13.ª Hora da Paixão: Jesus na prisão.
Oração antes de cada Hora
Ó meu Senhor Jesus Cristo, prostrado na tua presença divina, suplico ao Teu amorosíssimo Coração que me admita à dolorosa meditação das 24 Horas da Tua Paixão, durante as quais, por nosso amor, tanto sofreste no Teu corpo adorável e na Tua alma santíssima, até à morte de cruz. Ajuda-me e dá-me graça, amor, profunda compaixão e compreensão dos Teus sofrimentos, enquanto agora medito a décima terceira Hora.
E por aquelas Horas que não posso meditar, ofereço-Te a vontade e o desejo que tenho de as meditar em todas as horas que sou obrigado a aplicar-me aos meus deveres ou a dormir.
Ó misericordioso Senhor, aceita a minha amorosa intenção e faz com que seja de proveito para mim e para todos, como se realmente e santamente fizesse quanto eu desejaria praticar.
Entretanto dou-Te graças, ó meu Jesus, que por meio da oração me chamas à união contigo e, para Te agradar ainda mais, tomo os Teus pensamentos, a Tua língua, o Teu Coração e com eles pretendo rezar, fundindo-me inteiramente na Tua Vontade e no Teu Amor e, estendendo os braços para Te abraçar apoio a minha cabeça no Teu Coração e começo.
13.ª Hora da Paixão - Das 5 às 6 da madrugada
Memória dos Escritos de Luísa: 29 de Outubro de 1921, Vol. 13
“Esta noite passei-a sem dormir e o meu pensamento, com frequência, voava para o meu Jesus encerrado na prisão.
«Minha filha, os inimigos deixaram-Me só na prisão, horrivelmente preso e às escuras, em meu redor tudo era trevas. Oh, como Me afligia aquela escuridão. Tinha as vestes molhadas daquelas águas sujas da corrente, sentia o cheiro horrível da prisão e dos escarros dos quais estava sujo, tinha os cabelos em desalinho, sem uma mão piedosa que mos tirasse diante dos olhos e da boca; as mãos atadas pelas correntes, e a escuridão não Me permitia ver o Meu estado demasiado doloroso e humilhante. Pobre de Mim. Oh, quantas coisas dizia este Meu estado tão doloroso naquela prisão!»

MEDITAÇÃO
Meu prisioneiro Jesus, acordei e não te encontro. O meu coração bate forte, forte, desejoso de amor. Diz-me, onde estás? Meu anjo, leva-me à casa de Caifás. Mas, por mais que ande de um lado para o outro, por mais que procure por todo o lado, não te encontro. Meu Amor, depressa, com as tuas mãos, move as correntes com que manténs o meu coração preso ao teu e puxa-me para ti, para que eu possa levantar voo e atirar-me aos teus braços. E tu, meu Amor, ferido pela minha voz e desejando a minha companhia, já me atrais e vejo que te colocaram na prisão. O meu coração, enquanto exulta de alegria por te encontrar, sinto que está ferido pela dor, ao ver o estado em que te reduziram. Vejo-te com as mãos amarradas atrás das costas a uma coluna, os pés apertados e amarrados; o teu rosto santíssimo contuso, inchado e ensanguentado pelas horríveis bofetadas que recebeste. Os teus olhos santíssimos estão roxos, a tua pupila está cansada e triste pela vigília, os teus cabelos estão todos despenteados, a tua pessoa santíssima está toda maltratada e, para piorar, não te podes ajudar nem limpar-te porque estás amarrado. E eu, ó meu Jesus, num soluço de pranto, abraçando-me aos teus pés, digo-Te: «Ai de mim, como ficaste reduzido, ó Jesus!».
E Jesus, olhando para mim, responde-me:
«Vem, minha filha, e presta atenção a tudo o que vês que eu faço, para o fazeres comigo, a fim de que possas dar continuidade à minha vida em ti».
E eis que, para meu espanto, vejo que, em vez de te ocupares com as tuas dores, com um amor indescritível pensas em glorificar o Pai, para O compensar pelo que somos obrigados a fazer, e chamas todas as almas à tua volta, para tomares sobre ti todos os seus males e lhes dares todos os bens. E como já estamos no amanhecer do dia, ouço a tua voz dulcíssima que diz:
«Pai Santo, dou-Te graças por tudo o que sofri e pelo que ainda me resta sofrer. E assim como este amanhecer chama o dia e o dia faz surgir o sol, que o amanhecer da graça brote em todos os corações, e, ao fazer-se dia, Eu, Sol Divino, possa nascer em todos os corações e reinar sobre todos. Ó Pai, vês estas almas? E eu quero responder-Te por todos, pelos seus pensamentos, palavras, obras e passos, à custa de sangue e de morte».
Meu Jesus, Amor sem limites, uno-me a Ti e também eu Te agradeço pelo que me fizeste sofrer e pelo que ainda me resta sofrer, e peço-Te que faças nascer em todos os corações a aurora da graça, para que Tu, Sol Divino, possas nascer em todos os corações e reinar sobre todos.
Meu doce Jesus, vejo ainda que reparas todas as primícias dos pensamentos, dos afetos e das palavras que, no início do dia, não Te são oferecidas para Te honrar, e que reúnes em Ti, como numa revista, os pensamentos, os afetos e as palavras das criaturas, para repará-los e dar ao Pai a glória que Lhe é devida.
Meu Jesus, Mestre divino, uma vez que nesta prisão temos uma hora livre e estamos sozinhos, quero fazer, não só o que Tu fazes, mas também limpar-Te, arranjar-Te o cabelo e fundir-me inteiramente em Ti. Por isso, aproximo-me da tua santíssima cabeça e, ao arranjar-te o cabelo, quero reparar-te por tantas mentes perturbadas e cheias de terra, que não têm um único pensamento para ti; e, fundindo-me na tua mente, quero reunir em ti todos os pensamentos das criaturas e fundi-los nos teus pensamentos, para encontrar reparação suficiente por todos os maus pensamentos, por tantas luzes e inspirações sufocadas. Gostaria de fazer de todos os pensamentos um só com os teus, para te dar verdadeira reparação e perfeita glória.
Meu Jesus aflito, beijo os teus olhos tristes e cheios de lágrimas, que, com as mãos amarradas à coluna, não podes enxugar nem limpar os escarros com que te mancharam; e, como a posição em que te amarraram é angustiante, não podes fechar os teus olhos cansados para descansar. Meu Amor, como gostaria de te servir de leito com os meus braços para te dar descanso; quero enxugar-te os olhos, pedir-te perdão e reparar todas as vezes em que não tivemos a intenção de te agradar e de olhar para ti para ver o que querias de nós, o que devíamos fazer e para onde querias que fôssemos. E quero fundir os meus olhos e os de todas as criaturas nos teus, para poder reparar, com os teus próprios olhos, todo o mal que causámos com a nossa visão.
Meu Jesus misericordioso, beijo as tuas santíssimas orelhas, cansadas dos insultos de toda a noite e, muito mais ainda, do eco de todas as ofensas das criaturas, que ressoam no teu ouvido. Peço-Te perdão e reparação por todas as vezes que nos chamaste e ficámos surdos ou fingimos não Te ouvir, e Tu, meu Bem cansado, repetiste os chamamentos, mas em vão. Quero fundir os meus ouvidos e os de todas as criaturas nos Teus, para fazer uma reparação contínua e completa.
Meu Jesus amado, beijo o Teu rosto santíssimo, todo marcado pelas bofetadas. Peço-Te perdão e reparo pelas vezes em que nos chamaste para sermos as Tuas vítimas de reparação e nós, unindo-nos aos Teus inimigos, Te demos bofetadas e cuspidelas. Meu Jesus, quero fundir o meu rosto no Teu, para Te devolver a Tua beleza natural e dar-Te reparação completa por todos os desprezos infligidos à Tua santíssima majestade.
Meu Bem amargurado, beijo a Tua boca dulcíssima, dolorida pelos socos e abrasada pelo amor. Quero fundir a minha língua e as de todas as criaturas na tua, para reparar, com a tua própria língua, todos os pecados e palavras más que se proferem. E quero, meu Jesus sedento, unir todas as vozes numa só com a tua, para que, quando estiverem prestes a ofender-te, ao fluir a tua voz nas vozes das criaturas, possas abafar as vozes do pecado e transformá-las em vozes de louvor e de amor.
Jesus acorrentado, beijo o teu pescoço, oprimido por pesadas correntes e cordas que, descendo do peito até atrás dos ombros e passando pelos braços, te mantêm firmemente amarrado à coluna. As tuas mãos já estão inchadas e enegrecidas pelo aperto das amarras, e de vários sítios jorra sangue. Permite-me, meu Jesus acorrentado, que te desate e, se gostas de estar acorrentado, que te acorrente com as correntes do amor, que, sendo doces, em vez de te fazerem sofrer, te suavizarão. E, enquanto te desato, quero fundir-me no teu pescoço, para poder reparar contigo todos os apegos e dar a todos as correntes do teu amor.
Quero fundir-me no teu peito, para poder reparar todas as frialdades e assim encher o peito de todas as criaturas com o teu fogo, que vejo que conténs tanto que não consegues contê-lo. Quero fundir-me nos teus ombros, para poder reparar todos os prazeres ilícitos e o amor às comodidades, para dar a todos o espírito de sacrifício e o amor ao sofrimento. Quero fundir-me nas tuas mãos, para reparar todas as obras más e o bem feito com malícia e presunção, para dar a todos o perfume das tuas obras. Fundindo-me nos teus pés, encerro todos os passos das criaturas para os reparar e dar a todos os teus passos, para que caminhem santamente.
E agora, minha doce Vida, permite-me que, fundindo-me no teu coração, abranja todos os afetos, as pulsações e os desejos, para os proteger contigo, e que ofereça a todos os teus afetos, pulsações e desejos, para que ninguém mais te ofenda.
Mas agora ouço nos meus ouvidos o rangido da chave: são os teus inimigos que vêm libertar-te. Jesus, estou a tremer, sinto-me a gelar. Vais estar novamente nas mãos dos teus inimigos. O que será de ti?
Parece-me ouvir também o rangido das chaves dos tabernáculos: quantas mãos profanadoras vêm abri-los, e talvez para te fazer descer a corações sacrílegos! Em quantas mãos indignas és obrigado a encontrar-te! Meu Jesus prisioneiro, quero estar presente em todas as tuas prisões de amor, para ser testemunha quando os teus ministros te libertarem e para te fazer companhia e reparar as ofensas que possas receber.
Vejo que os teus inimigos estão próximos, e tu estás a saudar o sol nascente, o último dos teus dias; e eles, ao libertarem-te e ao verem-te cheio de majestade e a olhar para eles com tanto amor, em troca desferem-te no rosto bofetadas tão fortes que o fazem avermelhar com o teu sangue preciosíssimo.
Meu Amor, antes de sair da prisão, na minha dor, peço-Te que me abençoes, para que receba forças para Te seguir no resto da Tua Paixão.
REFLEXÕES PRÁTICAS
Jesus na prisão, amarrado a uma coluna e imobilizado, é coberto de escarros e lama. Ele procura a nossa alma para que esta lhe faça companhia.
E nós, contentamo-nos em ficar a sós com Jesus, ou procuramos a companhia das criaturas?
O nosso único suspiro, o nosso único batimento cardíaco não é apenas Jesus?
Jesus, o Amante, para nos tornar semelhantes a Ele, amarra as nossas almas com a aridez, com as opressões, com as dores e com qualquer outro tipo de mortificação.
E nós, estamos contentes por nos deixarmos amarrar por Jesus naquela prisão em que o seu amor nos coloca, ou seja, nas trevas, nas opressões e noutras coisas?
Jesus está na prisão. Sentimos em nós a força e a disposição para nos aprisionarmos em Jesus por amor a Ele?
O afligido Jesus ansiava pela nossa alma para ser desamarrado e sustentado na dolorosa posição em que se encontrava.
E nós, ansiamos que apenas Jesus venha fazer-nos companhia, para nos libertar das correntes de toda a paixão e nos amarrar com correntes mais fortes ao seu coração?
E colocamos as nossas dores em cortejo à volta do Jesus sofredor, para afastar dele os escarros e a lama que os pecadores lhe lançam?
Jesus, na prisão, reza.
E a nossa oração é constante com Jesus?
Meu Jesus acorrentado, tu fizeste-te prisioneiro por amor a mim, e eu peço-te que aprisiones em ti a minha mente, a minha língua, o meu coração, toda a minha pessoa, para que eu não tenha liberdade alguma e tu tenhas domínio absoluto sobre mim.
Oração de agradecimento depois de cada Hora.
Meu Jesus, Tu chamaste-me nesta Hora da Tua Paixão a fazer-Te companhia e eu vim. Parecia-me que Te ouvia, angustiado e sofredor, a pedir, a reparar e a sofrer, e com as vozes mais comovedoras e eloquentes pedir a salvação das almas.
Procurei seguir-Te em tudo e agora, tendo de Te deixar para me dedicar às minhas ocupações habituais, sinto o dever de Te dizer “obrigado”, e “bendigo-Te”.
Sim, ó Jesus, repito-Te “obrigado” milhares de vezes e “bendigo-Te” por tudo o que fizeste e sofreste por mim e por todos. “Obrigado” e “bendigo-Te” por cada gota de Sangue que derramaste, por cada respiro, palpitação, passo, palavra, olhar, amargura e ofensa que suportaste. Por tudo, ó meu Jesus, Te digo um “obrigado” e um “bendigo-Te”.
Ó Jesus, faz com que de todo o meu ser brote uma corrente contínua de gratidão e de bênçãos, de forma a atrair sobre mim e sobre todos a corrente das Tuas bênçãos e graças. Ó Jesus, aperta-me ao Teu Coração e com as Tuas mãos santíssimas marca cada partícula do meu ser com o Teu “bendigo-Te”, para que de mim brote um hino contínuo de louvor a Ti.
13.ª Hora da Paixão: Jesus na prisão.
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Que Deus vos proteja e abençoe por toda a eternidade.




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