encontro, lançam-se sobre Ti, esmagam-Te, ferem-Te, mordem-Te. E Tu, o que fazes? O sangue que Te ferve nas veias enfrenta todas estas ofensas, rompe as veias e em largos rios jorra para fora, banha-Te por inteiro, corre para a terra, e dás sangue por ofensas, vida por morte. Ah, Amor, em que estado Te vejo reduzido! Já estás a expirar! Ó meu Bem, minha doce Vida, por favor, não morras! Levanta o rosto desta terra que banhaste com o Teu santíssimo sangue. Vem para os meus braços. Faz com que eu morra no Teu lugar.

Mas então sinto a voz trémula e moribunda do meu doce Jesus, que diz:
«Pai, se for possível, afasta de Mim este cálice; contudo, não se faça a Minha Vontade, mas a Tua».
Já é a segunda vez que ouço isto do meu doce Jesus! Mas o que me queres dizer com este «Pai, se for possível, afasta de Mim este cálice»? Ó Jesus, todas as rebeliões das criaturas se Te apresentam; aquele Fiat Voluntas Tua [1], que devia ser a vida de cada criatura, vê-lo rejeitado por quase todos, e em vez de encontrarem a vida, encontram a morte. E Tu, querendo dar a vida a todos e fazer uma reparação solene ao Pai pela rebelião das criaturas, repetes por três vezes:
«Pai, se for possível, passe de mim este cálice: que são as almas que se perdem por se afastarem da Nossa Vontade. Este cálice é muito amargo para Mim, mas não seja feita a Minha Vontade, mas a Tua».
Mas enquanto dizes isto, é tal e tão grande a Tua amargura que Te reduzes ao extremo, agonizas e estás prestes a dar o último suspiro.
Ó meu Jesus, meu Bem, já que estás nos meus braços, também eu quero unir-me a Ti; quero reparar e compensar todas as faltas e pecados cometidos contra a Tua Santíssima Vontade, e, ao mesmo tempo, rogar-Te para que, em tudo, eu cumpra sempre a tua Santíssima Vontade. Que a Tua Vontade seja a minha respiração, o meu ar; que a Tua Vontade seja a minha pulsação, o meu coração, o meu pensamento, a minha vida e a minha morte.
Mas, por favor, não morras! Para onde irei sem Ti? A quem me dirigirei? Quem me dará mais ajuda? Tudo acabará para mim. Por favor, não me deixes! Mantém-me como quiseres, como mais Te agradar, mas mantém-me contigo, sempre contigo. Que nunca, nem por um instante, eu fique separada de Ti. Deixa-me antes acalmar-Te, proteger-Te e consolar-Te por todos, porque vejo que todos os pecados, sejam eles de que espécie forem, pesam sobre Ti.
Por isso, meu Amor, beijo a Tua Santíssima cabeça. Mas o que vejo? Todos os maus pensamentos. E Tu sentes repulsa por eles. Na Tua Santíssima cabeça, cada mau pensamento é um espinho que Te fere profundamente. Ah, nada tem a ver com a coroa de espinhos que os judeus Te colocarão! Quantas coroas de espinhos Te colocam na Tua cabeça adorável, os maus pensamentos das criaturas, tanto que o sangue escorre por todo o lado, da testa e dos cabelos. Jesus, tenho compaixão de Ti, e gostaria de Te colocar outras tantas coroas de glória. E para Te consolar, ofereço-Te todas as inteligências angelicais e a Tua própria inteligência, para Te dar compaixão e reparação por todos.
Ó Jesus, beijo os Teus olhos misericordiosos e neles vejo todos os olhares maliciosos das criaturas, que fazem correr lágrimas de sangue pelo Teu rosto. Tenho compaixão de ti e gostaria de amenizar a Tua visão, colocando diante de Ti todos os prazeres que se podem encontrar no céu e na terra.
Ó Jesus, beijo os teus olhos misericordiosos e neles vejo todos os olhares maliciosos das criaturas, que fazem correr lágrimas de sangue pelo Teu rosto. Tenho compaixão por Ti e gostaria de amenizar a Tua visão, colocando diante de Ti todos os prazeres que se podem encontrar no céu e na terra.
Jesus, meu Bem, beijo as tuas santíssimas orelhas. Mas, o que ouço? Ouço nelas o eco das blasfémias horrendas, os gritos de vingança e de calúnia. Não há voz que não ressoe no teu castíssimo ouvido. Ó Amor insaciável, tenho pena de ti! E quero consolar-te fazendo ressoar nele todas as harmonias do céu, a voz dulcíssima da querida Mãe, os tons inflamados de Madalena e de todas as almas que te amam!
Jesus, minha Vida, quero imprimir um beijo mais fervoroso no Teu Rosto, cuja beleza não tem igual. Ah, este é o Rosto diante do qual os anjos não ousam levantar o olhar, pois tal e tanta é a beleza que os arrebata! E, no entanto, as criaturas sujam-no com escarros, golpeiam-no com bofetadas e pisam-no sob os pés. Meu Amor, que ousadia! Gostaria tanto de gritar para as pôr em fuga. Tenho compaixão por Ti e, para reparar estes insultos, vou ter com a Santíssima Trindade, pedir o beijo do Pai e do Espírito Santo, as carícias inimitáveis das Suas mãos criadoras. Vou também ter com a Mãe celestial, para que me dê os seus beijos, as carícias das suas mãos maternas, as suas profundas adorações. Vou depois ter com todas as almas consagradas a Ti, e ofereço-Te tudo para reparar as ofensas que se fazem ao Teu Santíssimo Rosto.
Meu doce Amor, beijo a Tua boca tão doce, amargurada por horríveis blasfémias, pela repugnância da embriaguez e da gula, pelas palavras obscenas, pelas orações mal feitas, pelos maus ensinamentos, por tudo o que o homem faz de mal com a língua. Jesus, tenho pena de ti, e quero adoçar a Tua boca oferecendo-Te todos os louvores angelicais e o bom uso que tantos cristãos fazem da língua.
Meu Amor oprimido, beijo o Teu pescoço, e vejo-o sobrecarregado de cordas e correntes pelos apegos e pecados das criaturas. Tenho compaixão por Ti e, para Te aliviar, ofereço-Te a união indissolúvel das Pessoas Divinas. E eu, fundindo-me nesta união, estendo-Te os meus braços e, formando uma doce corrente de amor ao Teu pescoço, quero afastar as cordas dos apegos que quase Te sufocam e, para Te consolar, estreito-Te fortemente ao meu coração.
Forteza Divina, beijo os Teus ombros santíssimos. Vejo-os dilacerados e quase despedaçados, a carne arrancada pelos escândalos e pelos maus exemplos das criaturas. Tenho compaixão por Ti e, para Te levantar, ofereço-Te os teus exemplos santíssimos, os exemplos da Rainha Mãe e os de todos os santos. E eu, ó meu Jesus, fazendo passar os meus beijos por cada uma destas chagas, quero nelas encerrar as almas que, por causa dos escândalos, Te foram arrancadas do Teu coração, e assim fortalecer a carne da Tua santíssima humanidade.
Meu Jesus aflito, beijo o Teu peito que vejo ferido pela frieza, pela tibieza, pela falta de correspondência e pela ingratidão das criaturas. Tenho compaixão por ti e, para Te consolar, ofereço-Te o amor recíproco do Pai e do Espírito Santo, a correspondência perfeita das Três Pessoas Divinas. E eu, ó meu Jesus, mergulhando no Teu amor, quero servir-Te de refúgio para repelir os novos golpes que as criaturas Te lançam com os seus pecados e, tomando o Teu amor, quero feri-las com ele, para que não ousem mais ofender-Te, e quero derramá-lo sobre o Teu peito para Te aliviar e curar.
Meu Jesus, beijo as Tuas mãos criadoras. Vejo todas as más ações das criaturas que, semelhantes a pregos, trespassam as Tuas santíssimas mãos. Assim, não ficas trespassado por três pregos, como na cruz, mas por tantos pregos quantas as más obras que as criaturas cometem. Tenho pena de Ti, e para Te dar alívio ofereço-Te todas as obras santas, a coragem dos mártires em dar o sangue e a vida pelo Teu amor. Quero, enfim, ó meu Jesus, oferecer-Te todas as boas obras para Te retirar os inúmeros pregos das obras más.
Ó Jesus, beijo os Teus pés santíssimos, sempre incansáveis na busca de almas. Neles encerras todos os passos das criaturas, mas sentes que muitas delas Te escapam e desejas alcançá-las. A cada passo mau que dão, sentes que Te cravam um prego, e desejas servir-Te dos mesmos pregos delas para as fixar ao Teu amor. E é tal e tão grande a dor que sentes e o esforço que fazes para as cravar no Teu amor, que tremes todo. Meu Deus e meu Bem, tenho pena de Ti; e para Te consolar, ofereço-Te os passos dos bons religiosos e de todas as almas fiéis, que expõem a sua vida para salvar as almas.
Ó Jesus, beijo o Teu coração. Tu continuas a agonizar, não pelo que os judeus Te farão sofrer, mas pela dor que Te causam todas as ofensas das criaturas.
Nestas horas, queres dar o primeiro lugar ao amor, o segundo lugar a todos os pecados, pelos quais expias, reparas, glorificas o Pai e apaziguas a justiça divina, e o terceiro lugar aos judeus. Assim, mostras que a paixão que os judeus Te farão sofrer não será senão a representação da dupla e amarguíssima paixão que o amor e o pecado Te fazem sofrer. E é por isso que vejo no Teu coração tudo concentrado: a lança do amor, a lança do pecado, e esperas a terceira, a lança dos judeus. E o Teu coração, sufocado pelo amor, sofre movimentos violentos, afetos impacientes de amor, desejos que Te consomem, palpitações ardentes que gostariam de dar vida a cada coração. E é precisamente aqui, no coração, que sentes toda a dor que Te causam as criaturas, as quais, com os seus maus desejos, afetos desordenados, palpitações profanadas, em vez de quererem o teu amor, procuram outros amores.
Jesus, quanto sofres! Vejo-Te desfalecer, submerso pelas ondas das nossas iniquidades. Tenho compaixão por ti e quero amenizar a amargura do Teu coração triplamente traspassado, oferecendo-Te as doçuras eternas e o amor dulcíssimo da querida Mãe Maria e o de todos os que Te amam de verdade.
E agora, ó meu Jesus, faz com que do Teu coração renasça o meu pobre coração, para que não viva mais senão somente com o Teu coração. E em cada ofensa que receberes, faz com que eu esteja sempre pronta a oferecer-Te um alívio, um conforto, uma reparação, um ato de amor nunca interrompido.
[1] Seja feita a tua vontade

REFLEXÕES PRÁTICAS
Na segunda hora do Getsémani, apresentam-se perante Jesus todos os pecados de todos os tempos, passados, presentes e futuros, e Ele toma sobre Si todos esses pecados, para dar ao Pai a glória completa. Jesus Cristo, portanto, expiou, orou e, no seu coração, experimentou todos os nossos estados de espírito, sem nunca interromper a oração. E nós, em qualquer estado de espírito em que nos encontremos, frios, duros, tentados, rezamos sempre? Somos constantes na oração? Damos a Jesus as dores da nossa alma como reparação e como alívio para que Ele possa reproduzir tudo isso em nós, pensando que cada estado de espírito é uma dor para Ele? Como pena de Jesus, devemos colocá-la à sua volta para o compadecer e aliviar, e, se fosse possível, devemos dizer-Lhe: «Tu sofreste demasiado, descansa, nós sofreremos em teu lugar».
Desanimamo-nos, ou permanecemos com coragem aos pés de Jesus, dando-Lhe tudo o que sofremos para que Jesus encontre em nós a Sua própria humanidade? Ou seja, somos nós a humanidade de Jesus? A humanidade de Jesus, o que fazia? Glorificava o seu Pai, expiava, implorava a salvação das almas. E nós, em tudo o que fazemos, encerramos em nós estas três intenções de Jesus, de modo a podermos dizer que encerramos em nós toda a humanidade de Jesus Cristo?
Meu Jesus, para ter compaixão de Ti e poder levantar-Te do abatimento total em que Te encontras, elevo-me até ao céu e faço minha a Tua própria divindade; e, colocando-a à Tua volta, quero afastar de Ti todas as ofensas das criaturas. Quero oferecer-Te a Tua beleza para afastar de Ti a fealdade do pecado; a Tua santidade para afastar o horror de todas aquelas almas que Te causam tanta repugnância, porque estão mortas para a graça; a Tua paz para afastar de Ti as discórdias, as rebeliões e as aflições de todas as criaturas; as Tuas harmonias para reconfortar o Teu ouvido das ondas de tantas vozes maléficas. Meu Jesus, pretendo oferecer-Te tantos atos divinos reparadores quantas as ofensas que Te assaltam, como se quisessem dar-Te a morte, e eu, com os Teus próprios atos, quero dar-Te vida. E depois, ó meu Jesus, quero lançar uma onda da Tua divindade sobre todas as criaturas, para que, ao Teu contacto divino, não ousem mais ofender-Te. Só assim, ó Jesus, poderei compadecer-Me de Ti por todas as ofensas que recebes das criaturas.
Ó Jesus, minha doce Vida, que as minhas orações e as minhas dores se elevem sempre para o céu, para fazer chover sobre todos a luz da graça e absorver em mim a tua própria vida.
Oração de agradecimento após cada hora de agonia no Jardim
Dou-Te graças, ó meu dulcíssimo Senhor, por Te teres dignado a manter-me na Tua companhia durante pelo menos uma hora, na Tua terrível agonia no Jardim. Ai, tão escasso consolo pudeste encontrar em mim, ó meu bom Jesus! Mas o Teu amor infinito e a caridade transbordante do Teu coração misericordioso fazem-Te encontrar alívio, mesmo no mais pequeno ato de compaixão que a criatura Te demonstra. Ah! Nunca mais sairá da minha mente a visão da Tua adorável pessoa trémula, abatida, desolada, humilhada no pó e toda banhada em suor de sangue, no sombrio horror do Getsémani. Eu experimentei, ó Jesus, que estar contigo em sofrimento, sentir até mesmo uma gota da angustiante amargura do Teu Coração Divino, é a maior sorte que se pode ter nesta terra.
Ó Jesus, renuncio generosamente às coisas terrenas e enganosas; só te quero a ti, meu Senhor oprimido, sofredor e aflito. Do Jardim até ao Calvário, quero ser-te sempre uma companhia fiel e doce.
Ó Jesus, faz com que eu seja capturada contigo, arrastada contigo aos tribunais; faz-me parte dos ultrajes, dos insultos, dos escarros, das bofetadas com que os Teus inimigos Te cobrirão. Conduz-me contigo de Pilatos a Herodes, de Herodes a Pilatos. Amarra-me contigo à coluna e faz-me sentir parte dos Teus açoites; dá-me um pouco dos Teus espinhos, Jesus, para que me traspassem. Faz com que, contigo, eu seja condenada a morrer crucificada: Tu como vítima de amor por mim, e eu como Tua vítima expiatória pelos meus pecados.
Dá-me a sorte de Cirene para Te seguir até ao Calvário, e lá faz com que eu seja pregada na Cruz contigo e que agonize e morra contigo.
Ó Mãe Dolorosa, que me ajudaste a compadecer-me de Jesus agonizante no Horto, dá-me força para estar contigo crucificada na mesma cruz de Jesus, e para saber oferecer-Lhe as mais dignas reparações com os próprios méritos da Sua paixão e morte na Cruz. Assim seja.
Oração de agradecimento depois de cada Hora.
Meu Jesus, Tu chamaste-me nesta Hora da Tua Paixão a fazer-Te companhia e eu vim. Parecia-me que Te ouvia, angustiado e sofredor, a pedir, a reparar e a sofrer, e com as vozes mais comovedoras e eloquentes pedir a salvação das almas.
Procurei seguir-Te em tudo e agora, tendo de Te deixar para me dedicar às minhas ocupações habituais, sinto o dever de Te dizer “obrigado”, e “bendigo-Te”.
Sim, ó Jesus, repito-Te “obrigado” milhares de vezes e “bendigo-Te” por tudo o que fizeste e sofreste por mim e por todos. “Obrigado” e “bendigo-Te” por cada gota de Sangue que derramaste, por cada respiro, palpitação, passo, palavra, olhar, amargura e ofensa que suportaste. Por tudo, ó meu Jesus, Te digo um “obrigado” e um “bendigo-Te”.
Ó Jesus, faz com que de todo o meu ser brote uma corrente contínua de gratidão e de bênçãos, de forma a atrair sobre mim e sobre todos a corrente das Tuas bênçãos e graças. Ó Jesus, aperta-me ao Teu Coração e com as Tuas mãos santíssimas marca cada partícula do meu ser com o Teu “bendigo-Te”, para que de mim brote um hino contínuo de louvor a Ti.
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Que Deus vos proteja e abençoe por toda a eternidade.




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