4.ª Hora da Paixão: A Ceia Eucarística
- Cláudia Pereira
- 17 de abr.
- 18 min de leitura
4.ª Hora da Paixão
Das 8 às 9 horas da noite
Oração antes de cada Hora
Ó meu Senhor Jesus Cristo, prostrado na tua presença divina, suplico ao Teu amorosíssimo Coração que me admita à dolorosa meditação das 24 Horas da Tua Paixão, durante as quais, por nosso amor, tanto sofreste no Teu corpo adorável e na Tua alma santíssima, até à morte de cruz. Ajuda-me e dá-me graça, amor, profunda compaixão e compreensão dos Teus sofrimentos, enquanto agora medito a quarta Hora.
E por aquelas Horas que não posso meditar, ofereço-Te a vontade e o desejo que tenho de as meditar em todas as horas que sou obrigado a aplicar-me aos meus deveres ou a dormir.
Ó misericordioso Senhor, aceita a minha amorosa intenção e faz com que seja de proveito para mim e para todos, como se realmente e santamente fizesse quanto eu desejaria praticar.
Entretanto dou-Te graças, ó meu Jesus, que por meio da oração me chamas à união contigo e, para Te agradar ainda mais, tomo os Teus pensamentos, a Tua língua, o Teu Coração e com eles pretendo rezar, fundindo-me inteiramente na Tua Vontade e no Teu Amor e, estendendo os braços para Te abraçar apoio a minha cabeça no Teu Coração e começo.

Meditemos a 4.ª Hora da Paixão, das 8 às 9 horas da noite, em que Jesus celebra a Ceia Eucarística.
Memória dos Escritos de Luísa: 24 de Outubro de 1918, Volume 12
«Minha filha, quis instituir este Sacramento, o último da Minha Vida, para poder colocar ao redor de cada Hóstia, toda a Minha Vida, a fim de que a criatura tivesse todos os meios para Me receber, e como preparação, por cada criatura que Me receberia.
Nunca a criatura Me poderia receber se não tivesse havido um Deus que, tomado por um excesso de amor em se querer dar à criatura, não preparasse tudo; e ela, não Me podendo receber, o mesmo excesso, levava-Me a dar toda a Minha Vida para a preparar, desde modo, colocava os Meus passos, as Minhas obras, o Meu amor, antes dos seus; e como em Mim, existia também a Minha Paixão, colocava também as Minhas penas para a preparar.»
MEDITAÇÃO
Meu amável Amor, sempre insaciável no Teu Amor, vejo que ao terminares a ceia legal com os Teus queridos discípulos, Te levantas da mesa, e unido a eles, elevas o hino de agradecimento ao Pai, por vos ter dado o alimento; com intenção de reparar todas as faltas de gratidão das criaturas, pelos inúmeros meios que Deus nos concede para o sustento da vida corporal. Por isso, ó Jesus, em tudo o que fazes, tocas ou vês, tens sempre nos lábios as palavras: «Graças Te sejam dadas, ó Pai».
Também eu, ó Jesus, unido a Ti, recebo a palavra dos Teus próprios lábios e direi sempre e em tudo: “Obrigado por mim e por todos”, para continuar a reparação pela falta de agradecimento.

O Lava-Pés
Mas, ó meu Jesus, o Teu Amor parece que não conhece descanso. Vejo que fazes sentar de novo os Teus amados discípulos; pegas numa bacia de água, cinges-Te com uma toalha branca e prostras-Te aos pés dos Apóstolos, num gesto tão humilde que chama a atenção de todo o Céu, fazendo-o ficar estático. Os próprios Apóstolos permanecem quase imóveis, ao verem-Te prostrado aos seus pés. Mas, meu Amor, diz-me o que queres? O que pretendes com este ato tão humilde? Humildade que nunca se viu e nunca se verá!
«Ah, meu filho, quero todas as almas. E, prostrado aos seus pés, como pobre mendigo, peço-lhes, importuno-as, e chorando, tramo armadilhas de amor para as conquistar.
Prostrado aos seus pés, com esta bacia de água, misturada com as Minhas lágrimas, quero purificá-las de qualquer imperfeição e prepará-las para Me receberem no Sacramento.
Este ato de Me receber na Eucaristia é-me tão caro, que não quero confiar este ofício aos Anjos, nem mesmo à Minha querida Mãe; Eu mesmo quero purificar, até mesmo as suas fibras mais íntimas, para dispô-las a receber o fruto do Sacramento; e nos Apóstolos pretendia preparar todas as almas.
Pretendo reparar todas as obras santas e a administração dos sacramentos, sobretudo aquelas realizadas pelos sacerdotes com espírito de soberba, desprovidas do espírito divino e de desinteresse. Ah, quantas boas obras me chegam mais para me desonrar do que para me honrar! Mais para me amargar do que para me agradar! Mais para me dar a morte do que para me dar a vida! Estas são as ofensas que mais me entristecem. Ah, sim, minha filha! Enumera todas as ofensas mais íntimas que me são feitas e repara-me com as minhas próprias reparações; consola o meu coração amargurado.»
Ó meu Bem aflito, faço minha a Tua Vida e, juntamente contigo, pretendo reparar todas estas ofensas. Quero entrar nos recantos mais íntimos do Teu Coração Divino e reparar, com o Teu próprio Coração, as ofensas mais íntimas e secretas que recebes dos Teus mais queridos. Quero, ó meu Jesus, seguir-Te em tudo, e junto contigo, quero percorrer todas as almas que Te devem receber na Eucaristia, e entrar nos seus corações, e junto com as Tuas, coloco as minhas mãos para as purificar.
Ó Jesus, com estas Tuas lágrimas e com a água com que lavaste os pés dos apóstolos, lavemos as almas que Te devem receber; purifiquemos os seus corações, inflamemo-los, sacudamos o pó de que estão manchados, para que, ao receber-Te, possas encontrar neles a Tua complacência em vez das Tuas amarguras.
Mas, meu amoroso Bem, enquanto estás totalmente concentrado a lavar os pés dos Apóstolos, olho para Ti e vejo que uma outra dor traspassa o Teu Santíssimo Coração. Estes Apóstolos representam todos os futuros filhos da Igreja, e cada um deles representa a série de todos os males que na Igreja virão a existir, e, portanto, a série de todas as Tuas dores. Nalguns as fraquezas, noutros os enganos, neste as hipocrisias, naquele o amor desmedido pelos interesses, em São Pedro as falhas nas intenções e todas as ofensas dos chefes da Igreja, em São João, as ofensas dos teus mais fiéis, em Judas, os apóstatas com toda a série de graves males que por eles são cometidos. O Teu coração está sufocado pela dor e pelo amor, tanto que, não conseguindo suportar, deténs-Te aos pés de cada Apóstolo e choras em pranto, e rezas e reparas cada uma destas ofensas, e imploras para todos o remédio adequado.
Meu Jesus, também eu me uno a Ti; faço minhas as Tuas orações, as Tuas reparações e os Teus remédios necessários para cada alma. Quero misturar as minhas lágrimas com as Tuas, a fim de que Tu nunca mais fiques sozinho, mas eu esteja sempre contigo, para partilhar as Tuas penas.
Mas, ó meu doce Amor, enquanto continuas a lavar os pés aos Apóstolos, vejo que já estás aos pés de Judas. Ouço a Tua respiração ofegante. Vejo que, não só choras, mas soluças, e enquanto lavas aqueles pés, beija-los, aperta-los ao Teu Coração e, não podendo falar com a voz sufocada pelo pranto, olha-lo com os olhos rasos de lágrimas e dizes-lhe com o coração:
«Meu filho, rogo-te com as vozes das lágrimas, não vás para o Inferno! Dá-Me a tua alma, que prostrado aos teus pés ta peço. Diz, o que queres? O que pretendes? Tudo te darei, contanto que não te percas. Por favor, poupa-Me esta dor, a Mim, teu Deus!»
E voltas a abraçar aqueles pés ao Teu Coração; mas, vendo a dureza de Judas, o Teu Coração aperta-se e sufoca-se e estás prestes a desfalecer. Ó Jesus, minha Vida, permite-me que Te ampare com os meus braços. Compreendo que estes são os Teus estratagemas amorosos, que usas com cada um dos Teus pecadores obstinados.
Ai! Por favor, meu Coração, enquanto te compadeço e reparo as ofensas que recebes das almas que se obstinam em não querer converter-se, percorramos juntos a terra e, onde estiverem pecadores obstinados, demos-lhes as tuas lágrimas para os amolecer, os teus beijos e os teus abraços de amor para os encantar a ti, de modo que não possam escapar-te, e assim, consolar-te da dor da perda de Judas.
Instituição da Santíssima Eucaristia
Meu Jesus, minha alegria e delícia, vejo que o Teu Amor corre, e corre velozmente. Ergues-Te, desolado como estás, e quase corres para a mesa, onde estão preparados o pão e o vinho para a Consagração. Meu Coração, vejo que adquires um aspeto, totalmente novo e nunca visto: a Tua Pessoa Divina assume um aspeto terno, amoroso, afetuoso; os Teus olhos cintilam luz, mais do que se fossem sóis; o Teu rosto está resplandecente; os Teus lábios sorridentes e ardentes de amor; as Tuas mãos criadoras colocam-se em atitude de criar. Vejo-Te, meu Amor, totalmente transformado; a Divindade parece transbordar para fora da Humanidade.
Jesus, meu Coração e minha Vida, este teu aspeto nunca visto, chama a atenção de todos os Apóstolos; são tomados por um doce encanto e nem sequer ousam abrir a boca. A doce Mãe, corre em espírito aos pés do altar, para admirar os portentos do Teu Amor. Os Anjos descem dos céus e perguntam-se uns aos outros: “O que é? O que é? São verdadeiras loucuras, verdadeiros excessos! Um Deus que cria, não o céu e a terra, mas a Si mesmo. E onde? Dentro da matéria vilíssima de um pouco de pão e de vinho”.

Mas, enquanto todos estão ao teu redor, ó Amor insaciável, vejo que tomas o pão nas Tuas mãos, o ofereces ao Pai e ouço a Tua voz dulcíssima que diz:
«Pai Santo, graças Te sejam dadas, que sempre atendes o Teu Filho. Pai Santo, coopera comigo. Tu, um dia, mandaste-Me do Céu à terra para Me encarnar no seio da Minha Mãe, para vir a salvar os Nossos filhos; agora, permite-Me que Me encarne em cada Hóstia, para continuar a sua salvação e ser Vida de cada um dos Meus filhos. Vês, ó Pai: restam-me poucas horas de vida. Quem terá coragem de deixar os meus filhos órfãos e sozinhos? São muitos os seus inimigos: as trevas, as paixões, as fraquezas a que estão sujeitos. Quem os ajudará? Suplico-Te, que Eu permaneça em cada Hóstia, para ser a Vida de cada um, e assim, colocar em fuga os inimigos, e ser para eles Luz, Fortaleza e Auxílio em tudo. De outra forma, para onde irão? Quem os ajudará? As Nossas obras são eternas, o Meu Amor é irresistível: não posso, nem quero abandonar os Meus filhos.»
O Pai enternece-Se com a voz suave e afetuosa do Filho. Desce do Céu; já está junto da mesa, unido ao Espírito Santo, coopera com o Filho. E Jesus, com voz sonora e comovente, pronuncia as palavras da Consagração e, sem deixar de ser Ele mesmo, cria-se a Si mesmo naquele pão e vinho.
Depois, dás a Comunhão aos Teus Apóstolos; e creio que a nossa Mãe Celeste não ficou sem Te receber. Ah, Jesus, os céus inclinam-se e todos Te enviam um ato de adoração no Teu novo estado de profundo aniquilamento.
Mas, ó doce Jesus, enquanto o Teu Amor permanece saciado e satisfeito, não havendo mais nada a fazer, vejo, ó meu Bem, neste altar, todas as Hóstias consagradas que se perpetuarão até ao fim dos séculos; e em cada Hóstia, toda a Tua dolorosa Paixão, porque as criaturas, perante os excessos do Teu Amor, preparam-Te excessos de ingratidão e de crimes enormes. E eu, Coração do meu coração, quero estar sempre contigo em cada Tabernáculo, em todas as píxides e em cada Hóstia Consagrada que se encontrará até ao fim do mundo, para realizar os meus atos de reparação, segundo as ofensas que recebes.
Ó Jesus, contemplo-Te na Hóstia Santa e, como se Te visse na tua adorável Pessoa, beijo a Tua fronte majestosa, mas ao beijar-Te, sinto as pontadas dos Teus espinhos. Ó meu Jesus, nesta Hóstia Santa quantas criaturas não Te dão espinhos! Elas apresentam-se diante de Ti e, em vez de Te prestarem a homenagem dos seus bons pensamentos, enviam-Te os seus maus pensamentos, e Tu baixas novamente a cabeça como fizeste na Paixão, e recebes e toleras os espinhos daqueles pensamentos perversos. Ó meu amor, contigo, também eu abaixo a cabeça, para partilhar as Tuas penas. Coloco todos os meus pensamentos na Tua mente, para afastar estes espinhos que tanto Te ferem, para que cada um dos meus pensamentos percorra cada um dos Teus pensamentos, para Te fazer um ato de reparação por cada pensamento mau, e assim, consolar a Tua mente entristecida.
Jesus, meu Bem, beijo os Teus belos olhos: vejo-Te nesta Hóstia Sagrada com os Teus olhos amorosos, esperando por todos aqueles que se aproximam da Tua presença, para os contemplares com o Teu olhar de amor, e para receberes em troca o seus olhares de amor. Mas quantos vêm à Tua presença, e em vez de Te olharem e procurarem, olham coisas que os distraem e assim Te privam do gosto que sentes na troca de olhares de amor! Tu choras; e eu, beijando-Te, sinto os meus lábios banhados pelas Tuas lágrimas. Meu Jesus, não chores. Quero colocar os meus olhos nos Teus, para partilhar contigo estas Tuas dores e chorar contigo; e, querendo reparar todos os olhares distraídos das criaturas, ofereço-Te os meus olhares sempre fixos em Ti.
Jesus, meu Amor, beijo os Teus Santíssimos Ouvidos; vejo-Te absorvido a ouvir aquilo que as criaturas querem de Ti, para consolá-las. Mas estas, fazem chegar aos Teus ouvidos, preces mal recitadas, cheias de desconfiança, orações feitas por hábito; e o Teu ouvido, nesta Hóstia Sagrada, é mais incomodado do que na Tua própria Paixão. Ó meu Jesus, quero pegar em todas as harmonias do Céu e colocá-las nos Teus ouvidos, para reparar-Te, e quero pôr os meus ouvidos nos Teus, não só para partilhar estas Tuas dores, mas para estar sempre atenta ao que desejas e ao que sofres, para realizar imediatamente o meu ato contínuo de reparação e para te consolar.
Jesus, minha Vida, beijo o Teu Santíssimo Rosto; vejo-o ensanguentado, lívido e inchado. Ó Jesus, as criaturas aproximam-se desta Hóstia Santa, e com as suas atitudes indecentes e as palavras ofensivas que proferem na tua presença, em vez de Te darem honra, dão-Te bofetadas e escarros. E Tu, tal como na Paixão, com toda a paz e paciência, recebe-los e suportas tudo. Ó Jesus, quero colocar o meu rosto não só junto ao Teu, para Te acariciar e beijar enquanto recebes essas bofetadas e para Te limpar os escarros, mas no Teu próprio rosto, para partilhar essas dores. Além disso, pretendo, do meu ser, fazer tantos fragmentos minúsculos, para os colocar diante de Ti como tantas estátuas ajoelhadas, que, continuamente de joelhos, Te protejam de todas as desonras que te são infligidas.
Jesus, meu Tudo, beijo a Tua boca dulcíssima. Vejo que, ao descer aos corações das criaturas, a Tua primeira paragem é na língua delas. Oh, como ficas amargurado, ao encontrares tantas línguas mordazes, impuras, más! Ah, sentes-te como que intoxicado por essas línguas, e pior ainda, quando desces aos seus corações! Ó Jesus, se fosse possível, gostaria de estar na boca de cada criatura, para te adoçar e reparar qualquer ofensa que delas recebas.
Meu Bem cansado, beijo o Teu pescoço Santíssimo. Vejo-Te cansado, exausto e totalmente absorto na Tua obra de amor. Diz-me, o que estás a fazer? E Jesus:
«Minha filha, nesta Hóstia trabalho de manhã à noite, formando contínuas correntes de amor, para que, à medida que as almas vêm até mim, eu lhes faça encontrar prontas as minhas correntes de amor para as acorrentar ao meu Coração. Mas sabes o que elas me fazem? Muitas têm aversão a estas minhas correntes e, com esforço, libertam-se, despedaçando-as, e como estas correntes estão ligadas ao meu coração, fico torturado e entro em delírio. Depois, ao quebrar as minhas correntes, elas anulam o meu trabalho, procurando as correntes das criaturas, e fazem isso mesmo na minha presença, servindo-se de mim para alcançar os seus objetivos. Isso causa-me tanta dor que me provoca uma febre violenta, a ponto de me fazer desmaiar e delirar».
Como eu sofro por Ti, ó Jesus! O Teu amor está em apuros. Por favor, peço-Te! Para Te reconfortar no Teu trabalho, e para Te proteger quando as Tuas correntes de amor se quebram, acorrenta o meu coração com todas essas correntes, para que eu Te possa dar, em troca, o meu amor.
Meu Jesus, Arqueiro Divino, beijo o Teu peito. É tal e tão grande o fogo que nele contém, que para dar um pouco de alívio às tuas chamas (que se elevam demasiado alto), e querendo fazer uma pequena pausa no Teu trabalho, desejas também brincar neste sacramento. O teu jogo é formar flechas, dardos, raios; de modo que, à medida que as criaturas se aproximam de Ti, começas a brincar com elas, atirando-lhes flechas de amor que saem do Teu peito para as ferir. Quando estas as recebem, tu entras em festa e assim o Teu jogo se completa. Mas muitos, ó Jesus, rejeitam-nas, lançando-Te em troca, flechas de frieza, dardos de tibieza e raios de ingratidão, e ficas tão aflito com isto que choras, porque as criaturas fazem falhar o Teu jogo de amor. Ó Jesus, eis o meu peito pronto a receber, não só as Tuas flechas destinadas a mim, mas também aquelas que os outros Te rejeitam; e assim, os Teus jogos já não falharão, e em troca quero reparar as friezas, as tibiezas e as ingratidões que recebes.
Ó Jesus, beijo a Tua mão esquerda, e pretendo reparar todos os toques ilícitos ou profanos feitos na Tua presença; e peço-Te, com esta mão, que me mantenhas sempre junto ao Teu coração.
Ó Jesus, beijo a Tua mão direita, e pretendo reparar todos os sacrilégios, especialmente as missas mal celebradas. Quantas vezes, meu Amor, és obrigado a descer do Céu para as mãos dos sacerdotes que, em virtude do poder que lhes foi dado, Te chamam, mas encontras essas mãos cheias de lama que escorrem podridão. E embora sintas repulsa por essas mãos, o Teu amor obriga-Te, no entanto, a permanecer nelas. Na verdade, em alguns dos Teus ministros há pior: neles encontras os sacerdotes da Tua paixão que, com os seus enormes crimes e sacrilégios, renovam o deicídio. Meu Jesus, só de pensar nisso fico aterrorizada: mais uma vez, como na paixão, ficas nessas mãos indignas, como um cordeirinho manso, à espera novamente da Tua morte. Ó Jesus, quanto sofres, e quanto desejas uma mão amorosa para Te libertar dessas mãos sanguinárias! Por favor, peço-Te! Quando estiveres nessas mãos, faz com que eu esteja presente para Te reparar. Quero cobrir-Te com a pureza dos anjos e perfumar-Te com as Tuas virtudes, para abafar o fedor dessas mãos e oferecer-Te o meu coração como refúgio e abrigo. Enquanto estiveres em mim, rezarei pelos Teus sacerdotes, para que sejam dignos ministros Teus e não ponham mais em perigo a Tua vida sacramental.
Ó Jesus, beijo o Teu pé esquerdo e pretendo reparar por aqueles que Te recebem por hábito e sem a devida disposição.

Ó Jesus, beijo o Teu pé direito e pretendo reparar por aqueles que Te recebem para Te ultrajar. Por favor, peço-Te! Quando se atreverem a fazer isso, renova o milagre que operaste quando Longino Te traspassou o coração com a lança: com o jato daquele sangue que, jorrando, lhe tocou os olhos, Tu o converteste e curaste; assim, com o Teu toque sacramental, converte as ofensas em amor.
Ó Jesus, beijo o Teu coração, centro onde se derramam todas as ofensas; e pretendo reparar-Te por tudo e por todos, dar-Te uma retribuição de amor, e sempre, juntamente contigo, partilhar as tuas dores.
Ó celestial Flecha do amor! Se alguma ofensa escapar à minha reparação, peço-Te que me aprisiones no Teu coração e na Tua Vontade, para que nada me possa escapar. Rogarei à doce Mãe que me mantenha sempre vigilante, e, juntamente com Ela, repararemos por tudo e por todos; beijar-Te-emos juntas e, servindo-Te de refúgio, afastaremos de ti as ondas de amarguras que, infelizmente, recebes das criaturas. Ó Jesus, lembra-Te de que também eu sou uma pobre prisioneira. [1] É verdade que as Tuas prisões, sendo o pequeno espaço de uma hóstia, são mais estreitas do que a minha. Por isso, fecha-me no Teu coração e, com as correntes do Teu amor, não Te limites a aprisionar-me, mas prende, um a um, os meus pensamentos, os meus afetos, os meus desejos; acorrenta as minhas mãos e os meus pés ao Teu coração, para que eu não tenha outras mãos nem outros pés senão os Teus.
Assim, meu Amor, a minha prisão será o Teu coração; as minhas correntes, o amor; os portões que me impedirão de sair, de alguma forma, do Teu coração, a Tua Santíssima Vontade; as Tuas chamas serão o meu alimento, o meu fôlego, o meu tudo, e assim não verei senão chamas, não tocarei senão fogo, que me darão vida e morte como aquelas que tu sofres na Hóstia, e assim Te darei a minha vida. E enquanto eu permanecer aprisionada em Ti, tu permanecerás livre em mim. Não é este o Teu desígnio ao Te aprisionares na Hóstia, para seres libertado pelas almas que Te recebem, ganhando vida nelas?
E agora, em sinal de amor, abençoa-me e dá-me um beijo, enquanto eu Te abraço e permaneço em Ti.
Ó meu doce Coração, vejo que, depois de teres instituído o Santíssimo Sacramento e de teres visto a enorme ingratidão e as ofensas das criaturas perante os excessos do Teu amor, embora fiques ferido e amargurado, não recuas; pelo contrário, desejas submergir tudo na imensidão do Teu amor.
Vejo-Te, ó Jesus, a entregar-Te aos Teus Apóstolos, e depois, acrescentas que o que Tu fizeste, eles devem fazer, dando-lhes o poder de consagrar, e por isso os ordenas sacerdotes e instituis outros sacramentos. Assim, ó Jesus, pensas em tudo e reparas tudo: as pregações mal feitas; os sacramentos administrados e recebidos sem disposição e, por isso, sem efeitos; as vocações erradas dos sacerdotes, tanto da parte deles como da parte de quem os ordena, não utilizando todos os meios para conhecer as verdadeiras vocações. Ah, nada Te escapa, ó Jesus! E eu pretendo seguir-Te e reparar todas estas ofensas.
Assim, depois de teres cumprido tudo, tomas os Teus Apóstolos e encaminhas-Te para o Jardim do Getsémani, para dar início à Tua dolorosa Paixão. Seguir-Te-ei em tudo para Te fazer fiel companhia.
[1] Aqui, Luísa refere-se a si própria, a toda uma existência de sessenta e quatro anos, passada numa cama rodeada por uma cortina, como numa prisão, sofrendo no seu papel de vítima juntamente com Jesus, e como Jesus no sacrário.
REFLEXÕES PRÁTICAS
Jesus está oculto na Hóstia para dar Vida a todos. No Seu ocultar-se, Ele abraça todos os séculos e dá luz a todos. Assim nós, ocultando-nos n’Ele, com as nossas orações e reparações, daremos luz e vida a todos, e também aos próprios hereges e infiéis, porque Jesus não exclui ninguém.
O que fazer neste escondimento? Para nos tornarmos semelhantes a Jesus Cristo, devemos esconder tudo n’Ele, isto é, pensamentos, olhares, palavras, palpitações, afetos, desejos, passos e obras, e até as próprias orações, esconder nas orações de Jesus. E assim, como o amante Jesus na Eucaristia abraça todos os séculos, assim O abraçaremos juntos, e, unidos a Ele, seremos o pensamento de cada mente, a palavra de cada língua, o desejo de cada coração, o passo de cada pé, a obra de cada braço. Assim, afastaremos do Coração de Jesus, o mal que todas as criaturas Lhe querem infligir, procurando substituir todo esse mal, por todo o bem que nos for possível fazer, e, dessa forma, exortando Jesus a conceder a todas as almas a salvação, a santidade e o amor.
A nossa vida, para se assemelhar à de Jesus, deve estar inteiramente alinhada com a Sua. A alma deve, com intenção, estar presente em todos os tabernáculos do mundo, para Lhe fazer companhia contínua e Lhe proporcionar alívio e reparação constantes, e com essa intenção realizar todas as ações do dia. O primeiro tabernáculo está em nós, no nosso coração; por isso, é preciso prestar grande atenção a tudo o que o bom Jesus quer fazer em nós. Muitas vezes, Jesus, estando no nosso coração, faz-nos sentir a necessidade da oração. Ah! É Jesus que quer rezar e quer-nos com Ele, quase identificando-Se com a nossa voz, com os nossos afetos, com todo o nosso coração, para que a nossa oração seja uma só com a Sua. E assim, para honrar a oração de Jesus, estaremos atentos a dedicar-lhe todo o nosso ser, de modo que o amante Jesus eleve ao Céu a Sua oração, para falar ao Pai e para renovar no mundo os efeitos da Sua própria oração.
É preciso estar atentos a todos os nossos movimentos interiores, porque o bom Jesus, ora nos faz sofrer, ora nos quer na oração, ora nos coloca num estado de espírito, ora noutro, para poder repetir em nós a Sua própria vida.
Suponhamos que Jesus nos dê a oportunidade de exercer a paciência. Ele recebe tantas ofensas das criaturas; que Se sente levado a pegar nos açoites para castigar as criaturas, e é assim que nos dá a oportunidade de exercer a paciência. E nós devemos honrá-l’O, suportando tudo com paz, tal como Jesus o suporta, e a nossa paciência arrancará das Suas mãos os açoites que atraem as outras criaturas, porque em nós Ele exercerá a Sua própria paciência divina. E, assim como acontece com a paciência, o mesmo se aplica a todas as outras virtudes. O amante Jesus, no Sacramento, exerce todas as virtudes, e nós, d’Ele, extrairemos a fortaleza, a mansidão, a paciência, a tolerância, a humildade, a obediência.
O bom Jesus dá-nos a Sua carne como alimento, e nós, como alimento, dar-lhe-emos o amor, a vontade, os desejos, os pensamentos, os afetos; assim rivalizaremos com o amor de Jesus. Não deixaremos entrar em nós nada que não seja Ele, de modo que, tudo o que fizermos, tudo deve servir de alimento ao nosso amado Jesus. O nosso pensamento deve alimentar o pensamento divino, ou seja, pensar que Jesus está escondido em nós e deseja o alimento do nosso pensamento; assim, pensando santamente, alimentamos o pensamento divino; a palavra, as palpitações, os afetos, os desejos, os passos, as obras, tudo deve servir para alimentar Jesus, e devemos ter a intenção de alimentar em Jesus todas as criaturas.
Ó meu doce Amor, nesta hora, transubstanciaste-Te no pão e no vinho. Por favor! Faz, ó Jesus, com que tudo o que digo e faço seja uma consagração contínua de Ti em mim e nas almas.
Meu doce Amor, quando vens a mim, faz com que cada batida do meu coração, cada desejo, cada afeto, pensamento e palavra possam sentir o poder da consagração sacramental, de modo que, consagrado todo o meu pequeno ser, me torne tantas Hóstias para poder dar-Te às almas.
Ó Jesus, meu doce Amor, que eu seja a Tua pequena Hóstia para poder encerrar em mim, como Hóstia viva, todo o Teu Ser.
Oração de agradecimento depois de cada Hora.
Meu Jesus, Tu chamaste-me nesta Hora da Tua Paixão a fazer-Te companhia e eu vim. Parecia-me que Te ouvia, angustiado e sofredor, a pedir, a reparar e a sofrer, e com as vozes mais comovedoras e eloquentes pedir a salvação das almas.
Procurei seguir-Te em tudo e agora, tendo de Te deixar para me dedicar às minhas ocupações habituais, sinto o dever de Te dizer “obrigado”, e “bendigo-Te”.
Sim, ó Jesus, repito-Te “obrigado” milhares de vezes e “bendigo-Te” por tudo o que fizeste e sofreste por mim e por todos. “Obrigado” e “bendigo-Te” por cada gota de Sangue que derramaste, por cada respiro, palpitação, passo, palavra, olhar, amargura e ofensa que suportaste. Por tudo, ó meu Jesus, Te digo um “obrigado” e um “bendigo-Te”.
Ó Jesus, faz com que de todo o meu ser brote uma corrente contínua de gratidão e de bênçãos, de forma a atrair sobre mim e sobre todos a corrente das Tuas bênçãos e graças. Ó Jesus, aperta-me ao Teu Coração e com as Tuas mãos santíssimas marca cada partícula do meu ser com o Teu “bendigo-Te”, para que de mim brote um hino contínuo de louvor a Ti.
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