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10.ª Hora da Paixão: Jesus é apresentado a Anás.

  • Cláudia Pereira
  • 15 de jul.
  • 5 min de leitura

Oração antes de cada Hora

Ó meu Senhor Jesus Cristo, prostrado na tua presença divina, suplico ao Teu amorosíssimo Coração que me admita à dolorosa meditação das 24 Horas da Tua Paixão, durante as quais, por nosso amor, tanto sofreste no Teu corpo adorável e na Tua alma santíssima, até à morte de cruz. Ajuda-me e dá-me graça, amor, profunda compaixão e compreensão dos Teus sofrimentos, enquanto agora medito a décima Hora.

E por aquelas Horas que não posso meditar, ofereço-Te a vontade e o desejo que tenho de as meditar em todas as horas que sou obrigado a aplicar-me aos meus deveres ou a dormir.

Ó misericordioso Senhor, aceita a minha amorosa intenção e faz com que seja de proveito para mim e para todos, como se realmente e santamente fizesse quanto eu desejaria praticar.

Entretanto dou-Te graças, ó meu Jesus, que por meio da oração me chamas à união contigo e, para Te agradar ainda mais, tomo os Teus pensamentos, a Tua língua, o Teu Coração e com eles pretendo rezar, fundindo-me inteiramente na Tua Vontade e no Teu Amor e, estendendo os braços para Te abraçar apoio a minha cabeça no Teu Coração e começo.


10.ª Hora da Paixão: Jesus é apresentado a Anás. - Das 2 às 3 da madrugada.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João 18, 12-14

Então, a companhia de soldados, o oficial e os guardas dos judeus apoderaram-se de Jesus e manietaram-n’O.

Levaram-n’O primeiro a Anás, por ser sogro de Caifás, que era o sumo sacerdote nesse ano. Caifás é que tinha dado o seguinte conselho aos judeus: «Convém que morra um só homem pelo povo».


O Tribunal de Anás. 1884-1896. James Jacques Joseph Tissot
O Tribunal de Anás. 1884-1896. James Jacques Joseph Tissot

MEDITAÇÃO

Jesus, fica sempre comigo. Doce Mãe, sigamos juntas Jesus.

Meu Jesus, Sentinela divina, ao vigiares-me no meu coração e não querendo ficar sozinho sem mim, concedeste-me e fazes-me encontrar-me contigo na casa de Anás.

Já te encontras naquele momento em que Anás te questiona sobre a tua doutrina e os teus discípulos. E tu, ó Jesus, para defender a glória do Pai, abres a tua boca santíssima e, com voz sonora e digna, respondes:

«Eu falei em público, e todos os que aqui estão me ouviram».

Perante os teus gestos dignos, todos tremem, mas a perfídia é tanta que um servo, querendo honrar Anás, aproxima-se de ti e, com mão de ferro, dá-te uma bofetada, tão forte que te faz cambalear e empalidecer o teu santíssimo rosto.

Agora compreendo, minha doce Vida, porque me despertaste: tinhas razão! Quem devia apoiar-te neste momento em que estás prestes a cair? Os teus inimigos explodem em risos satânicos, assobios e palmas, aplaudindo um ato tão injusto, e tu, cambaleando, não tens em quem te apoiar. Meu Jesus, abraço-te; mais ainda, quero servir-te de muro com todo o meu ser, e ofereço-te a minha face com coragem, pronta a suportar qualquer pena por amor a ti. Tenho pena de Ti por esta afronta e, juntamente contigo, reparo pelas timidezes de tantas almas que se desanimam facilmente, por aquelas que, por medo, não dizem a verdade, pelas faltas de respeito devidas aos sacerdotes e pelas murmurações.

Mas vejo, meu Jesus aflito, que Anás te envia a Caifás. Os teus inimigos atiram-te pelas escadas abaixo e tu, meu Amor, nesta dolorosa queda, reparas por aqueles que, à noite, caem na culpa aproveitando-se das trevas, e chamas à luz da fé os hereges e os infiéis.

Também eu Te quero seguir nestas reparações e, enquanto chegas a Caifás, envio-Te os meus suspiros para Te defender dos Teus inimigos. E enquanto eu dormir, continua a ser a minha sentinela, acordando-me quando precisares. Por isso, dá-me um beijo e abençoa-me, e eu beijo o Teu coração e nele continuo o meu sono.


REFLEXÕES PRÁTICAS

Jesus, apresentado perante Anás, é interrogado por este sobre a sua doutrina e os seus discípulos; para glorificar o Pai, responde sobre a sua doutrina, mas não faz referência aos discípulos para não faltar à caridade.

  • E nós, quando se trata de glorificar o Senhor, somos intrépidos e corajosos, ou deixamo-nos dominar pelo respeito humano? Devemos sempre dizer a verdade, mesmo perante pessoas de prestígio.

  • Nas nossas palavras, procuramos sempre a glória de Deus?

  • Para exaltar a glória de Deus, suportamos tudo com paciência, tal como Jesus?

  • Evitamos sempre falar mal do próximo e desculpamo-lo se ouvirmos que outros falam mal dele?

Jesus vigia o nosso coração.

  • E nós, vigiamos o coração de Jesus, para que nenhuma ofensa Lhe seja infligida que não seja por nós reparada?

  • Vigiamos-nos em tudo, para que cada um dos nossos pensamentos, olhares, palavras, afetos, batimentos cardíacos e desejos sejam como sentinelas em torno de Jesus, para vigiar o seu coração e repará-lo de todas as ofensas?

  • E, para o conseguirmos fazer, rezamos a Jesus para que vigie cada um dos nossos atos e nos ajude Ele próprio a vigiar o nosso coração?

Cada ato que realizamos em Deus é uma vida divina que acolhemos em nós e, como somos muito limitados e Deus é imenso, não podemos encerrar Deus no nosso simples ato; por isso, multipliquemo-lo tanto quanto possível, para que possamos, assim, pelo menos, alargar a nossa capacidade de compreender e de amar.

  • E quando o nosso Jesus nos chama, estamos prontos para responder?

O chamamento de Deus pode fazer-se sentir de muitas formas: através de inspirações, da leitura de bons livros, do exemplo; pode fazer-se sentir sensivelmente através dos atrativos da graça, e também através das próprias intempéries do ar.

Meu doce Jesus, que a tua voz ressoe sempre no meu coração; e que tudo o que me rodeia, por dentro e por fora, seja a voz contínua que me chama sempre a amar-Te, e que a harmonia da tua voz divina me impeça de ouvir qualquer outra voz humana que me distraia.


Oração de agradecimento depois de cada Hora.

Meu Jesus, Tu chamaste-me nesta Hora da Tua Paixão a fazer-Te companhia e eu vim. Parecia-me que Te ouvia, angustiado e sofredor, a pedir, a reparar e a sofrer, e com as vozes mais comovedoras e eloquentes pedir a salvação das almas.

Procurei seguir-Te em tudo e agora, tendo de Te deixar para me dedicar às minhas ocupações habituais, sinto o dever de Te dizer “obrigado”, e “bendigo-Te”.

Sim, ó Jesus, repito-Te “obrigado” milhares de vezes e “bendigo-Te” por tudo o que fizeste e sofreste por mim e por todos. “Obrigado” e “bendigo-Te” por cada gota de Sangue que derramaste, por cada respiro, palpitação, passo, palavra, olhar, amargura e ofensa que suportaste. Por tudo, ó meu Jesus, Te digo um “obrigado”  e um “bendigo-Te”.

Ó Jesus, faz com que de todo o meu ser brote uma corrente contínua de gratidão e de bênçãos, de forma a atrair sobre mim e sobre todos a corrente das Tuas bênçãos e graças. Ó Jesus, aperta-me ao Teu Coração e com as Tuas mãos santíssimas marca cada partícula do meu ser com o Teu “bendigo-Te”, para que de mim brote um hino contínuo de louvor a Ti.

10.ª Hora da Paixão: Jesus é apresentado a Anás.

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