2.ª Hora da Paixão: Jesus separa-se da sua Mãe Santíssima e encaminha-se para o Cenáculo.
- Cláudia Pereira
- há 2 dias
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2.ª Hora da Paixão
Das 6 às 7 horas da tarde
Oração antes de cada Hora
Ó meu Senhor Jesus Cristo, prostrado na tua presença divina, suplico ao Teu amorosíssimo Coração que me admita à dolorosa meditação das 24 Horas da Tua Paixão, durante as quais, por nosso amor, tanto sofreste no Teu corpo adorável e na Tua alma santíssima, até à morte de cruz. Ajuda-me e dá-me graça, amor, profunda compaixão e compreensão dos Teus sofrimentos, enquanto agora medito a segunda Hora.
E por aquelas Horas que não posso meditar, ofereço-Te a vontade e o desejo que tenho de as meditar em todas as horas que sou obrigado a aplicar-me aos meus deveres ou a dormir.
Ó misericordioso Senhor, aceita a minha amorosa intenção e faz com que seja de proveito para mim e para todos, como se realmente e santamente fizesse quanto eu desejaria praticar.
Entretanto dou-Te graças, ó meu Jesus, que por meio da oração me chamas à união conTigo e, para Te agradar ainda mais, tomo os Teus pensamentos, a Tua língua, o Teu Coração e com eles pretendo rezar, fundindo-me inteiramente na Tua Vontade e no Teu Amor e, estendendo os braços para Te abraçar apoio a minha cabeça no Teu Coração e começo.

Meditemos a 2.ª Hora da Paixão, das 6 às 7 horas da tarde, em que Jesus Se separa da sua Mãe Santíssima e Se encaminha para o Cenáculo.
Memória dos Escritos de Luísa: 6 de Julho de 1922, Volume 14
Estava a pensar em Jesus, e a acompanha-l’O na Hora da Paixão, quando Ele foi ter com a sua Mãe, para Lhe pedir a sua santa bênção; e o meu dulcíssimo Jesus no meu íntimo disse-me:
«Minha filha, antes da minha Paixão quis abençoar a minha Mãe e ser abençoado por Ela; mas não foi só a minha Mãe que abençoei, mas todas as criaturas, não só animadas, mas também inanimadas. Vi as criaturas débeis, cobertas de chagas e pobres; o meu coração teve uma palpitação de dor e de terna compaixão, e disse: “Pobre Humanidade, como estás decaída! Quero abençoar-te, a fim de que ressurjas do teu empobrecimento. Que a minha bênção imprima em ti o duplo selo da minha potência, da sabedoria e do amor das Três Pessoa Divinas e te restitua a força, te cure e te enriqueça. E para te defender, abençoo todas as coisas criadas por Mim, para que tu as recebas abençoadas por Mim; abençoo-te a luz, o ar, a água, o fogo, o alimento, a fim de que fiques como que submergida e coberta com as minhas bênçãos. E assim, como tu não a merecias, quis, por isso, abençoar a minha Mãe, servindo-Me d’Ela como canal para fazer chegar a ti as minhas bênçãos”. E assim como a minha Mãe Me retribuiu com as suas bênçãos, assim quero que as criaturas Me retribuam com as suas; mas, ai de Mim, em vez de retribuição de bênçãos, retribuem-Me com ofensas e maldições! Por isso, minha filha, entra na minha Vontade, e conduzindo-te sobre as asas de todas as coisas criadas, sela-as todas com as bênçãos que todas me devem, e traz ao meu coração aflito e terno as bênçãos de todos.»
Depois de ter feito isto, como para me recompensar, disse-me: «Minha filha amada, abençoo-te de modo especial: abençoo-te o coração, a mente, a palavra, a respiração, toda e tudo te abençoo.»
MEDITAÇÃO
Meu adorável Jesus, depois de ter participado conTigo nas Tuas dores, e naquelas da Mãe aflita, vejo que Te decides a partir, para ires aonde a Vontade do Pai Te chama. O amor entre Filho e Mãe é tão grande, que Vos torna inseparáveis; então, Tu deixas-Te ficar no Coração da Mãe, e a Rainha e doce Mãe fica no Teu, de outra forma, seria impossível separar-Vos. Depois, abençoando-Vos mutuamente, Tu dás-Lhe o último beijo, para A fortalecer nas dores amargas que está para suportar, dizes-Lhe o último adeus e partes.
A palidez do Teu rosto, os Teus lábios trémulos, a Tua voz sufocada, como se quisesses desatar em pranto, ao dizer-Lhe adeus, - ah, tudo me diz o quanto A amas e o quanto sofres ao deixá-l’A!
Mas, para cumprir a Vontade do Pai, com os Vossos corações fundidos um no outro, submeteis-Vos a tudo, desejando reparar por aqueles que, para não renunciar às ternuras de parentes e amigos, aos vínculos e afetos, não têm o cuidado de cumprir a Santa Vontade de Deus e de corresponder ao estado de santidade ao qual Deus os chama. Quanta dor não Te causam estas almas ao repelirem do seu coração o Amor que lhes queres dar, para se contentarem com o amor das criaturas!
Meu amável Amor, enquanto reparo conTigo, permite-me que permaneça com a Tua Mãe, para A consolar e amparar, enquanto Tu partes; depois, apressarei o passo, para Te alcançar. Mas, com grande dor minha, vejo que a minha Mãe, angustiada, treme, e a Sua dor é tanta que, enquanto está para dizer adeus ao Filho, a voz morre-Lhe nos lábios e não pode articular uma só palavra, quase desfalece e no Seu desfalecimento de amor diz: «Meu Filho, Meu Filho, abençoo-Te! Que separação amarga, mais cruel que qualquer morte!» Mas, a dor impede-A de falar e emudece-A!
Rainha aflita, deixa-me que Te sustenha, Te enxugue as lágrimas e me compadeça de Ti na Tua amarga dor! Minha Mãe, eu não Te deixarei sozinha; e Tu, leva-me conTigo. Neste período tão doloroso para Ti e para Jesus, ensina-me o que devo fazer, como devo defendê-l’O, repará-l’O e consolá-l’O e se devo arriscar a minha vida para defender a Sua.
Não, não sairei debaixo do Teu manto. Aos Teus acenos, voarei até junto de Jesus e oferecer-Lhe-ei o Teu amor, os Teus afetos, os Teus beijos, juntamente com os meus, e colocá-los-ei em cada chaga, em cada gota do Seu sangue, em cada pena e insulto, a fim de que, sentindo Ele em cada pena os beijos e o amor da Mãe, as Suas penas sejam suavizadas. Depois, voltarei para debaixo do Teu manto, trazendo-Te os Seus beijos para mitigar o Teu Coração trespassado. Minha Mãe, o meu coração bate com força, quero ir ter com Jesus. E enquanto beijo as Tuas mãos maternas, abençoa-me como abençoastes Jesus e permite-me que vá ter com Ele.
Meu doce Jesus, o amor indica-me os Teus passos, e alcanço-Te enquanto percorres as ruas de Jerusalém, juntamente com os Teus amados discípulos. Olho-Te e vejo-Te ainda pálido. Ouço a Tua voz doce, sim, mas tão triste ao ponto de despedaçar o coração dos Teus discípulos que estão inquietos.
«É a última vez, – dizes Tu – que percorro estas ruas por Mim próprio. Amanhã percorrê-las-ei atado, arrastado entre mil insultos.» E indicando os pontos onde serás mais desonrado e dilacerado, continuas a dizer: «A Minha Vida na terra está para terminar, assim como o sol está para se pôr, e amanhã a esta hora, já não estarei aqui! Mas, como o sol ressurgirei ao terceiro dia!»
Ao ouvirem estas palavras, os Apóstolos entristecem-se, calam-se e não sabem o que responder. Mas, Tu acrescentas: «Coragem, não desanimeis; Eu não vos deixarei, e estarei sempre convosco; porém, é necessário que Eu morra para o bem de todos vós.»
Ao dizeres isto, comoves-Te, mas com voz trémula continuas a instruí-los. E antes de entrares no Cenáculo, olhas o sol que se põe, como está para terminar a Tua Vida; ofereces os Teus passos por aqueles que se encontram no ocaso da vida e dás-lhes a graça de que esta termine em Ti, reparando por aqueles que, apesar dos desgostos e desenganos da vida, se obstinam em não se renderem a Ti.
Depois, olhas de novo Jerusalém, o centro dos Teus prodígios e das predileções do Teu Coração, que em retribuição, preparam-Te a Cruz, afiando os pregos para cometer o deicídio, e Tu estremeces, sentes o Coração despedaçado e choras a sua destruição.
Com isto, reparas por tantas almas a Ti consagradas que, com tanto cuidado procuravas formar como prodígios do Teu Amor, e elas, ingratas e não reconhecidas, fazem-Te padecer mais amarguras! Quero reparar juntamente conTigo, para suavizar a Chaga do Teu Coração.
Mas, vejo que ficas horrorizado ao ver Jerusalém e, afastando o olhar, entras no Cenáculo. Meu Amor, abraça-me com força contra o Teu Coração, a fim de que faça minhas as Tuas amarguras, para as oferecer juntamente conTigo; e Tu, olha com piedade a minha alma, e derramando sobre ela o Teu Amor, abençoa-me.
REFLEXÕES PRÁTICAS
Jesus separa-se de Sua Mãe com prontidão, embora sinta que o Seu Coração terníssimo se despedaça.
Estamos nós prontos a sacrificar também, os afetos mais legítimos e santos, para cumprir a Divina Vontade?
(Examinemo-nos especialmente nos casos de afastamento da Presença Divina sensível ou da devoção sensível).
Jesus dando os últimos passos, não os dava em vão. Com estes, glorificava o Pai e pedia a salvação das almas. Nos nossos passos, devemos colocar as mesmas intenções que colocava Jesus, isto é, de nos sacrificarmos para a glória do Pai e para o bem das almas. Além disso, devemos imaginar-nos a colocar os nossos passos naqueles de Jesus Cristo; e como Jesus não os dava em vão, mas encerrava nos Seus passos, todos aqueles das criaturas, reparando todos os maus passos, para dar ao Pai a glória devida, e vida a todos os maus passos das criaturas, para que pudessem caminhar pela via do bem, - assim faremos nós agora, colocando os nossos passos naqueles de Jesus Cristo com as Suas próprias intenções.
Caminhamos pela estrada com modéstia e recolhimento, de modo a servirmos de exemplo para os outros? Enquanto Jesus caminhava aflito, dirigia de vez em quando, alguma palavra aos Apóstolos, falando-lhes da Sua Paixão iminente. E nós, o que dizemos nas nossas conversas?
Quando surge a oportunidade, será que fazemos da Paixão do Divino Redentor o tema das nossas conversas?
O amante Jesus, ao ver os Apóstolos tristes e desanimados procurava confortá-los. E nós, nas nossas conversas, colocamos a intenção de aliviar Jesus Cristo? Procuramos fazê-las na Vontade de Deus, infundindo nos outros o espírito de Jesus Cristo?
Jesus vai para o Cenáculo. Devemos depositar os nossos pensamentos, afetos, batimentos cardíacos, orações, ações, alimentos e trabalho no Coração de Jesus Cristo, no ato de agir. Fazendo isto, as nossas ações irão adquirir a atitude divina. No entanto, como é difícil ter sempre esta atitude divina, porque dificilmente a alma pode fundir continuamente os seus atos n’Ele, pode suprir com a atitude da sua boa vontade. Assim agradará muito a Jesus. Ele far-se-á sentinela vigilante de cada pensamento seu, de cada palavra sua, de cada batimento cardíaco seu. Ele colocará estes atos em cortejo, dentro e fora de Si, olhando-os com grande amor, como fruto da boa vontade da criatura.
Quando a alma, fundindo-se n’Ele, faz os seus atos ao mesmo tempo com os de Jesus, o bom Jesus sente-se tão atraído por esta alma, que fará, juntamente com ela, aquilo que ela faz, e transmudará em divino o agir da criatura. Tudo isto é efeito da Bondade de Deus, que valoriza tudo e premeia tudo, mesmo o mais pequeno ato na Vontade de Deus, para que a criatura não fique defraudada em nada.
“Ó minha Vida e meu Tudo, os Teus passos orientem os meus, e enquanto piso a terra, faz com que os meus pensamentos estejam no Céu!”
Oração de agradecimento depois de cada Hora.
Meu Jesus, Tu chamaste-me nesta Hora da Tua Paixão a fazer-Te companhia e eu vim. Parecia-me que Te ouvia, angustiado e sofredor, a pedir, a reparar e a sofrer, e com as vozes mais comovedoras e eloquentes pedir a salvação das almas.
Procurei seguir-Te em tudo e agora, tendo de Te deixar para me dedicar às minhas ocupações habituais, sinto o dever de Te dizer “obrigado”, e “bendigo-Te”.
Sim, ó Jesus, repito-Te “obrigado” milhares de vezes e “bendigo-Te” por tudo o que fizeste e sofreste por mim e por todos. “Obrigado” e “bendigo-Te” por cada gota de Sangue que derramaste, por cada respiro, palpitação, passo, palavra, olhar, amargura e ofensa que suportaste. Por tudo, ó meu Jesus, Te digo um “obrigado” e um “bendigo-Te”.
Ó Jesus, faz com que de todo o meu ser brote uma corrente contínua de gratidão e de bênçãos, de forma a atrair sobre mim e sobre todos a corrente das Tuas bênçãos e graças. Ó Jesus, aperta-me ao Teu Coração e com as Tuas mãos santíssimas marca cada partícula do meu ser com o Teu “bendigo-Te”, para que de mim brote um hino contínuo de louvor a Ti.
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Que Deus vos proteja e abençoe por toda a eternidade.




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