Mistérios Dolorosos com os Padres da Igreja: O amor de Cristo.
Se não sabe iniciar o Santo Rosário, consulte a nossa página: Como rezar o Santo Rosário (Terço), e veja quais a orações iniciais e finais.
Mistérios Dolorosos com os Padres da Igreja
Terças-feiras e Sextas feiras
1.º Mistério - Jesus em agonia no Horto das Oliveiras

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo Lucas 22, 41-42
Depois afastou-Se deles cerca de um tiro de pedra e, pondo-Se de joelhos, começou a orar, dizendo: «Pai, se quiseres, afasta de Mim este cálice. Todavia, não se faça a minha vontade, mas a tua».
Meditação
Coloquemo-nos sobre a muralha, permaneçamos firmemente unidos à rocha inabalável de que fala o salmo: «Ele assentou os meus pés na rocha e firmou os meus passos». Assim consolidados e seguros, poderemos dedicar‑nos à contemplação, para vermos o que nos diz o Senhor e o que havemos de responder às suas advertências.
Ora o primeiro grau da contemplação, irmãos caríssimos, consiste em considerar atentamente qual é a vontade do Senhor, o que Lhe agrada, o que é bom a seus olhos. Mas todos cometemos muitas faltas e o nosso esforço ofende muitas vezes a sua santíssima vontade, em vez de se conformar fielmente com o que o Senhor deseja. Humilhemo-nos, portanto, sob a poderosa mão do Deus altíssimo e procuremos reconhecer e apresentar sinceramente a nossa miséria ante os olhos da sua misericórdia, dizendo: Curai-me, Senhor, e ficarei curado; salvai‑me e serei salvo; e também: Senhor, tende piedade de mim; curai‑me porque pequei contra Vós.
Depois de termos purificado o olhar do nosso coração com estes pensamentos, já não viveremos na amargura do nosso espírito, mas na alegria do Espírito de Deus; já não consideraremos apenas qual é a vontade de Deus em nós, mas como ela é em si mesma.
E porque na vontade de Deus está a nossa vida, nada nos é mais útil e proveitoso do que aquilo que se conforma com a sua vontade. E por isso, quanto mais forte é o desejo de conservar a vida da nossa alma, tanto mais solícitos seremos em não nos desviarmos da vontade divina.
E quando já tivermos feito algum progresso na vida espiritual, guiados pelo Espírito Santo, que conhece os profundos mistérios de Deus, pensemos como é suave o Senhor, como é bom em Si mesmo; e oremos com o Profeta para conhecer a vontade do Senhor e visitar, não já o nosso coração, mas o seu templo, dizendo com o mesmo Profeta: «A minha alma está desolada; por isso me lembro de Vós.»
Na verdade, a vida espiritual resume‑se nestas duas coisas: na consideração de nós mesmos que nos causa uma tristeza salutar e na consolação divina que nos dá a alegria do Espírito Santo; o primeiro sentimento conserva‑nos no temor e na humildade, o segundo fortifica‑nos na esperança e na caridade.
Dos Sermões de São Bernardo, abade (Sermo 5 de diversis, 4-5: Opera omnia, Ed. Cisterc. 6, 1 [1970] 103-104) (Sec. XII)
Pai-Nosso + 10 Avé-Marias
Jaculatórias:
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora e sempre. Ámen.
Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós.
Ó meu bom Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno. Levai as almas todas para o Céu, principalmente as que mais precisarem.
(Pode rezar mais jaculatórias)
2.º Mistério - Jesus é flagelado

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João 18, 1
Então Pilatos mandou que levassem Jesus e O açoitassem.
Meditação
Não Vos escondo as minhas feridas: sois médico e eu enfermo; sois misericordioso e eu miserável. Não é acaso a vida do homem sobre a terra uma dura prova? Quem deseja trabalhos e preocupações? Ordenais aos homens que as suportem e não que as amem.
Ninguém gosta do que lhe custa, embora goste de o suportar; e embora se sinta feliz no sofrimento, prefere não ter nada que sofrer.
Na adversidade desejo a prosperidade, e na prosperidade temo a adversidade. Entre estes dois extremos, qual será o termo médio onde a vida humana não seja uma luta?
Pobres prosperidades deste mundo, duplamente lamentáveis, sempre ameaçados pelo temor de que venha a adversidade e se desvaneça a alegria!
Tristes adversidades deste mundo, uma, duas e três vezes lamentáveis, porque estão sempre torturadas pelo desejo da prosperidade, pela dureza da própria adversidade e pela ameaça do naufrágio total da paciência!
Não é acaso a vida do homem sobre a terra uma dura prova sem nenhuma trégua? Por isso toda a minha esperança está na vossa misericórdia.
Quantas vezes falhou a nossa paciência e a nossa esperança no meio das torturas das adversidade da vida?
Das Confissões de Santo Agostinho, bispo (Lib; 10, 26.37 – 29, 40: CSEL 33, 255-256) (Sec. V)
Pai-Nosso + 10 Avé-Marias
Jaculatórias:
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora e sempre. Ámen.
Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós.
Ó meu bom Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno. Levai as almas todas para o Céu, principalmente as que mais precisarem.
(Pode rezar mais jaculatórias)
3.º Mistério - Jesus é coroado de espinhos

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos 6, 24-29
Ela saiu e perguntou à mãe: «Que hei de pedir?». A mãe respondeu-lhe: «Pede a cabeça de João Baptista». Ela voltou apressadamente à presença do rei e fez-lhe este pedido: «Quero que me dês sem demora, num prato, a cabeça de João Baptista». O rei ficou consternado, mas por causa do juramento e dos convidados, não quis recusar o pedido. E mandou imediatamente um guarda, com ordem de trazer a cabeça de João. O guarda foi à cadeia, cortou a cabeça de João e trouxe-a num prato. A jovem recebeu-a e entregou-a à mãe. Quando os discípulos de João souberam a notícia, foram buscar o seu cadáver e deram-lhe sepultura.
Meditação
O santo precursor do nascimento, da pregação e da morte do Senhor, mostrou no momento da sua luta suprema uma coragem digna de atrair o olhar de Deus. Como diz a Escritura: Se aos olhos dos homens foi atormentado, a sua esperança estava cheia de imortalidade. Com razão celebramos festivamente o dia do seu novo nascimento, dia que ele tornou memorável com a sua própria morte e ilustrou com a gloriosa púrpura do seu sangue. Merecidamente veneramos com alegria espiritual a memória daquele que selou com o martírio o testemunho que dera do Senhor.
São João sofreu a prisão e as cadeias e deu a sua vida em testemunho do nosso Redentor, a quem devia preparar os caminhos. Não lhe foi pedido pelo perseguidor que negasse a Cristo, mas que calasse a verdade. E no entanto, ele morreu por Cristo.
Cristo disse: «Eu sou a verdade». Por isso, foi por Cristo que São João derramou o seu sangue, porque foi pela verdade que o derramou. Se com o seu nascimento, a sua pregação e o seu batismo dera testemunho de Cristo que havia de nascer, pregar e batizar, também com o seu martírio precursor deu testemunho da futura paixão do Senhor.
Assim terminou a sua vida este homem tão insigne e valoroso, derramando o seu sangue depois de longo e penoso cativeiro. Ele que anunciara a liberdade duma paz superior, é lançado pelos ímpios na prisão; é encerrado na escuridão do cárcere aquele que veio para dar testemunho da luz e a quem a própria Luz, que é Cristo, denominou como uma lâmpada que arde e alumia; e foi batizado com o próprio sangue aquele a quem foi concedido batizar o Redentor do mundo, ouvir a voz do Pai que falava do Filho, ver a graça do Espírito Santo que descia sobre Ele. Por isso, longe de lhe parecer penoso, era pelo contrário fácil e desejável para ele suportar pela verdade os tormentos temporais, que lhe faziam antever a recompensa das alegrias eternas.
A morte não era para João batista apenas uma realidade inevitável da natureza. Ele desejou-a como o melhor modo de confessar o nome de Cristo e receber assim a palma da vida eterna. bem diz o Apóstolo: A vós foi concedido por Cristo não só acreditar n’Ele, mas também sofrer por Ele. E se ele diz que sofrer por Cristo é um dom concedido aos eleitos, é porque os sofrimentos do tempo presente não têm comparação com a glória futura que se há-de manifestar em nós.
Das Homilias de São Beda Venerável, presbítero (Hom. 23: CCL 122, 354.356-357) (Sec. VIII)
Pai-Nosso + 10 Avé-Marias
Jaculatórias:
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora e sempre. Ámen.
Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós.
Ó meu bom Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno. Levai as almas todas para o Céu, principalmente as que mais precisarem.
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4.º Mistério - Jesus carrega a Cruz até ao Calvário

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 23, 26
Quando O conduziam, lançaram mão de um certo Simão de Cirene, que vinha do campo, e puseram-lhe a cruz às costas, para a levar atrás de Jesus.
Meditação
Porque seremos nós, irmãos, tão pouco solícitos em procurar uns para os outros ocasiões de salvação, de maneira a socorrermo-nos uns aos outros no que for mais necessário e a levar reciprocamente os fardos dos nossos irmãos? A isso nos exorta o santo Apóstolo, quando diz: «Levai os fardos uns dos outros, e desse modo cumprireis a lei de Cristo». E noutra passagem: «Suportai-vos uns aos outros na caridade». É esta, sem dúvida, a lei de Cristo.
Quando observo algum defeito incorrigível no meu irmão – seja por qualquer dificuldade inevitável, seja por alguma enfermidade física ou moral – porque não o suporto com paciência, porque não o conforto amavelmente, como está escrito: «Os seus meninos eram levados ao colo e acariciados sobre o regaço»? Não será por me faltar aquela virtude que tudo suporta, que é paciente e benigna para tudo sofrer e amar segundo a lei de Cristo? É esta a lei de Cristo, que pela sua paixão suportou verdadeiramente as nossas enfermidades e pela sua compaixão tomou sobre Si as nossas dores, amando aqueles por quem sofria, sofrendo por aqueles a quem amava. Pelo contrário, quem é agressivo para com o seu irmão que está em dificuldade, quem atormenta a sua fraqueza seja ela qual for, submete-se certamente à lei do diabo e põe-na em prática. Compadeçamo-nos uns dos outros com amor fraterno, suportando as fraquezas, perseguindo os vícios.
Toda a regra de vida que procura o amor de Deus e que por ele, com maior sinceridade, procura o amor do próximo, sejam quais forem as suas práticas e porte exterior, é sempre agradável a Deus. A caridade deve ser o único critério para todo o nosso modo de proceder: para atuar ou não atuar, para mudar ou não mudar seja o que for. É o princípio e o fim que deve orientar toda a nossa atuação. Nada é culpável se se faz por inspiração da caridade e de acordo com ela.
Digne-Se conceder-nos esta virtude Aquele a quem não podemos agradar sem ela e sem o qual não podemos absolutamente nada, Ele que é Deus e vive e reina pelos séculos sem fim. Ámen.
Dos Sermões do bem-aventurado Isaac, abade do mosteiro da Estrela (Serm. 31: PL 194, 1292-1293) (Sec. XII)
Pai-Nosso + 10 Avé-Marias
Jaculatórias:
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora e sempre. Ámen.
Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós.
Ó meu bom Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno. Levai as almas todas para o Céu, principalmente as que mais precisarem.
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5.º Mistério - Jesus é crucificado e morre na Cruz

Primeira Epístola do Apóstolo São João 4, 9-12
Assim se manifestou o amor de Deus para connosco: Deus enviou ao mundo o seu Filho Unigénito, para que vivamos por Ele. Nisto consiste o amor: não fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados.
Caríssimos, se Deus nos amou assim, também nós devemos amar-nos uns aos outros.
Ninguém jamais viu a Deus. Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e em nós o seu amor é perfeito.
Meditação
Toda a santidade e perfeição da alma consiste em amar a Jesus Cristo, nosso Deus, nosso sumo bem e nosso redentor. É a caridade que une e conserva todas as virtudes que tornam o homem perfeito.
Não merece Deus, porventura, todo o nosso amor? Ele amou-nos desde a eternidade. “Lembra-te, ó homem – diz o Senhor – que fui Eu o primeiro a amar-te. Ainda tu não tinhas sido dado à luz, nem o próprio mundo existia, e já Eu te amava. Amo-te desde que existo”.
Sabendo Deus que o homem se deixa cativar com os benefícios, quis atraí-lo ao seu amor por meio dos seus dons. Por isso disse: “Quero atrair os homens ao meu amor com aqueles laços com que eles se deixam prender, isto é, com os laços do amor”. Tais precisamente têm sido todos os dons feitos por Deus ao homem. Deu-lhe uma alma, dotada, à sua imagem, de memória, inteligência e vontade; deu-lhe um corpo com os seus sentidos; para ele também criou o céu e a terra e toda a multidão dos seres; por amor do homem criou tudo isto, para que todas aquelas criaturas estejam ao serviço do homem e o homem O ame a Ele em agradecimento por tantos benefícios.
Mas não Se contentou Deus com dar-nos todas estas formosas criaturas. Para conquistar todo o nosso amor, foi muito mais além e deu-Se a Si mesmo totalmente a nós. O Pai Eterno chegou ao extremo de nos dar o seu único Filho. Quando viu que estávamos todos mortos pelo pecado e privados da sua graça, que fez Ele? Pelo amor imenso, melhor – como diz o Apóstolo – pelo seu excessivo amor por nós, enviou o seu amado Filho, para satisfazer por nós e para nos restituir à vida que perdêramos pelo pecado.
E dando-nos o seu Filho (a quem não perdoou para nos perdoar a nós), deu-nos com Ele todos os bens: a graça, a caridade e o paraíso; porque todos estes bens são certamente menores que o seu Filho: Ele que não poupou o seu próprio Filho, mas O entregou à morte por todos nós, como não haveria de dar-nos com Ele todas as coisas?
Das Obras de Santo Afonso Maria de Ligório, bispo (Tratado sobre a Prática do amor a Jesus Cristo, edição latina, Roma, 1909, pp. 9-14) (Sec. XVIII)
Pai-Nosso + 10 Avé-Marias
Jaculatórias:
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora e sempre. Ámen.
Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós.
Ó meu bom Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno. Levai as almas todas para o Céu, principalmente as que mais precisarem.
(Pode rezar mais jaculatórias)
Se não sabe terminar o Santo Rosário, consulte a nossa página: Como rezar o Santo Rosário (Terço), e veja quais a orações finais.
«Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará.»
Nossa Senhora do Rosário de Fátima - Memórias da Irmã Lúcia I. 14.ª ed. Fátima: Secretariado dos Pastorinhos, 2010, p. 176-177 (IV Memória)
Mistérios Dolorosos com os Padres da Igreja: O amor de Cristo.
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