6.º Dia da Novena de Pentecostes: O Amor é virtude que dá força.
- Cláudia Pereira
- 29 de mai.
- 7 min de leitura
Entre a subida de Jesus aos céus e o derramamento do Divino Espírito Santo sobre os Apóstolos, em Pentecostes, contam-se exatamente nove dias (muito embora, em Portugal, a solenidade da Ascensão do Senhor seja transferida do seu dia próprio, a quinta-feira da 6.ª semana da Páscoa, para o domingo subsequente).
A novena do Espírito Santo é, entre todas, a principal, uma vez que foi celebrada pelos santos Apóstolos e por Maria Santíssima no Cenáculo, e é enriquecida de prodígios e dons excelentes, dos quais o principal é o próprio Espírito Santo, o qual é um dom que nos foi merecido por Jesus Cristo com sua Paixão.
Aos nove dias da novena propriamente dita, juntamos mais um dia, cuja meditação deve ser feita no dia da Ascensão do Senhor, conforme o desejo de Santo Afonso Maria de Ligório, que foi quem escreveu estas meditações.
Esta meditação também pode ser usada durante a oitava de Pentecostes, que consta do Rito Litúrgico antigo.
Neste artigo, meditaremos o 6.º Dia da Novena de Pentecostes: O Amor é virtude que dá força.
6.º Dia da Novena de Pentecostes: O Amor é virtude que dá força.
ORAÇÃO INICIAL
Hino ao Espírito Santo (em português)
Oh vinde, Espírito Criador,
as nossas almas visitai
e enchei os nossos corações
com vossos dons celestiais.
Vós sois chamado o Intercessor,
do Deus excelso o dom sem par,
a fonte viva, o fogo, o amor,
a unção divina e salutar.
Sois doador dos sete dons,
e sois poder na mão do Pai,
por ele prometido a nós,
por nós seus feitos proclamais.
A nossa mente iluminai,
os corações enchei de amor,
nossa fraqueza encorajai,
qual força eterna e protetor.
Nosso inimigo repeli,
e concedei-nos vossa paz;
se pela graça nos guiais,
o mal deixamos para trás.
Ao Pai e ao Filho Salvador
por vós possamos conhecer.
Que procedeis do seu amor
fazei-nos sempre firmes crer.
Amém.
Veni, Creátor Spíritus (em latim)
Veni, Creátor Spíritus,
mentes tuórum vísita,
imple supérna grátia,
quæ tu creásti péctora.
Qui díceris Paráclitus,
altíssimi donum Dei,
fons vivus, ignis, cáritas,
et spiritális únctio.
Tu septifórmis múnere,
dígitus paternæ déxteræ,
tu rite promíssum Patris,
sermóne ditans gúttura.
Accénde lumen sénsibus;
infunde amórem córdibus,
infírma nostri córporis
virtúte firmans pérpeti.
Hostem repéllas lóngius,
pacémque dones prótinus;
ductóre sic te prævio
vitemus omne noxium.
Per te sciámus da Patrem,
noscamus atque Filium;
teque utriúsque Spíritum
credámus omni témpore.
Amen.

MEDITAÇÃO
Fortis ut mors dilectio — «O amor é forte como a morte» (Ct 8, 6). Assim como não há força criada que resista à morte, não há para uma alma amorosa dificuldade que o amor não possa superar. Quando se trata de satisfazer o amado, o amor supera tudo: perdas, desprezo e dor. Nihil tam durum, quod non amoris igne vincatur — “Nada há tão duro que o fogo do amor não possa vencer”, diz Santo Agostinho. (1) Este é o sinal mais seguro para saber se uma alma ama verdadeiramente a Deus: se ela é fiel no seu amor tanto nas coisas prósperas como nas adversas.
São Francisco de Sales diz: “Deus é amável seja quando nos consola seja quando nos aflige, porque faz tudo por amor”. (2) Na verdade, quanto mais nos flagela nesta vida, mais nos ama.
São João Crisóstomo considerava São Paulo, acorrentado, mais feliz do que São Paulo arrebatado ao terceiro céu. (3) Por isso os santos mártires se alegravam no meio aos tormentos e agradeciam ao Senhor, como a maior graça que lhes dava, o poder sofrer por seu amor. E os outros santos, onde não os afligiam os tiranos, tornavam-se carrascos de si mesmos com penitências, para dar prazer a Deus.
Santo Agostinho diz que quem ama não cansa; e se cansa, o próprio cansaço é amado: In eo quod amatur, aut non laboratur, aut ipse labor amatur. (4)
AFETOS E SÚPLICAS
Ó Deus da minha alma, eu digo que vos amo; mas depois, o que faço por Vós? Nada. Então, é sinal de que não vos amo, ou vos amo muito pouco. Enviai-me, portanto, ó meu Jesus, o Espírito Santo, para que venha dar-me forças para sofrer por vosso amor e fazer algo por Vós, antes que me venha a morte.
Ah, não me deixeis morrer, meu amado Redentor, neste estado de frieza e ingratidão em que tenho vivido até hoje. Dai-me forças para amar o sofrimento, depois de tantos pecados que me fizeram merecer o inferno.
Ó meu Deus, todo bondade e todo amor, Vós desejais habitar na minha alma, da qual tantas vezes vos expulsei; vinde, habitai nela, tomai posse dela e fazei-a toda vossa. Amo-vos, amo-vos, ó meu Senhor, e se vos amo, já estais comigo, como me assegura São João: Qui manet in caritate, in Deo manet, et Deus in eo — «Quem permanece na caridade, permanece em Deus, e Deus nele» (1 Jo 4, 16). Portanto, já que estais comigo, fazei crescer as chamas, fortificai as cadeias [do vosso amor], a fim de que eu não deseje, não busque e não ame senão a Vós, e assim, unido [a Vós], não me separe jamais do vosso amor.
Ó meu Jesus, quero ser vosso, e todo vosso.
Ó Maria, minha advogada e rainha, obtende para mim amor e perseverança.
ORAÇÃO FINAL - Ladainha do Espírito Santo
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Divino Espírito Santo, ouvi-nos.
Espírito Paráclito, atendei-nos.
Deus Pai dos céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.
Espírito da verdade, tende piedade de nós.
Espírito da sabedoria, tende piedade de nós.
Espírito da inteligência, tende piedade de nós.
Espírito da fortaleza, tende piedade de nós.
Espírito da piedade, tende piedade de nós.
Espírito do bom conselho, tende piedade de nós.
Espírito da ciência, tende piedade de nós.
Espírito do santo temor, tende piedade de nós.
Espírito da caridade, tende piedade de nós.
Espírito da alegria, tende piedade de nós.
Espírito da paz, tende piedade de nós.
Espírito das virtudes, tende piedade de nós.
Espírito de toda a graça, tende piedade de nós.
Espírito da adoção dos filhos de Deus, tende piedade de nós.
Purificador das nossas almas, tende piedade de nós.
Santificador e guia da Igreja Católica, tende piedade de nós.
Distribuidor dos dons celestes, tende piedade de nós.
Conhecedor dos pensamentos e das intenções do coração, tende piedade de nós.
Doçura dos que começam a vos servir, tende piedade de nós.
Coroa dos perfeitos, tende piedade de nós.
Alegria dos anjos, tende piedade de nós.
Luz dos patriarcas, tende piedade de nós.
Inspiração dos profetas, tende piedade de nós.
Palavra e sabedoria dos apóstolos, tende piedade de nós.
Vitória dos mártires, tende piedade de nós.
Ciência dos confessores, tende piedade de nós.
Pureza das virgens, tende piedade de nós.
Unção de todos os santos, tende piedade de nós.
Sede-nos propício, perdoai-nos, Senhor.
Sede-nos propício, atendei-nos, Senhor.
De todo o pecado, livrai-nos, Senhor.
De todas as tentações e ciladas do demónio, livrai-nos, Senhor.
De toda a presunção e desesperação, livrai-nos, Senhor.
Do ataque à verdade conhecida, livrai-nos, Senhor.
Da inveja da graça fraterna, livrai-nos, Senhor.
De toda a obstinação e impenitência, livrai-nos, Senhor.
De toda a negligência e tepor do espírito, livrai-nos, Senhor.
De toda a impureza da mente e do corpo, livrai-nos, Senhor.
De todas as heresias e erros, livrai-nos, Senhor.
De todo o mau espírito, livrai-nos, Senhor.
Da morte má e eterna, livrai-nos, Senhor.
Pela vossa eterna procedência do Pai e do Filho, livrai-nos, Senhor.
Pela milagrosa conceição do Filho de Deus, livrai-nos, Senhor.
Pela vossa descida sobre Jesus Cristo batizado, livrai-nos, Senhor.
Pela vossa santa aparição na transfiguração do Senhor, livrai-nos, Senhor.
Pela vossa vinda sobre os discípulos do Senhor, livrai-nos, Senhor.
No dia do juízo, livrai-nos, Senhor.
Ainda que pecadores, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que nos perdoeis, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis vivificar e santificar todos os membros da Igreja, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis conceder-nos o dom da verdadeira piedade, devoção e oração, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis inspirar-nos sinceros afetos de misericórdia e de caridade, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis criar em nós um espírito novo e um coração puro, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis conceder-nos verdadeira paz e tranquilidade do coração, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis fazer-nos dignos e fortes, para suportar as perseguições pela justiça, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis confirmar-nos em vossa graça, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis receber-nos no número dos vossos eleitos, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis ouvir-nos, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Espírito de Deus, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, enviai-nos o Espírito Santo.
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, mandai-nos o Espírito prometido do Pai.
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, dai-nos o Espírito bom.
Espírito Santo, ouvi-nos.
Espírito consolador, atendei-nos.
℣. Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e tudo será criado,
℟. E renovareis a face da terra.
Oremos: Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
(1) Santo Agostinho, De moribus Ecclesiæ catholicæ et de moribus Manichæorum I, 22 (PL 32, 1329): “Nada há tão duro e tão férreo que não o vença o fogo do amor. Com ele, a alma se elevará a Deus, voará livre e admirável sobre todo tormento com asas belíssimas e puríssimas, pelas quais o amor casto repousa no abraço de Deus.”
(2) Tratado do Amor de Deus IX, 2
(3) São João Crisóstomo, In Epistola ad Ephesios, hom. 8, 1 (PG 62, 57): “Nada é melhor do que padecer tribulações por causa de Cristo. Eu declaro Paulo mais bem-aventurado por causa do cárcere em que foi metido do que por seu arrebatamento até o paraíso. Declaro-o mais bem-aventurado por ter sido acorrentado que por ter ouvido palavras inefáveis. Declaro-o mais bem-aventurado por aquelas correntes que por sua elevação até o terceiro céu.”
(4) Santo Agostinho, De bono viduitatis, 21 (PL 40, 448): “O importante é o objeto que se ama. Pois quem ama, ou não sofre, ou ama até o sofrimento.”
Subscreva a nossa newsletter, para receber no seu e-mail os próximos artigos!
Comente - Partilhe - Faça parte do Manto de Maria
Que Deus vos proteja e abençoe por toda a eternidade.




Comentários