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2.º Dia da Novena ao Sagrado Coração de Jesus: Coração amoroso de Jesus.

  • Cláudia Pereira
  • há 1 dia
  • 8 min de leitura

A Novena ao Sagrado coração de Jesus, deve ser iniciada na véspera de Corpus Christi (Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo), até a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, mas pode ser feita em qualquer altura do ano, principalmente como preparação para a Entronização do Lar ao Sagrado Coração de Jesus.

As meditações desta novena, foram todas escritas por Santo Afonso Maria de Ligório. A partir das orações e belas meditações de Santo Afonso, peçamos a Cristo a graça de imitar o Seu manso e humilde Coração (cf. Mt 11, 29); e que, assim como o Seu, também os nossos corações se convertam numa “fornalha ardente de caridade”.


ORAÇÃO INICIAL

Ato de Reparação ao Sacratíssimo Coração de Jesus (1)

Dulcíssimo Jesus, cuja infinita caridade para com os homens é por eles tão ingratamente correspondida com esquecimentos, friezas e desprezos, eis-nos aqui prostrados na vossa presença, para vos desagravarmos, com especiais homenagens, da insensibilidade tão insensata e das nefandas injúrias com que é de toda parte alvejado o vosso amorosíssimo coração.

Reconhecendo, porém, com a mais profunda dor, que também nós mais de uma vez cometemos as mesmas indignidades, para nós, em primeiro lugar, imploramos a vossa misericórdia, prontos a expiar não só as próprias culpas, senão também as daqueles que, errando longe do caminho da salvação, ou se obstinam na sua infidelidade, não vos querendo como pastor e guia, ou, conculcando as promessas do batismo, sacudiram o suavíssimo jugo da vossa santa lei.

De todos estes tão deploráveis crimes, Senhor, queremos nós hoje desagravar-vos, mais particularmente da licença dos costumes e imodéstia do vestido, de tantos laços de corrupção armados à inocência, da violação dos dias santificados, das execrandas blasfêmias contra Vós e vossos santos, dos insultos ao vosso vigário e a todo o vosso clero, do desprezo e das horrendas e sacrílegas profanações do Sacramento do divino amor e, enfim, dos atentados e rebeldias das nações contra os direitos e o Magistério da vossa Igreja.

Oh! Se pudéssemos lavar com o próprio sangue tantas iniquidades!

Entretanto, para reparar a honra divina ultrajada, vos oferecemos, juntamente com os merecimentos da Virgem Mãe, de todos os santos e almas piedosas, aquela infinita satisfação, que Vós oferecestes ao eterno Pai sobre a Cruz, e que não cessais de renovar todos os dias sobre nossos altares.

Ajudai-nos, Senhor, com o auxílio da vossa graça, para que possamos, como é nosso firme propósito, com a vivência da fé, com a pureza dos costumes, com a fiel observância da lei e caridade evangélicas, reparar todos os pecados cometidos por nós e por nosso próximo, impedir, por todos os meios, novas injúrias de vossa divina Majestade e atrair ao vosso serviço o maior número de almas possível.

Recebei, ó benigníssimo Jesus, pelas mãos de Maria santíssima reparadora, a espontânea homenagem deste nosso desagravo, e concedei-nos a grande graça de perseverarmos constantes, até a morte, no fiel cumprimento de nossos deveres e no vosso santo serviço, para que possamos chegar todos à pátria bem-aventurada, onde Vós com o Pai e o Espírito Santo viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém.


2.º Dia da Novena ao Sagrado Coração de Jesus: Coração amoroso de Jesus.


Alegoria da Sagrada Eucaristia. 1750. Miguel Cabrera
Alegoria da Sagrada Eucaristia. 1750. Miguel Cabrera

Oh, se compreendêssemos o amor que arde no Coração de Jesus para conosco! Ele amou-nos tanto, que se reuníssemos todos os homens, todos os anjos, e todos os santos com todas as suas forças, não alcançariam a milésima parte do amor que Jesus tem por nós. Ele ama-nos imensamente, mais do que nós mesmos nos amamos.

Ele amou-nos até ao excesso: Dicebant excessum eius, quem completurus erat in Ierusalem«Falavam do seu excesso (morte), que ele haveria de completar em Jerusalém» (Lc 9, 31). E que excesso é maior do que um Deus morrer pelas suas criaturas? Ele amou-nos até o fim: «Tendo amado os seus… amou-os até ao fim» (Jo 13, 1).

Com efeito, depois de nos ter amado desde a eternidade, pois não houve um momento na eternidade em que Deus não tenha pensado em nós, nem tenha amado cada um de nós: «Eu amei-te com amor eterno» (Jr 31, 3); contudo, por amor a nós, este Deus se fez homem e escolheu uma vida penosa e uma morte de cruz por nós. Portanto, Ele amou-nos mais que à sua honra, mais do que o seu repouso, e mais que à sua vida, sacrificando tudo para demonstrar-nos o amor que tem por nós. E este, não é o excesso de caridade que causará eternamente a admiração dos anjos e do paraíso?

Este amor também o induziu a permanecer connosco no Santíssimo Sacramento, como num trono de amor. Permanece aí sob a aparência de um pãozinho, fechado num cibório, onde parece estar num pleno aniquilamento da sua majestade, sem movimento, sem uso dos sentidos; dando a impressão de que aí, não faz outra coisa que amar os homens.

O amor faz desejar a presença contínua da pessoa amada: este amor e este desejo, fizeram Jesus Cristo permanecer conosco no Santíssimo Sacramento. Pareceu muito pouco a este Senhor apaixonado, ter passado só trinta e três anos com os homens nesta terra: e para demonstrar o seu desejo de estar sempre conosco, julgou necessário fazer o maior de todos os milagres, que foi a instituição da Santíssima Eucaristia. Mas se a obra da Redenção já estava concluída, e os homens já reconciliados com Deus, de que servia Jesus permanecer aqui neste Sacramento? Ah, ele permanece ali porque não sabe separar-se de nós, dizendo que conosco encontra suas delícias (cf. Pr 8, 31).

Este amor também o induziu a fazer-se alimento das nossas almas, a fim de se unir a nós, tornando os nossos corações e o Seu, uma só e mesma coisa. «O que come a minha carne, e bebe o meu sangue, fica em mim e eu nele» (Jo 6, 57). Oh, maravilha! Oh, excesso do amor divino!

Um servo de Deus dizia: “Se algo pudesse abalar a minha fé no mistério da Eucaristia, não duraria muito a dúvida de como o pão se torna carne, ou como Jesus está em muitos lugares e confinado em espaço tão pequeno, porque eu responderia que Deus tudo pode. Mas se me perguntam como ele pode amar tanto o homem a ponto de fazer-se seu alimento, minha única resposta é: esta é uma verdade de fé superior à minha inteligência, e o amor de Jesus não pode ser compreendido.” (3)

Ó amor de Jesus, fazei que os homens vos conheçam, fazei que vos amem!


AFETOS E SÚPLICAS

Ó Coração adorável do meu Jesus, Coração apaixonado pelos homens, Coração criado de propósito para amar os homens; ah, como podeis ser tão mal correspondido e ultrajado pelos homens? Ah, pobre de mim, pois eu também fui um destes ingratos que não soube amar-vos!

Ó meu Jesus, perdoai-me este grande pecado de não vos ter amado, a Vós que sois tão amável e tanto me haveis amado, e que nada mais podeis fazer para me obrigar a amar-vos. Percebo que eu, por ter renunciado ao vosso amor por um tempo, mereço ser condenado a jamais poder amar-vos. Mas não, meu querido Salvador: dai-me todos os castigos, mas este não. Concedei-me a graça de vos amar, e depois, dai-me a pena que quiserdes. Mas como posso temer este castigo, quando ouço que continuais a exigir-me o doce e caro preceito de amar-vos, meu Senhor e meu Deus? «Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração» (Dt 6, 5; Mt 22, 37). Sim, Deus meu, Vós quereis ser amado por mim, e eu quero amar-vos; e mais ainda: não quero amar outra coisa senão Vós, que tanto me haveis amado.

Ó amor do meu Jesus, Vós sois o meu amor. Ó Coração inflamado de Jesus, inflamai também o meu coração. Não permitais que doravante eu viva sequer um segundo sem o vosso amor; matai-me antes, aniquilai-me. Não permitais que o mundo veja esta horrível ingratidão: que eu, tão amado por Vós, depois de receber tantas graças e luzes, venha novamente a desprezar o vosso amor. Não, meu Jesus, não o permitais. Pelo sangue que por mim derramastes, espero sempre amar-vos, e que Vós sempre me amareis: e que este amor entre mim e Vós, não se dissolverá jamais por toda a eternidade.

Ó Maria, mãe do belo amor, vós que tanto desejais ver Jesus ser amado: prendei-me, estreitai-me com vosso Filho; mas estreitai-me tanto que eu já não me possa separar dele.


ORAÇÃO FINAL

Ladainha ao Sagrado Coração de Jesus (2)

Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, tende piedade de nós.

Senhor, tende piedade de nós.


Jesus Cristo, ouvi-nos.

Jesus Cristo, atendei-nos.


Pai celeste, que sois Deus, tende piedade de nós.

Filho, Redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós.

Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós.

Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.


Coração de Jesus, Filho do Pai eterno, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, formado pelo Espírito Santo no seio da Virgem Mãe, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, unido substancialmente ao Verbo de Deus, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, de majestade infinita, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, templo santo de Deus, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, tabernáculo do Altíssimo, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, casa de Deus e porta do Céu, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, receptáculo de justiça e de amor, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, cheio de bondade e de amor, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, abismo de todas as virtudes, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, digníssimo de todo o louvor, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, Rei e centro de todos os corações, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, no qual estão todos os tesouros da sabedoria e ciência, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, no qual habita toda a plenitude da divindade, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, no qual o Pai põe todas as suas complacências, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, de cuja plenitude todos nós participamos, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, desejo das colinas eternas, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, paciente e de muita misericórdia, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, rico para todos os que Vos invocam, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, fonte de vida e santidade, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, propiciação pelos nossos pecados, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, saturado de opróbrios, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, esmagado de dor por causa dos nossos pecados, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, feito obediente até a morte, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, trespassado pela lança, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, fonte de toda consolação, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, nossa vida e ressurreição, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, nossa paz e reconciliação, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, vítima dos pecadores, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, salvação dos que esperam em Vós, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, esperança dos que morrem em Vós, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, delícias de todos os santos, tende piedade de nós.


Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós, Senhor.


V. Jesus, manso e humilde de coração,

R. Fazei o nosso coração semelhante ao vosso.


Oremos: Deus omnipotente e terno, olhai para o Coração do vosso Filho diletíssimo e para os louvores e as satisfações que Ele, em nome dos pecadores, vos tributa; e aos que imploram a vossa misericórdia concedei benigno o perdão, em nome do vosso Filho Jesus Cristo, que convosco vive e reina por todos os séculos dos séculos. Ámen.

(1) Concede-se indulgência plenária ao fiel que, na solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus, recitar publicamente este ato de reparação; em outras circunstâncias a indulgência será parcial. (N.T.)

(2) Em 1899, o Papa Leão XIII aprovou esta Ladainha do Sagrado Coração de Jesus para uso público. A sua estrutura constitui, na verdade, uma síntese de várias outras litanias que remontam ao século XVII. A versão final delas, aprovada pela Sagrada Congregação para os Ritos, perfaz um total de 33 invocações ao Coração divino de Nosso Senhor, um para cada ano de sua santíssima vida. Quem recita devotamente esta oração lucra indulgências parciais (cf. Enchr. Indulg., conc. 22). (N.T.)

(3) Pe. Claude La Colombière, S. J., Sermons prêchés devant Son Altesse Royale la Duchesse d’York, t. II, 3. ed., Lyon, 1692: Sermon XX, pour le jour du Corps de Dieu.

2.º Dia da Novena ao Sagrado Coração de Jesus: Coração amoroso de Jesus.

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