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11.ª Hora da Paixão: Jesus na casa de Caifás.

  • Cláudia Pereira
  • há 11 minutos
  • 9 min de leitura

Oração antes de cada Hora

Ó meu Senhor Jesus Cristo, prostrado na tua presença divina, suplico ao Teu amorosíssimo Coração que me admita à dolorosa meditação das 24 Horas da Tua Paixão, durante as quais, por nosso amor, tanto sofreste no Teu corpo adorável e na Tua alma santíssima, até à morte de cruz. Ajuda-me e dá-me graça, amor, profunda compaixão e compreensão dos Teus sofrimentos, enquanto agora medito a décima primeira Hora.

E por aquelas Horas que não posso meditar, ofereço-Te a vontade e o desejo que tenho de as meditar em todas as horas que sou obrigado a aplicar-me aos meus deveres ou a dormir.

Ó misericordioso Senhor, aceita a minha amorosa intenção e faz com que seja de proveito para mim e para todos, como se realmente e santamente fizesse quanto eu desejaria praticar.

Entretanto dou-Te graças, ó meu Jesus, que por meio da oração me chamas à união contigo e, para Te agradar ainda mais, tomo os Teus pensamentos, a Tua língua, o Teu Coração e com eles pretendo rezar, fundindo-me inteiramente na Tua Vontade e no Teu Amor e, estendendo os braços para Te abraçar apoio a minha cabeça no Teu Coração e começo.


11.ª Hora da Paixão: Jesus na casa de Caifás. - Das 3 às 4 da madrugada.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João 18, 24-28

Os que tinham prendido Jesus levaram-n’O à presença do sumo sacerdote Caifás, onde os escribas e os anciãos se tinham reunido. Pedro foi-O seguindo de longe, até ao palácio do sumo sacerdote. Aproximando-se, entrou e sentou-se com os guardas, para ver como acabaria tudo aquilo. Entretanto, os príncipes dos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um testemunho falso contra Jesus para O condenarem à morte, mas não o encontravam, embora se tivessem apresentado muitas testemunhas falsas. Por fim, apresentaram-se duas que disseram: «Este homem afirmou: ‘Posso destruir o templo de Deus e reconstruí-lo em três dias’».


Pedro saiu e chorou amargamente. 1884-1896. James Jacques Joseph Tissot
Pedro saiu e chorou amargamente. 1884-1896. James Jacques Joseph Tissot

Então o sumo sacerdote levantou-se e disse a Jesus: «Não respondes nada? Que dizes ao que depõem contra Ti?». Mas Jesus continuava calado. Disse-Lhe o sumo sacerdote: «Eu Te conjuro pelo Deus vivo, que nos declares se és Tu o Messias, o Filho de Deus». Jesus respondeu-lhe: «Tu o disseste. E Eu digo-vos: vereis o Filho do homem sentado à direita do Todo-poderoso, vindo sobre as nuvens do céu».

Então o sumo sacerdote rasgou as vestes, dizendo: «Blasfemou. Que necessidade temos de mais testemunhas? Acabais de ouvir a blasfémia. Que vos parece?». Eles responderam: «É réu de morte». Cuspiram-Lhe então no rosto e deram-Lhe punhadas. Outros esbofeteavam-n’O, dizendo: «Adivinha, Messias: quem foi que Te bateu?».

Entretanto, Pedro estava sentado no pátio. Uma criada aproximou-se dele e disse-lhe: «Tu também estavas com Jesus, o galileu». Mas ele negou diante de todos, dizendo: «Não sei o que dizes». Dirigindo-se para a porta, foi visto por outra criada que disse aos circunstantes: «Este homem estava com Jesus de Nazaré». E, de novo, ele negou com juramento: «Não conheço tal homem». Pouco depois, aproximaram-se os que ali estavam e disseram a Pedro: «Com certeza tu és deles, pois até a fala te denuncia». Começou então a dizer imprecações e a jurar: «Não conheço tal homem».

E, imediatamente, um galo cantou. Então, Pedro lembrou-se das palavras que Jesus dissera: «Antes de o galo cantar, tu Me negarás três vezes». E, saindo, chorou amargamente.


MEDITAÇÃO

Aflito e abandonado, meu Amor, enquanto a minha natureza fraca dorme no teu coração dolorido, o meu sono é frequentemente interrompido pelos espasmos de amor e de dor no teu coração divino. Entre a vigília e o sono, sinto os empurrões que te dão, e acordo e digo: "Meu pobre Jesus, abandonado por todos, não há quem te defenda. Mas, do fundo do teu coração, ofereço-te a minha vida para te servir de apoio naquilo que te faz sofrer."

E adormeço novamente, mas outra contração de amor do teu coração divino acorda-me, e sinto os meus ouvidos a zumbirem com os insultos que te dirigem, com os murmúrios, os gritos e a correria da gente.


A Falsa Testemunha. 1886-1894. James Jacques Joseph Tissot.
A Falsa Testemunha. 1886-1894. James Jacques Joseph Tissot.

Meu Amor, porque estão todos contra ti? Porque é que tantos, como lobos furiosos, te querem devorar? Sinto o sangue gelar-me ao ouvir os preparativos dos teus inimigos, e tremo e fico angustiada, a pensar em como te defender.

Mas o meu Jesus aflito, guardando-me no seu coração, abraça-me com mais força e diz-me:

«Minha filha, não fiz nada de mal, e fiz tudo: cometi o “crime” do amor, que contém todos os sacrifícios; o amor, de valor imensurável. Ainda estamos no início; fica no meu coração, observa tudo, ama-me, cala-te e aprende. Faz com que o teu sangue gelado corra nas minhas veias para dar alívio ao meu sangue que está todo em chamas; faz com que o teu tremor percorra os meus membros, para que, identificada comigo, possas fortalecer-te e aquecer-te, para sentires parte das minhas dores e, ao mesmo tempo, possas ganhar força ao veres-me sofrer tanto: esta será a mais bela defesa que me darás; sê-me fiel e atenta».

Meu doce Amor, tal é o alvoroço dos teus inimigos, que já não me deixam dormir. Os golpes tornam-se mais violentos; ouço o barulho das correntes com que te amarraram, e tão apertadas que te fazem jorrar sangue vivo dos pulsos, com o qual marcas aqueles caminhos. Lembra-te que o meu sangue está no teu, e que quando tu o derramas, o meu, beija, adora e repara o teu. Que o teu sangue seja luz para todos aqueles que te ofendem à noite, e íman para atrair todos os corações para junto de ti.

Meu Amor e meu Tudo, enquanto te arrastam, o ar parece ensurdecer com gritos e assobios. Já chegaste perante Caifás. És todo manso, modesto, humilde; a tua doçura e paciência são tão grandes que aterrorizam os próprios inimigos; e Caifás, cheio de fúria, gostaria de te devorar. Ah, como se distingue bem a inocência do pecado!

Meu Amor, estás perante Caifás como o mais culpado, prestes a ser condenado. Caifás já pergunta às testemunhas quais são os teus crimes. Ah, teria sido melhor perguntar qual é o teu amor! E uns acusam-te de uma coisa, outros de outra, exagerando e contradizendo-se uns aos outros. E, enquanto te acusam, os soldados que estão ao teu lado puxam-te pelos cabelos, desferem-te horríveis bofetadas no teu rosto santíssimo, de tal forma que toda a sala ressoa. Torcem-te os lábios, espancam-te, e tu calas-te, sofres; e se olhas para eles, a luz dos teus olhos penetra nos seus corações, e, incapazes de a suportar, afastam-se de ti, mas outros tomam o seu lugar para te infligir ainda mais sofrimento.


As negações de Pedro


A primeira negação de São Pedro. 1884-1894. James Tissot
A primeira negação de São Pedro. 1884-1894. James Tissot

Mas, perante tantas acusações e ultrajes, vejo-te a prestar atenção, e o teu coração bate forte, prestes a rebentar de dor. Diz-me, meu Amado aflito, o que há de novo? Pois, face ao que os inimigos te estão a fazer, vejo que o teu amor é tão grande que o esperas ansiosamente, e o ofereces pela nossa salvação. E o teu coração repara com toda a calma as calúnias, os ódios, os falsos testemunhos, o mal que se faz aos inocentes com premeditação; e repara por aqueles que te ofendem por instigação dos líderes e pelas ofensas dos eclesiásticos.


A segunda negação de São Pedro. 1886-1894. James Jacques Joseph Tissot
A segunda negação de São Pedro. 1886-1894. James Jacques Joseph Tissot

E enquanto, unida a ti, sigo as tuas mesmas reparações, sinto em ti uma mudança, uma nova dor nunca antes sentida. Diz-me, diz-me, o que se passa? Partilha tudo comigo, ó Jesus.

«Filha, queres saber? Ouço a voz de Pedro a dizer que não me conhece; depois jurou e, mais tarde, voltou a jurar falsamente e a amaldiçoar, afirmando que não me conhecia.

Ó Pedro, como assim! Não me conheces? Não te lembras de quantas bênçãos te concedi? Ah, se os outros me fazem morrer de sofrimento, tu fazes-me morrer de dor! Ah, quanto mal causaste ao seguir-me de longe, expondo-te depois às tentações!».

Meu Amado negado, como se percebem logo as ofensas dos teus mais queridos! Ó Jesus, quero que o meu palpitar se funda no teu, para amenizar o espasmo atroz que sofres, e este meu palpitar jura-te fidelidade, amor, e repete e jura mil e mil vezes que te conhece. Mas o teu coração ainda não se acalma, e procuras ver Pedro. Perante os teus olhares amorosos, cheios de lágrimas pela negação dele, Pedro comove-se, chora e afasta-se, e tu, depois de o teres posto a salvo, acalmas-te e reparas as ofensas dos papas e dos líderes da Igreja, especialmente daqueles que se expõem às ocasiões.


A terceira negação de São Pedro - O olhar de reprovação de Jesus. 1884-1896, James Jacques Joseph Tissot
A terceira negação de São Pedro - O olhar de reprovação de Jesus. 1884-1896. James Jacques Joseph Tissot

Entretanto, os teus inimigos continuam a acusar-te; e, vendo Caifás que nada respondes às suas acusações, ele diz-te:

«Conjuro-te pelo Deus vivo, diz-me: És tu, de facto, o verdadeiro Filho de Deus?».

E tu, meu Amor, tendo sempre nos teus lábios a palavra da verdade, assumindo uma postura de majestade suprema, com voz sonora e suave (tanto que todos ficam impressionados e os próprios demónios se afundam no abismo), respondes:

«Tu o dizes. Sim, Eu sou o verdadeiro Filho de Deus, e um dia descerei sobre as nuvens do Céu para julgar todas as nações».

Perante as tuas palavras criadoras, todos ficam em silêncio; sentem-se a estremecer e a ficar aterrorizados. Mas Caifás, após alguns instantes de pavor, recuperando a compostura e furioso mais do que uma besta feroz, diz a todos:

«Para que precisamos ainda de testemunhas? Ele já proferiu uma grande blasfémia! O que mais esperamos para o condenar? Já é réu de morte!».

E, para dar mais força às suas palavras, rasga as vestes com tanta raiva e fúria que todos, como se fossem um só, se lançam contra ti, meu Bem; uns dão-te socos na cabeça, outros puxam-te o cabelo, outros dão-te bofetadas, outros cospem-te na cara, outros pisam-te com os pés. São tantos e tão intensos os tormentos que te infligem, que a terra treme e os céus ficam abalados.


O manto rasgado - Jesus condenado à morte pelos judeus. 1886-1894. James Jacques Joseph Tissot
O manto rasgado - Jesus condenado à morte pelos judeus. 1886-1894. James Jacques Joseph Tissot

Meu Amor e minha Vida, assim como estes te atormentam, assim também o meu pobre coração está dilacerado pela dor. Por favor! Permite-me sair do teu coração aflito e, em teu lugar, enfrentar todas estas afronta. Ah! Se me fosse possível, gostaria de te salvar das mãos dos teus inimigos, mas tu não queres, pois a salvação de todos assim o exige, e eu sou obrigada a resignar-me.

Mas, meu doce Amor, deixa-me arranjar-te, ajeitar-te o cabelo, limpar-te os escarros, secar-te o sangue e fechar-me no teu coração, pois vejo que Caifás, cansado, quer retirar-se, entregando-te nas mãos dos soldados.

Por isso, abençoo-te, e tu abençoa-me e dá-me o beijo do teu amor; e eu fecho-me na fornalha do teu coração divino para adormecer. Coloco a minha boca sobre o teu coração, para que, ao respirar, te beije, e pela variação dos teus batimentos, mais ou menos dolorosos, possa perceber se estás a sofrer ou a repousar. Por isso, fazendo-te asas com os meus braços para te proteger, abraço-te, aperto-me com força ao teu coração e adormeço.


REFLEXÕES PRÁTICAS

Jesus, levado perante Caifás, é acusado injustamente e submetido a torturas inauditas. Ao ser interrogado, diz sempre a verdade.

  • E nós, quando o Senhor permite que nos caluniem ou nos acusem injustamente, procuramos apenas a Deus, que conhece a nossa inocência, ou imploramos pela estima e pela honra das criaturas?

  • A verdade brota sempre dos nossos lábios?

  • Somos inimigos de qualquer artifício e mentira?

  • Suportamos com paciência os insultos e as confusões que as criaturas nos causam? Estamos dispostos a dar a vida pela salvação delas?

Ó meu doce Jesus, quão diferente de Ti sou eu! Por favor! Faz com que os meus lábios digam sempre a verdade, de modo a tocar o coração de quem me ouve, para conduzir todos até Ti.


Oração de agradecimento depois de cada Hora.

Meu Jesus, Tu chamaste-me nesta Hora da Tua Paixão a fazer-Te companhia e eu vim. Parecia-me que Te ouvia, angustiado e sofredor, a pedir, a reparar e a sofrer, e com as vozes mais comovedoras e eloquentes pedir a salvação das almas.

Procurei seguir-Te em tudo e agora, tendo de Te deixar para me dedicar às minhas ocupações habituais, sinto o dever de Te dizer “obrigado”, e “bendigo-Te”.

Sim, ó Jesus, repito-Te “obrigado” milhares de vezes e “bendigo-Te” por tudo o que fizeste e sofreste por mim e por todos. “Obrigado” e “bendigo-Te” por cada gota de Sangue que derramaste, por cada respiro, palpitação, passo, palavra, olhar, amargura e ofensa que suportaste. Por tudo, ó meu Jesus, Te digo um “obrigado”  e um “bendigo-Te”.

Ó Jesus, faz com que de todo o meu ser brote uma corrente contínua de gratidão e de bênçãos, de forma a atrair sobre mim e sobre todos a corrente das Tuas bênçãos e graças. Ó Jesus, aperta-me ao Teu Coração e com as Tuas mãos santíssimas marca cada partícula do meu ser com o Teu “bendigo-Te”, para que de mim brote um hino contínuo de louvor a Ti.

11.ª Hora da Paixão: Jesus na casa de Caifás.

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